domingo, 8 de junho de 2014

Dica de Viagem – Como Viajar Sozinho e Não se Sentir Só

Menina solitária
Menina solitária no memorial de Anne Frank em Amsterdã.
Nesse último mês de maior, não postei nada no blog e essa falta de atualização se deve a um mochilão de 30 dias que fiz pela Europa. Como estava sozinho, pensei que em algum momento de tédio escreveria algo, no entanto, a solidão não me deixou entediado em nenhum momento.

Embora estivesse viajando pelo mundo afora, ao total foram 8 países, paradoxalmente, desliguei-me do mundo. Sem um chip universal, só disponibilizava de internet quando estava no quarto. Além do mais, não tenho muita paciência para Whatsapp, Instagram. Meu único contato com o Brasil foram os e-mails diários que mandava para a minha mãe e algumas fotos que postava no Facebook antes de dormir. Nem sequer me dei ao trabalho de ligar para ninguém.

Em teoria, foi a viagem mais solitária da minha vida, mas ao mesmo tempo, foi a que menos me senti sozinho. Acompanhado de si mesmo, você acaba exercitando o autoconhecimento e esta ação lhe permite encontrar respostas para inquietações, aumentar a percepção e o poder de organização espiritual, além de lhe possibilitar conhecer pessoas, as quais não conheceria se estivesse acompanhado.

Muitos manuais aconselham o viajante solitário a se hospedar em Hostels. Já me hospedei em muitos, no Chile, no Perú, na Espanha. Porém, não gosto de dormir com gente desconhecida, mania de quem mora só desde os 15 anos. E quarto privado em hostel já não é tão barato. Uma opção para quem gosta de privacidade e um mínimo de conforto na hora de dormir, sem abrir mão de preço barato e de possibilidade de conhecer outras pessoas, é o Airbnb. Já escrevi sobre esse sistema em que você se hospeda na casa denativos.

Nessa última viagem, fiquei em 10 hospedagens pelo Airbnb. Fazer amizade com o anfitrião é fácil, sem contar que também pode haver mais hóspedes na casa. Outra vantagem, é que diferente de hostels onde você irá conhecer mais turistas, no Airbnb você conhecerá a vida normal dos nativos. Em Barcelona, por exemplo, me hospedei dois dias na casa de Milena, uma colombiana, que vivia há muitos anos na Espanha. Demo-nos tão bem que quando regressei a Barcelona, mesmo não tendo vaga na casa dela, marcamos de nos encontrar para comer uma pizza. Ficamos juntos das 7 à meia-noite e meia.

Eu e Milena na Torre Agbar.
Assim como você, outros turistas também estarão longe de tudo e de todos, com vontade de conversar, trocar informações e experiências de viagem. No trem de Dresden para Praga, conheci um casal de Belém do Pará, que mesmo estando em lua-de-mel, queria se relacionar amistosamente. No trem de Praga para Viena, sentou do meu lado uma brasileira que fazia o mesmo roteiro que eu.Passamos às 4 horas do percurso conversando. Talvez por sermos desconhecidos, falamos de coisas que não contaríamos aos mais próximos. Foi uma terapia para os dois. 

Como brasileiro tem em todo lugar, ao menos uma conversa rápida com um, você acabará tendo. Foi o que aconteceu em Praga, quando pedindo informação conheci três professoras do Ceará. Até pedindo para alguém tirar uma foto sua, você faz uma amizade rápida de viagem.

Eu e as professoras cearenses em Praga.
Mas não é apenas brasileiros que cruzará o seu caminho. No ponto de ônibus em Bruxelas, fui pedir informação a uma moça e mesmo não falando a mesma língua, demo-nos tão bem, que ela me convidou para sair. E por coincidência, eu estava hospedado próximo da casa dela.

Eu e Simona em frente a casa dela.
O mundo também é pequeno. Ainda em Bruxelas, encontrei-me com Brisa, com quem fazia peças teatrais na Bahia. Você pode conferir uma dessas peças clicando aqui. Ela casou com um pastor que foi fazer uma semana de oração na igreja de brasileiros e lá nos vimos.

Eu e Brisa em Bruxelas.
 Já em Amsterdã, encontrei-me com Maria Helena no Parque Keukenhof. Conheci-a em Cusco em 2012, nós dois estávamos sozinhos. Em 2013 passei alguns dias em sua casa na Suíça e novamente nos reencontramos, passando um dia agradável na Holanda. 

Eu e Maria Helena no Keukenhof.
Em Berlim, reencontrei Munique, de quem já falei aqui no post sobre Albufeira e também no Entrevista na Alfândega Especial, no qual ela fez um desabafo sobre como é morar na Europa.

Eu e Munique tentando pular o Muro de Berlin.
Já em Budapest, mesmo sem combinar nada, hospedei-me a duas ruas de onde mora Israel Neto, um estudante brasileiro que entrevistei aqui no blog. Veja como é o mundo.

Neto e eu frente ao Parlamento de Budapest.
No mais, para não sentir solidão, levei as músicas que gosto no mp3, baixei as séries que acompanho, passei o voo da Ryanair vendo Games Of Thrones. Observei e aproveitei cada lugar em que fui e quando dei por mim, infelizmente, a viagem já tinha acabado.

Viaje sozinho e aprenda a desfrutar de sua própria companhia. Verás pelo caminho que a solidão não existe.

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