Na minha primeira viagem à Europa, só pude passar 2 dias em Madrid. Desse modo, não deu para conhecer as cidades próximas à capital espanhola. Como não gosto de ir a lugares repetidos
e Salamanca fica fora de rota, achei que nunca conheceria a cidade dourada. Mas
a vida nos prega peças. Sem esperar, fui um dos selecionados para se apresentar
no II Congresso Internacional de Arte, Literatura e História a ser realizado em
Salamanca.
Após dez dias passeando pela Itália,
peguei um avião em Milão e com destino à Madrid. Há duas maneiras de se chegar
à Salamanca saindo do aeroporto de Madrid. Caso você esteja no terminal 4, o
mais prático é pegar um trem à estação de Charmatín, e de lá, tomar um trem
rumo a Salamanca. A passagem custa em torno de 23 euros. Você pode conferir os
horários e comprar os bilhetes através do site da Renfe. Caso esteja no
terminal 1,2 e 3, o mais cômodo é tomar um dos micro-ônibus da empresa
Avanzabus que fazem o trajeto para Salamanca pelo valor de 26 euros. Uma das
vantagens de ir com a Avanzabus é que há mais horários disponíveis.
A duração da viagem, tanto de trem
quanto de ônibus é de aproximadamente 2 horas e 40 minutos. Tanto a estação
ferroviária quanto a rodoviária ficam razoavelmente próximas ao centro, afinal,
Salamanca é muito pequena. São mais ou menos 2 km até a Plaza Mayor, principal
ponto turístico, onde se concentram a maioria dos hotéis. Uma distância que pode
parecer longa se estiver com malas. Mas não se preocupe, é só pegar algum
coletivo que custa 1,10 euros, ou então um táxi, já que a distância é curta.
![]() |
| Cúpulas. |
![]() |
| Rio de Salamanca. |
Embora seja uma cidade bastante
turística e universitária, Salamanca possui um ótimo custo benefício. Fiquei um
hostel sem luxo, porém muito limpo e confortável. A diária de um quarto single
custou a bagatela de 22 euros em plena alta temporada. Parece inacreditável,
mas é verdade. O atendimento era ótimo, a localização excelente e as acomodações
bastante funcionais. Com direito a um café-da-manhã simples, porém justo. O
nome dessa joia rara é Alda Centro Salamanca. E o motivo de fazer tanta
propaganda é que fui realmente bem tratado nos quatro dias que lá me hospedei.
![]() |
| Aspirando a sujeira da rua. |
Caso você não esteja indo a Salamanca
para estudos, trabalho, ou algo do tipo, aconselho que a encare como um
bate-volta, já que é possível conhecer as principais atrações apenas em um dia.
Mas se você tiver que passar mais tempo, não há problema, pois Salamanca, embora
pequena, é grande em encantamentos.
A Plaza Mayor é o marco zero da cidade.
Muito mais bonita que a de Madrid, é lá onde todo o mundo se encontra para
tomar chocolate-quente com churros, bater papo e vê a vida passar. Andando
pelas ruas, é fácil se perder, pois todas as casas possuem fachadas de mármore
dourado, algo obrigado pela prefeitura. E o motivo para esta imposição é fazer
com que as construções novas se homogenizem com o dourado dos castelos, das
catedrais e das esculturas que estão por toda a parte. Para quem gosta de
museus, o lugar também é um prato cheio.
![]() |
| Plaza Mayor de Salamanca. |
![]() |
| Escultura de Salamanca. |
A Universidad de Salamanca é uma das mais
conceituadas do país e foi lá que tive o prazer de participar do meu primeiro congresso
internacional como participante. Falei em espanhol sobre a literariedade em Dom
Casmurro convertida para a micro-série Capitu. Na minha mesa estava um doutor
da Universidad de Madrid que falou sobre o cinema de ficção-científica na
Espanha e uma doutoranda da Universidade do Alabama –Shelly - que falou sobre como
é retrada no cinema a violência contra a mulher.
![]() |
| Universidad de Salamanca. |
Por
temos estado na mesma mesa, eu e Shelly ficamos amigos e ela me apresentou
mais duas doutoras americanas, Silvia e Antonia, com as quais passei momentos
inesquecíveis em Salamanca. Uma das palestras que eu mais gostei no congresso
foi justamente a ponência de Antonia que falou sobre a questão da identidade no
filme A Pele que Habito, de Pedro Almodóvar.
![]() |
| Apresentação de Antonia sobre Almodóvar. |
Caso tenha interesse em ler alguma dessas
ponências, é só acessar as Atas do Congresso. A maioria está em espanhol, mas há
algumas em inglês e português.
Assim que o congresso terminou, tomei um
trem de volta à Madrid e aproveitei para conhecer pontos turísticos que não
pude ver na primeira vez, como por exemplo: a Plaza Cibeles. E também as torres
caídas, ou Puerta de Europa como são mais conhecidas, que estão na estação de
metrô Plaza de Castilla. Um pouco mais adiante, você pode visitar o estádio do
Barcelona e contemplar os bonitos prédios que há no bairro.
![]() |
| Plaza Cibeles. |
![]() |
| Puerta de Europa. |
No post anterior sobre Madrid, falei do
hostel San Martin, o qual elogiei bastante. No entanto, o hostel sofreu um
reajusto abusivo e desta vez opitei em ficar num hotel que fica ao lado do
metrô Gran Via e que a diária custa 34 euros em dia de semana e 38 em finais de
semana. Uma pechincha para o ótimo custo-benefício que proporciona. O nome do hostel
é Montecarlo. Surpreendeu-me. Pena que não passei mais tempo nele, pois no
dia seguinte tinha que partir rumo à Genebra.
Logo voltarei para relatar os dias inesquecíveis
que passei na Suiça, graças a Deus e à Maria Helena.
![]() |
| Conversando com a estátua em Salamanca. |















