segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Relato de Viagem – Holanda – Zaanse Schans e Zaadam: Para Aplaudir de Pé

Dentro do Hotel Inntel em Zaadam.
Já falei de como gostei de Amsterdam e também de Keukenhof, o parque de tulipas que fica em Lisse. Porém faltou falar de duas cidades circu-vizinhas à capital que vão encher seus olhos.

Zaandam fica apenas a duas paradas da estação central. O trajeto dura apenas 10 minutos e a passagem, se pagar o valor cheio, custará 5 euros ida e volta. Eu conheci esta cidade por puro acaso. Quando estava pesquisando hospedagem, só encontrava preços elevados, então a saída foi me hospedar em Zaadam. No início fiquei encucado, mas só foi descer na estação homônima que logo vi que havia feito um bom negócio. Ainda mais, que mesmo pagando o transporte, compensou bastante financeiramente.

Zaadam é pequena, mas tem um centro comercial muito bonito e com preços ótimos para quem quer cobrar roupa e chocolate. Um pacote de trufa Lindt me custou menos que 3 euros. Também é interessante observar o Hotel Inntel e passar pelo menos meia hora andando por sua rua principal. 

Frente ao Hotel Inntel.
Obviamente não compensa para o turista ficar muito tempo lá, porém mais duas estações a frente, ou seja, quatro estações de Amsterdam (20 minutos), você encontrará Zaanse Schans, a cidade dos moinhos de vento. O segredo então para conhecer as duas pelo preço de uma, é comprar o bilhete rumo a estação Koog-Zaandijk, parar na estação Zaadam e depois reembarcar.

Exterior da estação de Zaadam.

De Koog-Zaandijk para o ponto turístico principal do povoado leva apenas uns 20 minutos andando. E vai por mim, não faz falta ir de bus, pois o percurso é lindo, pois o lugar parece que saiu de um conto de fadas. Sem contar que há alguns museus pelo caminho.

Inicialmente, achei que ia bater a cabeça para encontrar os lugares de interesse, porém Zaanse Schans é mesmo um lugar de primeiro mundo. Na primeira rua após descer da estação, você vai encontrar uma alavanca, ao puxá-la sai um mapa inteiramente grátis da cidade. Não é algo genial?

Puxe a alavanca e pegue o mapa.

Olhando no mapa, resolvi que não iria diretamente aos moinhos, como todo o mundo faz. Decidi explorar ruas que não estava na rota turística e me surpreendi com o cuidado dos moradores com seus jardins. Parecia cenário de filme, mas era vida real. Tive que me segurar para não sair tirando foto de todas as casas. Tinha uma em especial, que sua entrada estava tão bonita, que eu esperei o dono se retirar para tirar uma foto.

Jardins.

Casas bucólicas.

Banco e bicicleta.
Continuei andando e por fim avistei o famoso museu aberto de que tanto falam. Zaanse Schans é um conjunto de moinhos instalados numa área verde que retrata bem o que é a Holanda: um país de beleza e qualidade. Somada a paisagem de tirar o fôlego, mesclava-se a vida cotidiana se movimentando, nativos em suas bicicletas. Nesse momento tive a impressão de que estava num filme em câmera lenta. Era muito clichê para ser real.

Cotidiano.

Os moinhos de Zaanse Schans.
Devagar, dá para passar o dia inteiro por lá, pois há muitos museus, natureza a ser observada, animais para ser admirados, história para ser absorvida...

Com o anjo de ouro.

Mais jardim.

As casas - cada uma é um museu.

Ovelhas holandesas.
Se você estiver com mais alguém, não deixe de rachar um stroopwafel, aquele doce que parece um waffel com doce de leite no meio. Eles fazem na hora. Também há outros pratos típicos. Mas vou logo avisando que os preços são um tanto altos, afinal, ali é a parte mais turística do lugar. 

Caminho para os moinhos.
Após fazer o meu lanche, segui para admirar os moinhos de vento e pude entrar em um deles pagando 2 ou 3 euros, os quais eu acabei nem pagando porque entrou tanta gente de vez que a cobradora simplesmente entregou pra Deus e foi descansar. No alto do moinho, a visão é fora de série... Tive um pouco de medo em subir as escadas íngremes e também de andar pela madeira rachada, mas a beleza compensava. Estava tendo até um ensaio fotográfico de casamento lá do alto. 

Visão do alto.

Dentro do moinho.
Ensaio de casamento
 Ao descer do moinho continuei seguindo em frente, achando que voltaria ao ponto de chegada, até que então descobri que por ali não teria saída, ou eu voltava tudo de novo, ou atravessava o rio de barco. Resolvi fazer a travessia e paguei apenas 1 euro por isso, o que foi ótimo, pois além de me dar um descanso, pude ter a emoção de navegar por aquelas águas. O engraçado é que só estava eu, o capitão e cobradora no barco, praticamente um passeio particular.

Voltando de barco.
Eu estava tão feliz por estar ali, tão encantado vendo as maravilhas daquele país e tão satisfeito comigo mesmo por ter tido coragem e capacidade de chegar tão longe que, inspirado outra vez pelos jardins, comecei a cantar no meio da rua. E como ela estava deserta, passei a cantar cada vez mais alto. Era como a cidade fosse inteiramente minha. 

Rio atrás do jardim.
Entrei numa empolgação tão grande que continuei cantando mesmo quando as pessoas passavam por mim de bicicleta, ou quando os nativos olhavam pela janela para ver quem era o louco que estava berrando na rua. Não me deixei intimidar e continuei: “Te vi, te vi, te vi... Yo no esperaba nadie y te vi”. Para minha surpresa, as pessoas passaram a acenar, outros a sorrir e ainda teve quem batesse palmas.  

Fui embora de Zaanse Schans certo de que, possivelmente, eu nunca mais cantaria com o mesmo entusiasmo pela rua.

Pássaro voando sobre Zaanse Schans.

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