É divino viver, mas há dias que a decepção nos faz
pensar que vivemos no lixão. É quando um tufão devasta o coração e parece que
só resta sentar à mesa de um bar ouvindo Carminha blasfemar. Faz sentido
acreditar que o ser humano deu errado quando nada dá certo. Culpar Rita é o
caminho mais fácil, difícil é aceitar que a lambança foi feita por nós mesmos.
Quem achávamos o máximo foi desleal, o amor não
chega na vida real e para piorar temos que aguentar às cobranças de Ivana,
sobreviver às fofocas de Zezé. Quando pensamos que alguém chega para ajudar, de
repente nos deparamos com Jaques Wagner esbravejando: “Me serve, Bahia. Me
serve!”. De dominador a dominado. Há
dias que já acordamos derrotados.
Vem a vontade de sumir. Sem se importar com mais
nada mandamos o motorista tocar para o inferno. Afundamos na Barra Funda em
horário de pico. Nem o rico escapa quando o luxo começa a virar lixo. Somos
recolhidos como cacos de vidro, Carminha vai na frente, enquanto o carma parece
nos seguir logo atrás. Com voz aveludada nos entregamos à Senhora Depressão.
Chorando na cama, batendo o carro ou comendo feito
Ágata. Sim, Senhora. Mas é preciso fazer dinheiro, lindo por fora, lixo por
dentro. Ninguém percebe o detrimento. Mãe Lucinda cata os restos do coração.
Reciclagem para a cabeça não explodir com a poluição dos maus pensamentos.
Não queremos tchu, não queremos tchá, na frustração
só queremos apoiar o discurso de Caminha. Vingança e picuinha. O caminhão vai
se distanciando, a garrafa esvaziando. É quase o fim e a dor no rim não passa,
o cotovelo não disfarça. Mais triste que o núcleo do Cadinho. Um completo lixo
de mãos dadas com Carminha no lixão.





