Com um título pouco chamativo e um protagonista mais conhecido por comédias românticas, "Clube de Compras Dallas" (Dallas Buyers Club)
é um desses filmes singulares que muitos podem deixar de ver por culpa do
paratexto. Realista, crítico e envolvente, este drama faz jus às 6 indicações
recebidas ao Oscar.
Diferente do que inicialmente pode
parecer, não se trata de uma história sobre cowboys e rodeios. Ron é um eletricista
que vive o esteriótipo do texano: machista, beberrão, mulherengo e xucro. Ao
descobri que tem AIDS e apenas 30 dias de vida, ele passa a buscar por remédios
ilegais nos Estados Unidos contra a doença. Nessa jornada, vê-se então obrigado
a conviver com portadores HIV homossexuais, pessoas que sempre desprezou.
A partir deste argumento, cria-se uma
série de temas que vão sendo abordados de maneira coerente e fluída: sobrevivência,
drogas, preconceito, indústria farmacêutica, leis, amizade, sexo... E tudo isto
mesclado ao contexto socioeconômico da década de 80 no Texas. E para melhorar,
soma-se à elaboração impecável do roteiro, interpretações arrebatadoras.
Depois do papel de Ron Woodroof, o ator Matthew
McConaughey dificilmente será associado a bobagens cinematográficas. Sua
atuação em “Dallas Buyers Club” comprou de vez seu passaporte para o posto dos
grandes astros. Mais do que emagrecer consideravelmente para dar veracidade ao
personagem, Matthew soube vestir a pele de um tipo comum, expressando emoções
intensas e inesperadas, ao mesmo tempo que condizentes e críveis. Não é para
qualquer um.
E como um verdadeiro filme não se limita
ao roteiro e ao protagonista, o coadjuvante Jared Leto endossa a qualidade
dramatúrgica da produção. Irreconhecível e entregue, Jared comprova seu talento
nato. As cenas em que divide ao lado de Matthew, preenchem a tela. Não à toa, ambos
ganharam o Globo de Ouro em suas respectivas categorias. E é provável que o
mesmo ocorra no Oscar.
![]() |
| Jared e Matthew em cena. |
Pelo rico conjunto de roteiro, estilo, interpretações
e quadros, é lamentável que Jean-Marc Vallée não esteja concorrendo como Melhor
Diretor. Sua vaga parece ter sido – injustamente - ocupada por David Russell, pelo
filme “Trapaça”. Mas o importante é que Vallée seja prestigiado, afinal, não é
todo dia que temos na vitrine uma drama tão valioso quanto este. Pode comprar.




