quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Crônica - No Lixão com Carminha


É divino viver, mas há dias que a decepção nos faz pensar que vivemos no lixão. É quando um tufão devasta o coração e parece que só resta sentar à mesa de um bar ouvindo Carminha blasfemar. Faz sentido acreditar que o ser humano deu errado quando nada dá certo. Culpar Rita é o caminho mais fácil, difícil é aceitar que a lambança foi feita por nós mesmos.

Quem achávamos o máximo foi desleal, o amor não chega na vida real e para piorar temos que aguentar às cobranças de Ivana, sobreviver às fofocas de Zezé. Quando pensamos que alguém chega para ajudar, de repente nos deparamos com Jaques Wagner esbravejando: “Me serve, Bahia. Me serve!”.  De dominador a dominado. Há dias que já acordamos derrotados.

Vem a vontade de sumir. Sem se importar com mais nada mandamos o motorista tocar para o inferno. Afundamos na Barra Funda em horário de pico. Nem o rico escapa quando o luxo começa a virar lixo. Somos recolhidos como cacos de vidro, Carminha vai na frente, enquanto o carma parece nos seguir logo atrás. Com voz aveludada nos entregamos à Senhora Depressão.

Chorando na cama, batendo o carro ou comendo feito Ágata. Sim, Senhora. Mas é preciso fazer dinheiro, lindo por fora, lixo por dentro. Ninguém percebe o detrimento. Mãe Lucinda cata os restos do coração. Reciclagem para a cabeça não explodir com a poluição dos maus pensamentos.

Não queremos tchu, não queremos tchá, na frustração só queremos apoiar o discurso de Caminha. Vingança e picuinha. O caminhão vai se distanciando, a garrafa esvaziando. É quase o fim e a dor no rim não passa, o cotovelo não disfarça. Mais triste que o núcleo do Cadinho. Um completo lixo de mãos dadas com Carminha no lixão. 

Mas eis que algo acontece, a expectativa aumenta, é a reviravolta depois de cem pedradas. A felicidade diz: “Oi, oi, oi” e surpreso espero que no próximo capítulo o lixão em mim vire mansão. Congelo sorrindo. 

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