O holocausto judeu promovido por Hitler é bastante conhecido e comentado até hoje, um dos motivos para isto é a imensa quantidade de filmes feitos sobre este lamentável
episódio (veja uma lista clicando aqui). Porém, chamou-me a atenção que um
genocídio bem mais recente seja praticamente desconhecido e também muito menos
retratado no cinema. Estou falando do extermínio de 1 milhão de pessoas que
aconteceu em Ruanda no mês de abril de 1994.
Neste pequeno e pobre país da África,
vivem duas tribos: os tutsis e os hutus. Após a colonização da Bélgica, o ódio
entre esses dois povos aumentou. Para amenizar os atritos, foi feito um acordo
de paz intermediado pela ONU, que inclusive deixou soldados no país para que a
tal paz fosse mantida. Acontece que os hutus quebraram o acordo e, na surdina,
importaram milhares de facões da China para matarem os tutsis.
Se não bastasse o rio de sangue, o
genocídio também ficou marcado pela covardia da ONU e das potências mundiais
que não impediram a matança, pelo contrário. Ruanda não tem petróleo e nenhuma
outra riqueza de interesse, assim sendo, nenhuma nação quis intervir e até
mesmo os soldados da ONU foram ordenados a se retirar.
Veja 5 filmes revoltantes para
entender o genocídio de Ruanda.
Hotel Ruanda
Esta é a produção mais conhecida sobre o
assunto. E há um porquê. Além de ser bastante instrutivo sobre toda a questão,
o filme tem o mérito de focar no ponto de vista dos nativos. Conta história
verídica de Paul, o gerente do hotel mais requisitado da capital, no qual
centenas de pessoas se refugiaram para escapar da morte.
A atuação de Don Cheadler é mais do que
convincente, é visceral. Devido ao caminho humanista seguido pelo diretor, o
filme é mais brando nas cenas de violência, deixando-a mais sugerida.
Tiros em Ruanda
Tecnicamente, superior ao demais da
lista, “Tiros em Ruanda” não poupa críticas a ONU. A tradução literal de seu
título original seria “Atirando em Cachorros”. Trata-se de uma referência a
ordem que os soldados tinham em não atirar nos hutus, mesmo estes assassinando
os outros na frente deles. Ironicamente, os soldados atiravam apenas nos
cachorros que iam comer os cadáveres espalhados nas ruas.
Há diálogos que expressam com sagacidade
o preconceito racial que impediu que houvesse uma intervenção. No entanto,
apesar de toda crítica, o filme peca por concentrar nos personagens brancos e
deixar em segundo plano o sofrimento das verdadeiras vítimas.
História de um Massacre
Focado nos bastidores do poder,
“História de um Massacre” é quase um complemento do filme anterior. O
personagem principal aqui é o oficial da ONU que está em conflito consigo
mesmo: não sabe se cumpre as ordens ou se desobedece seus superiores para
salvar os tutsis. Não deixa de ser interessante, porém o que é uma crise de
consciência de um canadense perto do sofrimento físico de milhares de
africanos? A impressão que fica é que o martírio psicológico do comandante teve
mais importância do que as vidas perdidas.
Tensão em Ruanda
Entre os refugiados do mesmo hotel
retratado em “Hotel Ruanda” estavam um cineasta e uma funcionária que acabam se
apaixonando. Por ela ser Tutsi, não há como ele conseguir tirá-la do país.
Desse modo, ele vai embora e após alguns meses retorna para saber se ela
continua viva. Mais uma vez, a atenção é dividida entre as verdadeiras vítimas
e um branco com crise de consciência.
Abril Sangrento
Sem dúvida alguma, este é o mais forte e
violento de todos. Feito pela HBO, é centrado apenas nos nativos e conta a
história de dois irmãos hutus que estiveram em lados diferentes no conflito. Os
dois sobreviveram, porém ficaram as mágoas.
É preciso ter estômago para ver até o
fim. Há uma cena em que uma mulher sai do meio de dezenas de corpos. Com
certeza vai te deixar estremecido.
Apesar de ser o mais bárbaro, vale a
pena por mostrar o horror desse genocídio que precisa ser esfregado para que
assim outros possam ser evitados. E digo isto porque há indícios de que tutsis
estão arquitetando sua vingança, dessa maneira, se nada for feito, é possível
que haja um holocausto Hutu, ou seja, continuará o ciclo vicioso de ódio e morte.
Veja um trailer não oficial de “Abril
Sangrento”:








