terça-feira, 15 de abril de 2014

Meu Mestrado - A Qualificação

A mureta
Mureta da PUC-SP.
Não importa o quão ruim está a sua vida de mestrando, ela sempre pode piorar, principalmente, quando é chegado o momento da qualificação. Depois de meses quebrando a cabeça com uma dissertação que parece não ter fim, o pobre pesquisador precisa entregar parte do que escreveu para a banca dizer o que pode continuar e o que deve ser refeito.

A orientadora quer que você entregue 80% da dissertação concluída quando você mal tem 40%. O prazo está curto, a confiança também. A qualificação é adiada, já não se sabe se é bom marcar três meses antes da defesa ou faltando apenas dois. A professora convidada pode ser de uma corrente contrária. Enfim, a data é marcada, o memorial é entregue e a mente é abalada.

Já não há o que fazer, agora é esperar 15 dias para a banca ler e torcer para que o resultado não seja trágico.  No dia marcado, lá vai você ficar na cabeceira de uma mesa composta por três monstros acadêmicos que devoraram seus escritos e que, portanto, têm muita coisa a dizer.

A orientadora começa agradecendo aos demais professores. A fala agora é a do doutor convidado. O aluno tenta interpretar a expressão para adivinhar o tipo de discurso que vem por lá. Primeiro, um elogio aqui, outro acolá, para depois a metralhadora cantar tá tá tá tá. “Gostei disso, mas não entendi isso, deveria se aprofundar nisso, apagar aquilo, cortar o Eliot, acrescentar Tolstói...”. E por uma hora e meia segue o professor rasgando o texto que você bordou com atenção cirúrgica.

Mas ainda não acabou, tem mais um professor para assoprar e depois morder por horas, até você se desconcentrar e pensar no episódio de The Walking Dead que já está na rede legendado para baixar. Reflete também como seria bom se houvesse legenda no discurso extenso do professor. Vem então uma crítica pesada e você se liga, discorda, tenta argumentar, mas faltam diploma e coragem para bater o pé. Cadê a orientadora para me defender?

De repente, os professores se mostram contrários e a briga passa ser entre gente grande. A orientadora fica com os panos quentes, os outros professores com o barraco e o aluno fica no meio do fogo cruzado. Passa mais tempo, raiva, cansaço e depois de 4 horas o mestrando é convidado a se retirar para que a banca possa conversar e julgar se ele está aprovado na qualificação e assim seguir para a defesa.

São de 15 a 20 minutos de espera e se tiver sorte volta para receber a aprovação contendo a assinatura dos professores e também as correções que devem ser feitas na dissertação. O alívio só não dura mais que 2 minutos porque saindo dali a data do depósito lhe espera. Mais cadeira. Fuja da mureta.

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