Em outro post, falei sobre a coleção completa de "Friends", e outra série que não pode faltar em nenhuma estante que se preze é a superprodução da HBO, "Roma". Orçada em 100 milhões por temporada, a obra ostenta o titulo da mais cara
da televisão mundial e não é para menos. Apesar de norte-americana, a série foi gravada nos estúdios da Cinecittá que fica na própria Roma. Estive recentemente na capital italiana e pude visitar a cidade cenográfica que ainda se encontra bem conservada para a visitação de turistas, clique aqui para conferir.
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| Poster da segunda temporada. |
São duas
temporadas, a primeira se passa no ano 52 A.C e narra da ascensão de César ao
conquistar a Galícia até a sua terrível morte no senado romano. A fidelidade
história está desde o figurino aos acontecimentos. É por conta disso que César
na série não prolifera a célebre frase quando Brutus lhe enfia a faca nas
costas, pois caso não saiba, o "até tu, Brutus" foi criado por
Shakespeare.
Cada episódio é uma verdadeira aula, mais do que isso, é como
se nos transladassem àquele conturbado ambiente. As intrigas palacianas
são apresentadas de maneira magistral através de personagens reais, como por exemplo: Átia e
Servilia. Mesmo sendo figuras pouco conhecidas, já que os livros didáticos
não dão muitas linhas para se falar das mulheres, aqui é mostrado de forma
humana e contextualiza a importância que essas duas arqui-inimigas tiveram
durante o reinado do cônsul-mor.
Já na
segunda temporada, o período retratado é o embate de poder entre Otávio e Marco Antônio.
Todos os atores parecem ter incorporado de fato essas personagens históricas,
não caíram no erro de seguir estereótipos, armadilha bastante comum em produções
do gênero. Exemplo disso é a intérprete de Cleópatra que se afastou de tudo o
que já havia sido feito antes e seguiu um caminho mais documental e menos mítico.
As cenas
de sexo e violência são fortes ao extremo, mas não são apelativas, gratuitas ou
desnecessárias. Imagine numa época em que diversão era ver pessoas morrendo... Assim sendo não dá para fazer um seriado chamado "Roma" e colocar cenas dignas da
Lagoa Azul.
Há também
personagens fictícios e é aqui que a coisa poderia ficar feia. Ao se ler
um livro didático, por mais que se conte a situação civil, não contará a
vivência de alguém da plebe. Os roteiristas criaram Pullus e Vorenus, dois
soldados simples que servem para nos mostrar a Roma dos pobres. A
eletrizante trama folhetinesca que os conduzem nem precisava ser
tão boa, pois já serviria como pretexto para documentar os
marginalizados da história com H maiúsculo. O mesmo acontece com um núcleo de
judeus inventados que a princípio parece ser apenas para encher linguiça, mas
logo se vê que o plano era abordar também as questões judaicas pré-Cristo.
A
Roma antiga ainda vive no box dessas duas extraordinárias temporadas.




