 |
| Catedral de Berlim. |
Volta e meia no Facebook, eu via fotos de amigos em Berlim e a verdade é que não me parecia grandes coisas.
Por isso mesmo, nunca tive aquela
vontade conhecê-la. No entanto, como eu estava na Holanda, e a logística do meu
roteiro me obrigava a aterrissar lá, tomei um avião saindo de Amsterdam, e
separei três dias para explorar a capital alemã.
Antes mesmo de chegar, sofri dois
perrengues referentes a Berlim. O primeiro foi quando eu ainda estava no Brasil.
Reservei pelo Airbnb uma hospedagem de 18 euros no Mitte, o bairro mais
recomendado. Faltando poucos dias para chegar à Barcelona (cidade em que
comecei a viagem), o anfitrião cancela a minha reserva dizendo que
lamentavelmente teria que sair da cidade naquela data. O site então me deu 15
euros de crédito para procurar outra hospedagem e depois de muito bater a
cabeça consegui ficar na casa de uma mexicana no bairro Friedenau, 100
metros do metrô de mesmo nome.
Apesar de não tão centralizado, acabou valendo a pena e até indico para quem quiser.
Segue o link da casa: https://www.airbnb.com.br/rooms/1626842
 |
| Estátuas banhistas. |
O outro perrengue aconteceu no trajeto
para o aeroporto, ainda na Holanda. Como já era final de semana, na estação de
trem de Zaadam (cidade vizinha à Amsterdam) não havia ninguém e as máquinas só aceitavam
moeda. Como nos quatro dias em que estive na Holanda ninguém me cobrou passagem
nos trens, resolvi arriscar e ir sem comprar o bilhete. Pois eis que faltando
duas estações para chegar ao aeroporto, uma fiscal apareceu exigindo que eu lhe
mostrasse minha passagem. Nervoso, sem inglês e muito menos holandês, eu não
sabia como explicar o motivo pelo qual estava sem o bilhete. A mulher então
mandou que eu descesse e lhe acompanhasse para me multar.
Foi aí que eu tive que apelar para os
meus dotes artísticos, fiz uma cena mexicana dentro do trem: “No, I have fly”.
Repeti isso em desespero variando para: “can't lost fly”. Todo mundo no trem
ficou com pena de mim, pois estava quase chorando, então a fiscal meio pressionada
pelos olhares, deixou que eu permanecesse no trem, porém fez uma ligação. Assim
que o trem parou na estação do aeroporto, não sei como, estava outra mulher me
esperando para que eu pagasse o valor da passagem. Menos mal. Paguei os 4 euros
e fui tomar meu voo.
No Schoenefeld, principal aeroporto de
Berlim, achei rapidamente a estação de trem, pois tem placas. Só demorei para
conseguir comprar o passe de dois dias, o qual me custou por volta de sete
euros. Embora o sistema ferroviário da cidade, ao meu ver, é bem complicado,
acho que o mais difícil que já andei, consegui chegar na hospedagem sem muita
dificuldade, já que ela tinha me dado um passo a passo em espanhol.
Cansado e estressado dos perrengues,
dormir enquanto garoava do lado de fora. Assim que o tempo abriu, eu acordei e
fui conhecer a cidade com um mapa do metrô para não me perder. Desci na
movimentada Alexanderplatz, que é uma praça e um terminal de transporte
público. Tinha criança, idoso e gente vendendo cachorro-quente de uma maneira
que eu nunca vi.
 |
| Alexanderplatz. |
 |
| Cachorro-quente ambulante. |
Lá mesmo peguei um mapa gratuito bem
ruim, pois o melhor custa 3 euros, e fui andar. Na praça da Torre Fernsehturm, perto da fonte e da Igreja
Santa Maria estava tendo uma espécie de passeata, mais pra frente um grupo
radical, numa outra rua vi músicos se apresentando. Comecei a perceber que
Berlim é uma cidade mais de atividades do que de pontos turísticos.
 |
| Fonte. |
 |
| Performances na rua. |
 |
| Fernsehturm. |
 |
| Músicos. |
Mas
é claro que também tem seus atrativos, como a Catedral, onde é possível ver
muita gente fazendo pic-nic do lado, outros dançando tango à margem dos canais,
jovens tocando violão, isto é, em volta dos pontos turísticos havia vida
nativa, algo raro de se ver. A Itália que o diga.
 |
| Tango e catedral. |
 |
| Judeus deportados. |
 |
| Pensador. |
Tirando
a catedral, o que achei de mais imponente em Berlim foi o Palácio do Reichstag,
que é nada mais que o parlamento federal. Ao seu lado, o turista encontra outras
atrações, como: o Portão de Brandeburgo, os memoriais, inclusive o Memorial aos
Judeus Mortos na Europa e mais atividades e também a Estação Central que forma
um belo conjunto.
 |
| O imponente parlamento. |
 |
| Portão Brandeburgo. |
 |
| Memorial aos Judeus. |
 |
| Torcida na corrida de bicicleta. |
Achando que sou Highlander, atravessei o
Parque Tiergarten, não achei muita graça, e fui sair no Siegessäule, que a
grosso modo é uma rotatória com um anjo dourado em cima.
 |
| Siegessäule |
No dia seguinte fiquei de me encontrar
com Munique, uma amiga de longa data que mora em Hamburgo, inclusive ela já participou do Entrevista na Alfândega falando das vantagens de morar na Europa.
Também falo dela no post de Albufeira, onde nos vimos pela última em 2010.
Após quatro anos, o reencontro não
poderia ter sido melhor, afinal, Munique é uma daquelas pessoas engraçadas, que
consegue animar até velório. Com ela não tem tempo ruim e toda vez que a vejo
minha cabeça dói de tanto rir. Para
completar, ela veio de carro e assim me levou para conhecer
alguns lugares que faltavam, como: o Muro de Berlim, a igreja Gedächtniskirche,
a rua Kurfürstendamm (lugar de compras)...
 |
| Construção do Muro de Berlim. |
 |
| Eu e Munique pulando o muro. |
 |
| Muro e torre de tiro. |
 |
| Rua das compras. |
Apesar de não achar nada fora do comum, eu
gostei de Berlim. Até rimou. É uma cidade bastante viva, tem sempre alguma
coisa acontecendo. Provavelmente ela não vai lhe ganhar pela emoção, pela
visão. Ela exige do turista uma disposição ao conhecimento, então para
desfrutá-la melhor aconselho ler sobre sua História, contratar um guia,
pesquisa sua agenda cultural a fim de participar dos inúmeros eventos, conferir
as exposições do momento...
Achei-a muito parecida com São Paulo no
sentido de que ambas as cidades, à primeira vista, não possuem grandes
atrativos, porém basta procurar um pouco que encontrará infinitas atividades
culturais.
Com dois dias suficientes para conhecer
aquilo que me propus, separei o terceiro e último dia para conhecer Potsdam, o
Versailles alemão. Mas isso fica para o próximo post.
 |
| Canal do Parlamento. |