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| Mureta da PUC-SP. |
Não importa o quão ruim está a sua vida de mestrando, ela sempre pode piorar, principalmente, quando é chegado o
momento da qualificação. Depois de meses quebrando a cabeça com uma dissertação
que parece não ter fim, o pobre pesquisador precisa entregar parte do que
escreveu para a banca dizer o que pode continuar e o que deve ser refeito.
A orientadora quer que você entregue 80%
da dissertação concluída quando você mal tem 40%. O prazo está curto, a
confiança também. A qualificação é adiada, já não se sabe se é bom marcar três
meses antes da defesa ou faltando apenas dois. A professora convidada pode ser
de uma corrente contrária. Enfim, a data é marcada, o memorial é entregue e a mente
é abalada.
Já não há o que fazer, agora é esperar
15 dias para a banca ler e torcer para que o resultado não seja trágico. No dia marcado, lá vai você ficar na
cabeceira de uma mesa composta por três monstros acadêmicos que devoraram seus
escritos e que, portanto, têm muita coisa a dizer.
A orientadora começa agradecendo aos
demais professores. A fala agora é a do doutor convidado. O aluno tenta
interpretar a expressão para adivinhar o tipo de discurso que vem por lá.
Primeiro, um elogio aqui, outro acolá, para depois a metralhadora cantar tá tá
tá tá. “Gostei disso, mas não entendi isso, deveria se aprofundar nisso, apagar
aquilo, cortar o Eliot, acrescentar Tolstói...”. E por uma hora e meia segue o
professor rasgando o texto que você bordou com atenção cirúrgica.
Mas ainda não acabou, tem mais um
professor para assoprar e depois morder por horas, até você se desconcentrar e pensar
no episódio de The Walking Dead que já está na rede legendado para baixar.
Reflete também como seria bom se houvesse legenda no discurso extenso do professor.
Vem então uma crítica pesada e você se liga, discorda, tenta argumentar, mas
faltam diploma e coragem para bater o pé. Cadê a orientadora para me defender?
De repente, os professores se mostram
contrários e a briga passa ser entre gente grande. A orientadora fica com os
panos quentes, os outros professores com o barraco e o aluno fica no meio do fogo
cruzado. Passa mais tempo, raiva, cansaço e depois de 4 horas o mestrando é
convidado a se retirar para que a banca possa conversar e julgar se ele está
aprovado na qualificação e assim seguir para a defesa.
São de 15 a 20 minutos de espera e se
tiver sorte volta para receber a aprovação contendo a assinatura dos
professores e também as correções que devem ser feitas na dissertação. O alívio
só não dura mais que 2 minutos porque saindo dali a data do depósito lhe
espera. Mais cadeira. Fuja da mureta.




