Analisando o meu histórico "filmográfico", percebi que a maioria dos filmes que vi são norteamericanos. A explicação para
isto é simples: as produções hollywoodianas são as mais presentes no Brasil.
Tanto na televisão como nas antigas locadoras era raro encontrar outro tipo de
material. E mesmo quando aparecia, o costume nos fazia escolher por aquilo que
já estávamos acostumados.
Somente por volta do ensino médio que tomei
consciência disso e passei a ver mais filmes “estrangeiros”. Com o acesso a
internet rápida, felizmente, esta tarefa ficou mais fácil. Assim sendo, passarei
a dar indicações de películas de outros países, a começar pelo cinema espanhol.
6º O Corpo
Para quem gosta de resolver um mistério o “El
Cuerpo” é o filme ideal. A sinopse é relativamente simples: Jaime é um marido
infiel. Sua esposa morre e ele se torna suspeito. Para piorar, o corpo dela
desaparece antes da necropsia, iniciando assim uma investigação e vários
questionamentos: quem a matou? Quem roubou e onde está o corpo?
No primeiro olhar, a direção parece bastante
americanizada, isto é, o espectador não estranhará o ritmo, os quadros, a
sequência narrativa... No entanto, lá pelo meio da fita dá para perceber a
diferença do thriller espanhol. Esta semana, por exemplo, ao assistir “Garota
Exemplar”, de David Fincher, estrelado por Ben Affleck, notei como a estética
espanhola é mais pesada, os diálogos são mais naturalistas. Resumindo: “El
Cuerpo” é melhor e mais surpreendente.
5º O Quarto Secreto
Algo já reconhecido por todos é como o cinema espanhol é capaz de criar
argumentos originais. Encontra-se das mais diversas situações.
Em “O Quarto Secreto” (“La Cara Oculta”, no título original) um músico espanhol
se muda para a Colômbia com a sua esposa. O que só ela sabe é que na casa,
construída por um nazista foragido, há um quarto secreto.
Sem revelar mais do enredo para não estragar surpresas, o filme deixa
qualquer um aflito com o desenrolar dos acontecimentos. Embora a obra acabe
tendo momentos irregulares, o conjunto é bastante positivo devido à
originalidade apresentada.
4º Sombras de Goya
Voltando a produção estrelada pelos oscarizados, Javier Barden (interpretando
um inquisidor dos mais cruéis) e Natalie Portman, temos uma trama intensa,
rocambolesca e histórica. Antes muito difícil de encontrar no Brasil, tanto que
acabei comprando por 5 euros na FNAC de Madrid, hoje você pode assistir
facilmente no youtube. E para facilitar ainda mais, é só apertar o play abaixo.
3º Blancanieves
Muitos antes de Hollywood começar com a mania de
fazer releituras de contos de fadas e também antes de “O Artista”, o diretor
Pablo Berger já estava a voltas com o projeto “Blancanieves”, uma versão muda e
em preto-e-branco de Branca de Neve e Os Sete Anões, na qual a princesa aqui é
filha de um toreiro famoso da Andalucía.
Berger lutou por muitos anos para conseguir
investimentos. Tinha na cabeça que o filme deveria ser mudo e sem cor, o que
obviamente não agradava aos produtores. Após muito bater o pé e conseguir a
duras penas o dinheiro que necessitava, lançou por fim em 2012 sua versão que
dá um banho em todas estas últimas porcarias lançadas pela Disney.
Não é por ser cult, ou diferente que a
“Blancanieves” de Berger foi um sucesso de crítica e de público. Ganhou muitos prêmios (10 Goyas) e foi a indicada do país ao Oscar. A película é boa porque
tem o ritmo certo, uma direção de arte de encher os olhos, trilha sonora bem
sintonizada, ângulos cativantes... É um primor que não faz falta que o
espectador entenda de cinema para apreciar. Mas para aqueles que gostam de se
aprofundar, indico o artigo da pesquisadora Ana Maria (p. 445), apresentado no
congresso internacional de Salamanca, no qual também estive com a minha
dissertação sobre Dom Casmurro e Capitu (p. 576). Segue o link: http://www.cebusal.es/download/publicaciones/Actas_online_II_Congreso_Cine_Salamanca%20sin%20hiperv%C3%ADnculos.pdf
2º A Vida Secreta das Palavras
Embora espanhol, “A Vida Secreta das Palavras” é falado em inglês, mas isto
não se deve a uma escolha comercial, pelo contrário, o filme é o mais difícil
da lista devido ao seu tema indigesto e ao ritmo lento.
Quando Hanna, uma jovem de 30 anos extremamente introspectiva, tira férias
forçadas de seu emprego, ela arranja um trabalho temporário como enfermeira
numa plataforma de petróleo para cuidar de um funcionário acidentado,
personagem este vivido por Tim Robbins.
Com este nome de peso no elenco, pode-se imaginar que não se trata de um
projeto qualquer. O filme tem uma virada que faz com que a falta de diálogos, o
silêncio e os tempos-mortos ganhem sentido. Não daria para contar esta história
de outro jeito. Forte, emocionante e inspirador.
1º Os Filmes de Pedro Almodóvar
Ícone máximo do cinema espanhol, Pedro Almodóvar
faz por onde. Com certeza é o diretor que melhor consegue captar as
particularidades do seu povo tão apaixonado, maluco, incoerente, simpático...
Não irei indicar nenhum filme em especial dele, pois já falei de todos aqui no
blog. Então você pode escolher desde “Os Amantes Passageiros”, sua última
comédia; “Volver”, seu drama mais contido; a qualquer um de sua excelente filmografia.
De início pode haver estranhamento, mas não pense
que o diretor foge da realidade. Somente após viver com uma autêntica família
espanhola em Sevilla que pude constatar como as histórias almodovarianas são
verdadeiras.
Procurando no google, aluguei um quarto numa casa
em que a empregada era uma boliviana ilegal, noiva de um pedreiro nativo, o
qual a dona da casa não suportava, mas mesmo assim, era só a dona e seu irmão
surdo-mudo saírem, para o noivo aparecer e almoçar na frente da matriarca, uma
senhora ocsagenária que estava há 14 anos em estado vegetativo e foi só eu ir
embora da casa, que três dias depois ela morreu. Tem coisa mais Almodóvar do que
isso? Me lembra até um dos filmes que mais gosto do diretor: Atá-me! Inclusive,
saudades do dia em que eu e a dona colocamos a seguinte cena no youtube e
ficamos cantando.









