Enfim saiu a lista oficial dos indicados ao Oscar 2014 e o filme "12 Anos de Escravidão" concorre em 9 categorias. A história verídica do músico negro que
foi sequestrado e vendido como escravo é impressionante. Somente este argumento
já seria o suficiente para que o filme chamasse atenção. Porém, o diretor Steven
McQueen vai além e conta essa narrativa de um modo bastante diferente do
esperado para uma produção norte-americana.
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| Cartaz do filme. |
Cheio de silêncio e impregnado de
pessimismo, o filme chega a incomodar a quem espera por uma solução mais glamorosa.
Tudo acontece no seco, até mesmo os momentos de felicidades são comedidos para
que o espectador não caia na tentação de exibir um sorriso que seja. Há também
muitos planos abertos e longos a fim de imprimir naturalismo.
No entanto, apesar do esforço em fugir
do otimismo frequente que existe em produções desse gênero, há detalhes que
destoam da proposta. A bela fotografia, por exemplo, dá uma sensação de leveza
e limpeza que não condiz com o sofrimento apresentado. Talvez esse paradoxo
tenha sido proposital, mas ainda assim, parece não ter funcionado.
Além da direção engajada, as
interpretações também merecem destaque. Chiwetel
Ejiofor está
seguro na função de protagonista, tanto é, que concorre como Melhor Ator. Mas verdade
seja dita: Tom Hanks, que não foi indicado, merecia esta vaga, afinal, sua
atuação em “Capitão Phillips” é superior. Quem realmente brilha no elenco é o antagonista
vivido por Michael Fassbender. Há chances reais dele levar
o prêmio de Melhor Ator Coadjuvante. Seu vilão é um dos personagens mais
sádicos dos últimos anos. Chega a lembrar o nazista Amon Göth, interpretado por
Ralph Fiennes em “A Lista de Schindler”.
“12 Anos de Escravidão” não entrega uma catarse
como faz “Django Livre” e nem esperança como em “O Mordomo da Casa Branca”
(esnobado injustamente pelo Oscar), mas cumpre sua função de mostrar um triste
episódio da humanidade que precisa ser revisitado para não ser esquecido e
muito menos repetido.




