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| Chuva e frio em Bruxelas |
Após ir embora de
Barcelona, cidade conhecida pelo seu clima quente e pela boa hospitalidade espanhola
, peguei o
avião da Ryanair rumo à Bruxelas já imaginando que as coisas seriam bem
diferentes. Só foi aterrissar no aeroporto de Zaventem, que fica a 16 km do
centro, para achar que eu estava certo.
Ao contrário da Espanha, o céu da
Bélgica estava mais carregado que terreiro de macumba. Chovia e fazia um frio
que há muito tempo não sentia. Para piorar, o avião havia parado a uns 500
metros do aeroporto, o que foi um trajeto quase interminável para quem estava
pouco agasalhado.
Assim que cheguei, fui logo procurar a
esteira, mas não encontrava de jeito nenhum. Usei do meu inglês macarrônico e
perguntei aos seguranças: “Bagage”. Eles apontavam uma direção, eu andava, mas
não via nada. Começou a me bater um desespero porque eu não encontrava a
esteira de jeito nenhum. Só então, eu percebi que havia umas placas com o desenho
da bagagem e a segui. A questão é a seguinte: a esteira ficava a quilômetros de
distância. Nunca vi uma retirada tão longe na minha vida.
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| Em busca da casa. |
Assim que peguei a mala e finalmente alcancei
o desambarque, já avistei uma máquina para comprar o bilhete do transporte
público. Em Zaventem, há trens que ligam ao centro, mas como minha hospedagem ficava
no bairro residencial Schaerbeek, a melhor opção seria pegar o ônibus 12. O
bilhete custou 4 euros. O ponto do ônibus ficava logo embaixo das escadas, com
linhas também para outras cidades como Antuérpia.
Fiquei com muito medo de não descer na
parada exata, mas na Bélgica, os ônibus possuem uma painel, assim como no
metrô, anunciando o nome de cada parada. Se tivesse isso em São Paulo, seria
uma mão na roda.
A parada ficava 1,2 km da minha
hospedagem, a qual havia contratado pelo AIRBNB. Levei um mapa impresso comigo,
fui arrastando as malas e achei a casa com um pouco de dificuldade, porque as
ruas eram muito parecidas. Por 30 euros, isso porque os preços em Bruxelas
são elevados, fiquei na casa de uma família que mais parecia a casa do Ri Tim
Tim. Apesar de não estar próxima ao centro, a casa estava numa zona muito
segura e bem comunicada com transportes. Deixo o link a quem possa interessar: https://www.airbnb.com.br/rooms/966899.
Por falar em Ri Tim Tim, o personagem é
realmente muito querido por lá.
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| Pinturas de Ri Tim Tim pelas ruas. |
Para chegar ao centro, para variar, me
perdi um pouco, mas enfim peguei o ônibus certo, graças a um senhor, que mesmo
tomando chuva, fez questão de me explicar, fazendo mímica, qual transporte eu
deveria pegar. Deu certo.
Desci na Estação Central que mais
parecia um refúgio de drogados, bêbados e desdentados. Por fala nisso, queria
saber por que em Bruxelas existe tanta gente sem dente. Deve ter alguma
explicação antropológica. Mesmo sem mapa, fui andando, a fim de procurar algo
para comer. Foi então que provei a primeira comida belga: um cachorro-quente
com uma baguete enorme, com uma salsicha de frango frita e com batatas gigantes.
Minha mandíbula quase se deslocou, ainda mais que tive que comer em pé, debaixo
de um para-toldo, pois chovia a cântaros. O típico farofeiro na Europa.
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| Comida de mochileiro. 4 euros. |
Devido ao clima e a tanta dificuldade,
eu já estava pegando cisma de Bruxelas, até que cheguei na Grand Place e meus
olhos se arreagalaram. As fotos não conseguem fazer juz à beleza da Praça.
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| Grand Place. |
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| Detalhes em ouro. |
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| Prefeitura negra em estilo gótico. |
Continuei andando pelo centro e fiquei
em cantado com tanta beleza. O clima chuvoso e frio, agora dava um tom
complementar, passava a ser parte indispensável do passeio. Comi Waffer com
chocolate, comprei chocolate, provei chocolate, admirei chocolate. Viveria em
Bruxelas só por causa do chocolate.
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| Cabeças de chocolate. |
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| Chocolate para beber. |
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| Chocolate no palito. |
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| Fábrica de Waffer. |
Ao final do dia, eu já estava apaixonado
por Bruxelas e a admiração aumentou ainda mais no caminho de casa, quando no
ponto de ônibus conheci uma moça, da qual comentei em outro post. Um encontro
marcante. Percebi que a cidade podia ser fria na temperatura, mas que a
hospitalidade era tão quente quanto a de Barcelona ou a de Munique.
No segundo dia, ainda com muito frio,
tomei um tram (bondinho) e desci no Atomium. É interessante vê-lo, mas não
senti a mesma empolgação para pagar 11 euros, afinal tinha uma viagem longa
pela frente. Também, embora tenha ficado tentado, não paguei os 12 euros da
mini-europa. O combo das tuas atrações sai por 18,70.
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| Atomium. |
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| Rapel. |
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| Espelhos do Átomo. |
De lá, fui andando meio perdido,
tentando encontrar as Estufas Reais de Laeken, o que eu não sabia bem do que se
tratava, mas não custava averiguar. A estufa fica ao lado do palácio real,
onde vive a atual rainha da Bélgica.
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| Palácio da Rainha. |
Com uma entrada que custou apenas 2,50,
não esperava grande coisa, mas para a minha surpresa e felicidade, as estufas
na primavera pode ser considerada um dos pontos turísticos mais bonitos da
Europa, sem exagero. É um cenário surreal que emociona e encanta até mesmo que
não é apaixonado por flores ou por botânica. Vejam as fotos que falam por si
só.
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| A estufa do alto. Foto tirada do cartão postal. |
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| Por fora. |
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| Por dentro. |
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| Primavera. |
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| Túnel de flores. |
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| Bucólico. |
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| Caminho verde. |
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| Minha foto preferida. |
Não tirei nenhuma foto do bairro dos
imigrantes porque fiquei com medo. A impressão que eu tive é que estava no
Iraque com aqueles mercados com fachadas escritas em outros alfabetos. O bairro
é sujo e não inspira confiança. Em todo o caso, valeu a experiência de ter
visto algo assim. Achei impactante.
Na hora de voltar, para variar, me
perdi, pois desci numa estação de metrô muito grande e não sabia em qual das
saídas eu deveria pegar o ônibus. Perguntei para uma moça: “Bus 87?”. A menina
simplesmente saiu da rota dela, deixou tudo o que estava fazendo e disse: “Folowme”.
Atravessou toda a enorme estação, subiu escada rolante, escada fixa, atravessou
um semáforo, chegou ao ponto me mostrando o número 87 e como se não bastasse,
ainda contou quantas paradas tinha até a minha. Eu fiquei sem saber o que
dizer, até me emocionei em ver tanta disponibilidade e boa vontade sem pedir
nada em troca.
De repente, começou a fazer bastante
sentido que sendo Bruxelas a Capital da União Europeia, o povo em que nela viva
tenha aprendido a conviver em coletividade, mais do que isso, tenha absorvido o
que é alteridade, pois não foi apenas com este exemplo que pude constatar isto,
notei de modo geral, como há um respeito entre as inúmeras nacionalidades que
lá existem, como se fossem um só, da mesma maneira que a União Europeia é uma,
porém composta por muitas, e isso que talvez a faça forte.
Lamentavelmente, houve um dia que fez
tanto frio, que deixei de conhecer muitos outros pontos turísticos. No entanto,
Bruxelas é tão rica, que até mesmo uma despretensiosa caminhada no bairro em
que estava, foi o suficiente para aproveitar o dia.
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| Da janela do meu quarto. |
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| Ruas de Schaerbeek. |
Poderia ainda contar da caixa de remédio
e do jantar que a mãe da casa em que estava me deu, sem me cobrar nada. Da
pizzaria que me devolveu metade do dinheiro porque eu disse, após ter comido a
pizza inteira, que esta estaria mais gostosa sem champeon. A cultura nessa
cidade é bem diferente de Roma, por exemplo, que vê o turista como alguém que
pode ser sugado, ou como um estrangeiro que veio sugar.
No próximo post, contarei meu bate-volta
à Bruges, a chamada: Veneza do Norte.