 |
| Em Berna. |
Muita gente pensa que a capital da Suiça é Zurique ou
Genebra, mas não é. Situada no centro do mapa, Berna é a verdadeira capital
do país do chocolate. Como dito nos post
anterior, eu estava hospedado na casa de uma amiga que mora em Neuchâtel, meia
hora de distância de Berna. Ela não poderia ir comigo à capital e fiquei um
pouco receoso de ir sozinho devido ao idioma.
A Suiça é dividida em três partes: a francesa, a italiana e a que fala suíço-alemão. Eu estava na parte francesa,
porém a língua em Berna já se trata do suíço-alemão, do qual eu não sei dizer
sequer o “oi”. Maria Helena me tranquilizou dizendo que Berna era uma cidade
minúscula e que não havia o perigo de me perder. Tomei coragem e comprei a
passagem de ida e volta que custou 37 francos. Bastante cara para um percurso
tão rápido.
Foi a primeira vez que andei nos famosos
trens suíços e a experiência é realmente das melhores, pois as paisagens são
deslumbrantes. Cheguei à Estação de Berna e fiquei um pouco perdido, já que não
entendia as placas. Mas fui andando, sentindo o cheiro de chocolate que está impregnado no local devido às inúmeras lojas do gênero. Vi o sinal de informação
turística, fiz mímica e a atendente entendeu que eu queria um mapa.
Para chegar a rua principal de Berna, a
Marktgasse, basta andar uma quadra e virar a esquerda. A rua é cheia de torres
de relógio, lojas de chocolates, fontes e possui uma arquitetura medieval.
 |
| Relógio suíço. |
 |
| Rua Marktgasse. |
Passei por uma loja de chocolate que
fiquei com água na boca. Lá os chocolates eram vendidos em barras enormes e
você comprava pela quantidade de gramas. Há de todos os sabores e dá vontade de
experimentar todos, embora os preços não sejam dos melhores.
 |
| Loja de chocolates. |
 |
| Quem resiste? |
Continuando pela rua principal, chega-se
a uma das pontes de Berna de onde se pode ter uma visão privilegiada da cidade.
Mais do que isso, dessa ponte também era possível observar os ursos que ficam
ao ar livre. Isto mesmo. Berna possui um zoológico a céu aberto de ursos. Até
porque o urso é o animal símbolo de lá, está inclusive na bandeira municipal. É bastante
agradável ver os ursos atrávez de uma proteção de vidro, inseridos ao lado rio
principal que corta a cidade. Rio este bastante limpo, diga-se de passagem.
 |
| Vista da ponte: o rio da cidade e o zoológico de ursos a céu aberto. |
 |
| Descansando. |
 |
| Posando para os turistas. |
Resolvi ir até o verdadeiro zoológico
que o mapa indicava estar a uns 2 km dali. Fui andando, o clima estava
agradável, em torno de 19 graus, o que para os nativos é como se fosse 30
graus. E como não chovia, todos os moradores pareciam ter tirado o dia para
tomar banho no rio que corta a cidade. Achei isso fora do comum. Os termômetros
marcavam que a água estava com 16 graus, porém ainda assim lá estavam os suíços
se jogando na água em saltos mortais.
 |
| Rafting. |
 |
| Preparando o salto. |
 |
| Banhistas se jogando. |
O caminho para o zoológico pecorria boa
parte do rio e neste trecho algo que me impressionou foram umaas flores brancas
que voavam pela cidade. Parecia uma chuva de maná que cobria todo o céu. Algo
realmente inesquecível.
 |
| Amplie a foto para ver a chuva branca. |
O zoológico era pequeno, porém
agradável. Fiquei por alguns minutos por lá e depois fui embora. Alguns dos
animais ficavam numa parte gratuita, outros ficavam numa parte separada em que
os visitantes tinham que desembolsar 8 francos.
 |
| Flamencos do zoológico. |
Fazendo o percurso de volta, vi que não
era só no rio que os suíços estavam se esbaldando. Havia também uma piscina pública,
à margem direita, de onde além de poder tomar banho de graça, era possível
avistar a catedral, o palácio federal... E o mais impressionante de tudo, era
como o lugar estava limpo, apesar da cheia. A cultura do povo suíço é realmente
invejável. É admirável a consciência de cidadania que eles possuem.
 |
| Piscina pública. |
Voltando à Neuchâtel, comprei um
chocolate na estação e fui comendo durante a viagem de trem. Assim que o trem
partiu, começou a chover.
 |
| Saudade do chocolate. |
No dia seguinte, acordei cedo, arrumei
minhas malas e disse adeus à Maria Helena. Iria passar um dia em Lucerne, de
onde partiria para a Alemanha. O motivo de minha ida à Lucerne era
principalmente o de rever uma amiga de lá que nos conhecemos em 2010 durante um
curso de espanhol em Sevilla. Veja só como é a vida. De mais a mais, também
queria conhecer Lucerne, pois dizem que é uma cidade síntese da Suíça, com
lago, montanha e neve.
Por ser verão, não havia neve na cidade,
mas havia nos picos da montanha e também chovia, como sempre acontece por lá. É
difícil ir à Lucerne e não encontrar chuva. Assim que cheguei à estação, fui
deixar minha mala na hospedagem. Já fiz um post falando como encontrei estadiasbaratas na Europa. Tanto hotéis quanto hostels na Suíça são muito caros, por
isso aluguei um quarto na casa de uma desconhecida através do site Airbnb. Logo
em seguida, fui esperar Marsole no Starbucks que fica ao lado da estação. É
engraçado quando você rever uma pessoa que imaginava que nunca voltaria a ver.
Afinal, não sabia se um dia voltaria à Europa e muito menos que conheceria a
Suíça.
Eu e Marsole conversamos muito e ela foi
me levar para conhecer a cidade. Não há muito o que conhecer. Primeiro passamos
pela ponte e a torre medieval, principal ponto turístico de Lucerne. Marsole me
contou que parte da ponte havia sido queimada e eles a reconstruíram. Também
contou que antes lá era um lugar de tortura, motivo pelo qual foi incendiado.
 |
| Torre e ponte medieval de Lucerne. |
Em seguida, ela me levou para comer num
restaurante indiano. Nunca tinha experimentado uma comida tão apimentada como
aquela. A pimenta era tanta que ela não conseguiu terminar o almoço. Já eu,
como bom baiano, encarei a pimenta e comi o máximo que pude.
 |
| Esquentando com a pimenta. |
Ela me mostrou um hotel que antes fora
uma prisão. Os quartos são celas. Depois me apresentou os murais artísticos nas
fachadas de algumas casas. E também o leão caído que é uma homenagem aos
soldados suíços que morreram numa guerra em que foram ajudar a França.
 |
| Essa tirei do Google, pois a chuva impediu que a minha foto saísse boa. |
 |
| Pintura nas fachadas. |
Passamos numa loja para que eu pudesse
comprar algumas lembranças e foi aí que tive o meu primeiro estresse suíço. Pedi
em inglês e com mímica que à dona da loja me desse um desconto numa camisa, a
dona então começou praticamente a gritar em suíço-alemão. Eu não estava
entendendo nada, mas pelo diálogo inflamado entre ela e Marsole, percebi que
algo estava acontecendo. Marsole então me explicou que a dona estava ofendida
porque eu tinha pedido desconto, pois para ela o preço é o que está na etiqueta
e que ela achava uma ofensa eu ficar pechinchando. Nunca vi isso em nenhum
outro lugar do mundo. Marsole me explicou que alguns vendedores são chatos e retrógrados. Saímos da loja sem levar nada.
 |
| Castelo da colina. |
 |
| Tempo bom para dormir. |
O tempo frio e chuvoso em Lucerne me eu
tanto sono que eu não conseguia mais andar. Pedi à Marsole para a gente
conversar dentro do carro dela e ficamos lá falando da vida, já que não nos
víamos há 3 anos. Depois ela me deixou na minha hospedagem e foi embora para o
povoado dela que ficava a alguns quilômetros.
Eu gostei de Lucerne, mas achoq eu gostei
mais pelo reencontro com Marsole do que propriamente pela cidade. É que lá é
muito pequeno. Em duas horas já dá para conhecer o principal, se não tudo.
Indico Lucerne como um bate-volta desde Berna ou então desde Zurique.
 |
| Eu e Marsole frente à torre do relógio. |
No dia seguinte mais uma vez acordei
cedo e peguei o trem com destino à Munique. No verão, as paisagens vistas são
lindas, imagine no inverno com tudo coberto de neve. Deixei a Suíça, após comer
muito chocolate Lindt e viver muitos momentos inesquecíveis.
 |
| Lago de Lucerne. |