domingo, 13 de julho de 2014

Relato de Viagem - Bélgica - Bruxelas: Capital da União

Chuva e frio em Bruxelas
Após ir embora de Barcelona, cidade conhecida pelo seu clima quente e pela boa hospitalidade espanhola, peguei o avião da Ryanair rumo à Bruxelas já imaginando que as coisas seriam bem diferentes. Só foi aterrissar no aeroporto de Zaventem, que fica a 16 km do centro, para achar que eu estava certo. 

Ao contrário da Espanha, o céu da Bélgica estava mais carregado que terreiro de macumba. Chovia e fazia um frio que há muito tempo não sentia. Para piorar, o avião havia parado a uns 500 metros do aeroporto, o que foi um trajeto quase interminável para quem estava pouco agasalhado.

Assim que cheguei, fui logo procurar a esteira, mas não encontrava de jeito nenhum. Usei do meu inglês macarrônico e perguntei aos seguranças: “Bagage”. Eles apontavam uma direção, eu andava, mas não via nada. Começou a me bater um desespero porque eu não encontrava a esteira de jeito nenhum. Só então, eu percebi que havia umas placas com o desenho da bagagem e a segui. A questão é a seguinte: a esteira ficava a quilômetros de distância. Nunca vi uma retirada tão longe na minha vida.

Em busca da casa.
Assim que peguei a mala e finalmente alcancei o desambarque, já avistei uma máquina para comprar o bilhete do transporte público. Em Zaventem, há trens que ligam ao centro, mas como minha hospedagem ficava no bairro residencial Schaerbeek, a melhor opção seria pegar o ônibus 12. O bilhete custou 4 euros. O ponto do ônibus ficava logo embaixo das escadas, com linhas também para outras cidades como Antuérpia.

Fiquei com muito medo de não descer na parada exata, mas na Bélgica, os ônibus possuem uma painel, assim como no metrô, anunciando o nome de cada parada. Se tivesse isso em São Paulo, seria uma mão na roda.

A parada ficava 1,2 km da minha hospedagem, a qual havia contratado pelo AIRBNB. Levei um mapa impresso comigo, fui arrastando as malas e achei a casa com um pouco de dificuldade, porque as ruas eram muito parecidas. Por 30 euros, isso porque os preços em Bruxelas são elevados, fiquei na casa de uma família que mais parecia a casa do Ri Tim Tim. Apesar de não estar próxima ao centro, a casa estava numa zona muito segura e bem comunicada com transportes. Deixo o link a quem possa interessar: https://www.airbnb.com.br/rooms/966899.

Por falar em Ri Tim Tim, o personagem é realmente muito querido por lá.

Pinturas de Ri Tim Tim pelas ruas.

Para chegar ao centro, para variar, me perdi um pouco, mas enfim peguei o ônibus certo, graças a um senhor, que mesmo tomando chuva, fez questão de me explicar, fazendo mímica, qual transporte eu deveria pegar. Deu certo.

Desci na Estação Central que mais parecia um refúgio de drogados, bêbados e desdentados. Por fala nisso, queria saber por que em Bruxelas existe tanta gente sem dente. Deve ter alguma explicação antropológica. Mesmo sem mapa, fui andando, a fim de procurar algo para comer. Foi então que provei a primeira comida belga: um cachorro-quente com uma baguete enorme, com uma salsicha de frango frita e com batatas gigantes. Minha mandíbula quase se deslocou, ainda mais que tive que comer em pé, debaixo de um para-toldo, pois chovia a cântaros. O típico farofeiro na Europa.

Comida de mochileiro. 4 euros.

Devido ao clima e a tanta dificuldade, eu já estava pegando cisma de Bruxelas, até que cheguei na Grand Place e meus olhos se arreagalaram. As fotos não conseguem fazer juz à beleza da Praça.

Bruxelas
Grand Place.

Detalhes em ouro.

Prefeitura negra em estilo gótico.
 Continuei andando pelo centro e fiquei em cantado com tanta beleza. O clima chuvoso e frio, agora dava um tom complementar, passava a ser parte indispensável do passeio. Comi Waffer com chocolate, comprei chocolate, provei chocolate, admirei chocolate. Viveria em Bruxelas só por causa do chocolate.

Cabeças de chocolate.

Chocolate para beber.

Chocolate no palito.

Fábrica de Waffer.

Ao final do dia, eu já estava apaixonado por Bruxelas e a admiração aumentou ainda mais no caminho de casa, quando no ponto de ônibus conheci uma moça, da qual comentei em outro post. Um encontro marcante. Percebi que a cidade podia ser fria na temperatura, mas que a hospitalidade era tão quente quanto a de Barcelona ou a de Munique.

No segundo dia, ainda com muito frio, tomei um tram (bondinho) e desci no Atomium. É interessante vê-lo, mas não senti a mesma empolgação para pagar 11 euros, afinal tinha uma viagem longa pela frente. Também, embora tenha ficado tentado, não paguei os 12 euros da mini-europa. O combo das tuas atrações sai por 18,70. 

Atomium.

Rapel.

Espelhos do Átomo.

De lá, fui andando meio perdido, tentando encontrar as Estufas Reais de Laeken, o que eu não sabia bem do que se tratava, mas não custava averiguar. A estufa fica ao lado do palácio real, onde vive a atual rainha da Bélgica.

Palácio da Rainha.
Com uma entrada que custou apenas 2,50, não esperava grande coisa, mas para a minha surpresa e felicidade, as estufas na primavera pode ser considerada um dos pontos turísticos mais bonitos da Europa, sem exagero. É um cenário surreal que emociona e encanta até mesmo que não é apaixonado por flores ou por botânica. Vejam as fotos que falam por si só.

 
A estufa do alto. Foto tirada do cartão postal.

Por fora.

Por dentro.

Primavera.

Túnel de flores.

Bucólico.

Caminho verde.

Minha foto preferida.

Após passar mais de duas horas contemplando esta beleza sem igual, tive que me organizar para chegar ao bairro dos Imigrantes, onde iria à igreja me encontrar com amigos brasileiros, encontro do qual também já comentei em outro post.

Não tirei nenhuma foto do bairro dos imigrantes porque fiquei com medo. A impressão que eu tive é que estava no Iraque com aqueles mercados com fachadas escritas em outros alfabetos. O bairro é sujo e não inspira confiança. Em todo o caso, valeu a experiência de ter visto algo assim. Achei impactante.

Na hora de voltar, para variar, me perdi, pois desci numa estação de metrô muito grande e não sabia em qual das saídas eu deveria pegar o ônibus. Perguntei para uma moça: “Bus 87?”. A menina simplesmente saiu da rota dela, deixou tudo o que estava fazendo e disse: “Folowme”. Atravessou toda a enorme estação, subiu escada rolante, escada fixa, atravessou um semáforo, chegou ao ponto me mostrando o número 87 e como se não bastasse, ainda contou quantas paradas tinha até a minha. Eu fiquei sem saber o que dizer, até me emocionei em ver tanta disponibilidade e boa vontade sem pedir nada em troca.

De repente, começou a fazer bastante sentido que sendo Bruxelas a Capital da União Europeia, o povo em que nela viva tenha aprendido a conviver em coletividade, mais do que isso, tenha absorvido o que é alteridade, pois não foi apenas com este exemplo que pude constatar isto, notei de modo geral, como há um respeito entre as inúmeras nacionalidades que lá existem, como se fossem um só, da mesma maneira que a União Europeia é uma, porém composta por muitas, e isso que talvez a faça forte.

Lamentavelmente, houve um dia que fez tanto frio, que deixei de conhecer muitos outros pontos turísticos. No entanto, Bruxelas é tão rica, que até mesmo uma despretensiosa caminhada no bairro em que estava, foi o suficiente para aproveitar o dia.
Da janela do meu quarto.

Ruas de Schaerbeek.
Poderia ainda contar da caixa de remédio e do jantar que a mãe da casa em que estava me deu, sem me cobrar nada. Da pizzaria que me devolveu metade do dinheiro porque eu disse, após ter comido a pizza inteira, que esta estaria mais gostosa sem champeon. A cultura nessa cidade é bem diferente de Roma, por exemplo, que vê o turista como alguém que pode ser sugado, ou como um estrangeiro que veio sugar.

No próximo post, contarei meu bate-volta à Bruges, a chamada: Veneza do Norte.  

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