quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Cinema - 6 filmes Espanhóis

Analisando o meu histórico "filmográfico", percebi que a maioria dos filmes que vi são norteamericanos. A explicação para isto é simples: as produções hollywoodianas são as mais presentes no Brasil. Tanto na televisão como nas antigas locadoras era raro encontrar outro tipo de material. E mesmo quando aparecia, o costume nos fazia escolher por aquilo que já estávamos acostumados.

Somente por volta do ensino médio que tomei consciência disso e passei a ver mais filmes “estrangeiros”. Com o acesso a internet rápida, felizmente, esta tarefa ficou mais fácil. Assim sendo, passarei a dar indicações de películas de outros países, a começar pelo cinema espanhol.

6º O Corpo
 
Para quem gosta de resolver um mistério o “El Cuerpo” é o filme ideal. A sinopse é relativamente simples: Jaime é um marido infiel. Sua esposa morre e ele se torna suspeito. Para piorar, o corpo dela desaparece antes da necropsia, iniciando assim uma investigação e vários questionamentos: quem a matou? Quem roubou e onde está o corpo?

No primeiro olhar, a direção parece bastante americanizada, isto é, o espectador não estranhará o ritmo, os quadros, a sequência narrativa... No entanto, lá pelo meio da fita dá para perceber a diferença do thriller espanhol. Esta semana, por exemplo, ao assistir “Garota Exemplar”, de David Fincher, estrelado por Ben Affleck, notei como a estética espanhola é mais pesada, os diálogos são mais naturalistas. Resumindo: “El Cuerpo” é melhor e mais surpreendente.

5º O Quarto Secreto
Algo já reconhecido por todos é como o cinema espanhol é capaz de criar argumentos originais. Encontra-se das mais diversas situações. Em “O Quarto Secreto” (“La Cara Oculta”, no título original) um músico espanhol se muda para a Colômbia com a sua esposa. O que só ela sabe é que na casa, construída por um nazista foragido, há um quarto secreto.  

Sem revelar mais do enredo para não estragar surpresas, o filme deixa qualquer um aflito com o desenrolar dos acontecimentos. Embora a obra acabe tendo momentos irregulares, o conjunto é bastante positivo devido à originalidade apresentada.


4º Sombras de Goya
Embora feito em parceria com os Estados Unidos e falado originalmente em inglês, por uma questão comercial, “Sombras de Goya” (Los Fantasmas de Goya) é um filme predominantemente espanhol, pois trata de ser uma homenagem ao famoso pintor, além de abordar a guerra e Inquisição Espanhola. Conheci o título pesquisando justamente sobre inquisição, tema pelo qual tenho interesse desde Xica da Silva, interesse este mantido pelas minhas visitas a museus do gênero, como o de Córdoba e o da tortura em Amsterdam.

Voltando a produção estrelada pelos oscarizados, Javier Barden (interpretando um inquisidor dos mais cruéis) e Natalie Portman, temos uma trama intensa, rocambolesca e histórica. Antes muito difícil de encontrar no Brasil, tanto que acabei comprando por 5 euros na FNAC de Madrid, hoje você pode assistir facilmente no youtube. E para facilitar ainda mais, é só apertar o play abaixo.


3º Blancanieves
 
Muitos antes de Hollywood começar com a mania de fazer releituras de contos de fadas e também antes de “O Artista”, o diretor Pablo Berger já estava a voltas com o projeto “Blancanieves”, uma versão muda e em preto-e-branco de Branca de Neve e Os Sete Anões, na qual a princesa aqui é filha de um toreiro famoso da Andalucía. 

Berger lutou por muitos anos para conseguir investimentos. Tinha na cabeça que o filme deveria ser mudo e sem cor, o que obviamente não agradava aos produtores. Após muito bater o pé e conseguir a duras penas o dinheiro que necessitava, lançou por fim em 2012 sua versão que dá um banho em todas estas últimas porcarias lançadas pela Disney. 

Não é por ser cult, ou diferente que a “Blancanieves” de Berger foi um sucesso de crítica e de público. Ganhou muitos prêmios (10 Goyas) e foi a indicada do país ao Oscar. A película é boa porque tem o ritmo certo, uma direção de arte de encher os olhos, trilha sonora bem sintonizada, ângulos cativantes... É um primor que não faz falta que o espectador entenda de cinema para apreciar. Mas para aqueles que gostam de se aprofundar, indico o artigo da pesquisadora Ana Maria (p. 445), apresentado no congresso internacional de Salamanca, no qual também estive com a minha dissertação sobre Dom Casmurro e Capitu (p. 576). Segue o link: http://www.cebusal.es/download/publicaciones/Actas_online_II_Congreso_Cine_Salamanca%20sin%20hiperv%C3%ADnculos.pdf

2º A Vida Secreta das Palavras


Embora espanhol, “A Vida Secreta das Palavras” é falado em inglês, mas isto não se deve a uma escolha comercial, pelo contrário, o filme é o mais difícil da lista devido ao seu tema indigesto e ao ritmo lento. 

Quando Hanna, uma jovem de 30 anos extremamente introspectiva, tira férias forçadas de seu emprego, ela arranja um trabalho temporário como enfermeira numa plataforma de petróleo para cuidar de um funcionário acidentado, personagem este vivido por Tim Robbins.

Com este nome de peso no elenco, pode-se imaginar que não se trata de um projeto qualquer. O filme tem uma virada que faz com que a falta de diálogos, o silêncio e os tempos-mortos ganhem sentido. Não daria para contar esta história de outro jeito. Forte, emocionante e inspirador.

1º Os Filmes de Pedro Almodóvar

Ícone máximo do cinema espanhol, Pedro Almodóvar faz por onde. Com certeza é o diretor que melhor consegue captar as particularidades do seu povo tão apaixonado, maluco, incoerente, simpático... Não irei indicar nenhum filme em especial dele, pois já falei de todos aqui no blog. Então você pode escolher desde “Os Amantes Passageiros”, sua última comédia; “Volver”, seu drama mais contido; a qualquer um de sua excelente filmografia

De início pode haver estranhamento, mas não pense que o diretor foge da realidade. Somente após viver com uma autêntica família espanhola em Sevilla que pude constatar como as histórias almodovarianas são verdadeiras. 

Procurando no google, aluguei um quarto numa casa em que a empregada era uma boliviana ilegal, noiva de um pedreiro nativo, o qual a dona da casa não suportava, mas mesmo assim, era só a dona e seu irmão surdo-mudo saírem, para o noivo aparecer e almoçar na frente da matriarca, uma senhora ocsagenária que estava há 14 anos em estado vegetativo e foi só eu ir embora da casa, que três dias depois ela morreu. Tem coisa mais Almodóvar do que isso? Me lembra até um dos filmes que mais gosto do diretor: Atá-me! Inclusive, saudades do dia em que eu e a dona colocamos a seguinte cena no youtube e ficamos cantando.



0 comentários:

Postar um comentário

Deixe seu comentário.