domingo, 3 de novembro de 2013

Relato de Viagem - Espanha - Salamanca e Madri - Parte 2

Na minha primeira viagem à Europa, só pude passar 2 dias em Madrid. Desse modo, não deu para conhecer as cidades próximas à capital espanhola. Como não gosto de ir a lugares repetidos e Salamanca fica fora de rota, achei que nunca conheceria a cidade dourada. Mas a vida nos prega peças. Sem esperar, fui um dos selecionados para se apresentar no II Congresso Internacional de Arte, Literatura e História a ser realizado em Salamanca.
 
Após dez dias passeando pela Itália, peguei um avião em Milão e com destino à Madrid. Há duas maneiras de se chegar à Salamanca saindo do aeroporto de Madrid. Caso você esteja no terminal 4, o mais prático é pegar um trem à estação de Charmatín, e de lá, tomar um trem rumo a Salamanca. A passagem custa em torno de 23 euros. Você pode conferir os horários e comprar os bilhetes através do site da Renfe. Caso esteja no terminal 1,2 e 3, o mais cômodo é tomar um dos micro-ônibus da empresa Avanzabus que fazem o trajeto para Salamanca pelo valor de 26 euros. Uma das vantagens de ir com a Avanzabus é que há mais horários disponíveis.

A duração da viagem, tanto de trem quanto de ônibus é de aproximadamente 2 horas e 40 minutos. Tanto a estação ferroviária quanto a rodoviária ficam razoavelmente próximas ao centro, afinal, Salamanca é muito pequena. São mais ou menos 2 km até a Plaza Mayor, principal ponto turístico, onde se concentram a maioria dos hotéis. Uma distância que pode parecer longa se estiver com malas. Mas não se preocupe, é só pegar algum coletivo que custa 1,10 euros, ou então um táxi, já que a distância é curta.

Cúpulas.
Cúpulas.

Rio de Salamanca.
Embora seja uma cidade bastante turística e universitária, Salamanca possui um ótimo custo benefício. Fiquei um hostel sem luxo, porém muito limpo e confortável. A diária de um quarto single custou a bagatela de 22 euros em plena alta temporada. Parece inacreditável, mas é verdade. O atendimento era ótimo, a localização excelente e as acomodações bastante funcionais. Com direito a um café-da-manhã simples, porém justo. O nome dessa joia rara é Alda Centro Salamanca. E o motivo de fazer tanta propaganda é que fui realmente bem tratado nos quatro dias que lá me hospedei.

Aspirando a sujeira da rua.
Caso você não esteja indo a Salamanca para estudos, trabalho, ou algo do tipo, aconselho que a encare como um bate-volta, já que é possível conhecer as principais atrações apenas em um dia. Mas se você tiver que passar mais tempo, não há problema, pois Salamanca, embora pequena, é grande em encantamentos.

A Plaza Mayor é o marco zero da cidade. Muito mais bonita que a de Madrid, é lá onde todo o mundo se encontra para tomar chocolate-quente com churros, bater papo e vê a vida passar. Andando pelas ruas, é fácil se perder, pois todas as casas possuem fachadas de mármore dourado, algo obrigado pela prefeitura. E o motivo para esta imposição é fazer com que as construções novas se homogenizem com o dourado dos castelos, das catedrais e das esculturas que estão por toda a parte. Para quem gosta de museus, o lugar também é um prato cheio.

Plaza Mayor de Salamanca.
 
Imponente catedral.

Escultura de Salamanca.


A Universidad de Salamanca é uma das mais conceituadas do país e foi lá que tive o prazer de participar do meu primeiro congresso internacional como participante. Falei em espanhol sobre a literariedade em Dom Casmurro convertida para a micro-série Capitu. Na minha mesa estava um doutor da Universidad de Madrid que falou sobre o cinema de ficção-científica na Espanha e uma doutoranda da Universidade do Alabama –Shelly - que falou sobre como é retrada no cinema a violência contra a mulher.

Universidad de Salamanca.
 
Minha apresentação no congresso.
 Por temos estado na mesma mesa, eu e Shelly ficamos amigos e ela me apresentou mais duas doutoras americanas, Silvia e Antonia, com as quais passei momentos inesquecíveis em Salamanca. Uma das palestras que eu mais gostei no congresso foi justamente a ponência de Antonia que falou sobre a questão da identidade no filme A Pele que Habito, de Pedro Almodóvar.

Apresentação de Antonia sobre Almodóvar.
Caso tenha interesse em ler alguma dessas ponências, é só acessar as Atas do Congresso. A maioria está em espanhol, mas há algumas em inglês e português.

Assim que o congresso terminou, tomei um trem de volta à Madrid e aproveitei para conhecer pontos turísticos que não pude ver na primeira vez, como por exemplo: a Plaza Cibeles. E também as torres caídas, ou Puerta de Europa como são mais conhecidas, que estão na estação de metrô Plaza de Castilla. Um pouco mais adiante, você pode visitar o estádio do Barcelona e contemplar os bonitos prédios que há no bairro.

Plaza Cibeles.

Puerta de Europa.
No post anterior sobre Madrid, falei do hostel San Martin, o qual elogiei bastante. No entanto, o hostel sofreu um reajusto abusivo e desta vez opitei em ficar num hotel que fica ao lado do metrô Gran Via e que a diária custa 34 euros em dia de semana e 38 em finais de semana. Uma pechincha para o ótimo custo-benefício que proporciona. O nome do hostel é Montecarlo. Surpreendeu-me. Pena que não passei mais tempo nele, pois no dia seguinte tinha que partir rumo à Genebra.

 Logo voltarei para relatar os dias inesquecíveis que passei na Suiça, graças a Deus e à Maria Helena.

Conversando com a estátua em Salamanca.

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