domingo, 22 de dezembro de 2013

Relato de Viagem – Suíça – Berna e Lucerne

Em Berna.
Muita gente pensa que a capital da Suiça é Zurique ou Genebra, mas não é. Situada no centro do mapa, Berna é a verdadeira capital do país do chocolate. Como dito nos post anterior, eu estava hospedado na casa de uma amiga que mora em Neuchâtel, meia hora de distância de Berna. Ela não poderia ir comigo à capital e fiquei um pouco receoso de ir sozinho devido ao idioma.


A Suiça é dividida em três partes: a francesa, a italiana e a que fala suíço-alemão. Eu estava na parte francesa, porém a língua em Berna já se trata do suíço-alemão, do qual eu não sei dizer sequer o “oi”. Maria Helena me tranquilizou dizendo que Berna era uma cidade minúscula e que não havia o perigo de me perder. Tomei coragem e comprei a passagem de ida e volta que custou 37 francos. Bastante cara para um percurso tão rápido.

Foi a primeira vez que andei nos famosos trens suíços e a experiência é realmente das melhores, pois as paisagens são deslumbrantes. Cheguei à Estação de Berna e fiquei um pouco perdido, já que não entendia as placas. Mas fui andando, sentindo o cheiro de chocolate que está impregnado no local devido às inúmeras lojas do gênero. Vi o sinal de informação turística, fiz mímica e a atendente entendeu que eu queria um mapa.

Para chegar a rua principal de Berna, a Marktgasse, basta andar uma quadra e virar a esquerda. A rua é cheia de torres de relógio, lojas de chocolates, fontes e possui uma arquitetura medieval. 

Relógio suíço.

Rua Marktgasse.

Passei por uma loja de chocolate que fiquei com água na boca. Lá os chocolates eram vendidos em barras enormes e você comprava pela quantidade de gramas. Há de todos os sabores e dá vontade de experimentar todos, embora os preços não sejam dos melhores.

Loja de chocolates.

Quem resiste?

Continuando pela rua principal, chega-se a uma das pontes de Berna de onde se pode ter uma visão privilegiada da cidade. Mais do que isso, dessa ponte também era possível observar os ursos que ficam ao ar livre. Isto mesmo. Berna possui um zoológico a céu aberto de ursos. Até porque o urso é o animal símbolo de lá, está inclusive na bandeira municipal. É bastante agradável ver os ursos atrávez de uma proteção de vidro, inseridos ao lado rio principal que corta a cidade. Rio este bastante limpo, diga-se de passagem.

Vista da ponte: o rio da cidade e o zoológico de ursos a céu aberto.

Descansando.

Posando para os turistas.

Resolvi ir até o verdadeiro zoológico que o mapa indicava estar a uns 2 km dali. Fui andando, o clima estava agradável, em torno de 19 graus, o que para os nativos é como se fosse 30 graus. E como não chovia, todos os moradores pareciam ter tirado o dia para tomar banho no rio que corta a cidade. Achei isso fora do comum. Os termômetros marcavam que a água estava com 16 graus, porém ainda assim lá estavam os suíços se jogando na água em saltos mortais.

Rafting.

Preparando o salto.

Banhistas se jogando.
O caminho para o zoológico pecorria boa parte do rio e neste trecho algo que me impressionou foram umaas flores brancas que voavam pela cidade. Parecia uma chuva de maná que cobria todo o céu. Algo realmente inesquecível.

Amplie a foto para ver a chuva branca.

O zoológico era pequeno, porém agradável. Fiquei por alguns minutos por lá e depois fui embora. Alguns dos animais ficavam numa parte gratuita, outros ficavam numa parte separada em que os visitantes tinham que desembolsar 8 francos.

Flamencos do zoológico.

Fazendo o percurso de volta, vi que não era só no rio que os suíços estavam se esbaldando. Havia também uma piscina pública, à margem direita, de onde além de poder tomar banho de graça, era possível avistar a catedral, o palácio federal... E o mais impressionante de tudo, era como o lugar estava limpo, apesar da cheia. A cultura do povo suíço é realmente invejável. É admirável a consciência de cidadania que eles possuem.

Piscina pública.
Voltando à Neuchâtel, comprei um chocolate na estação e fui comendo durante a viagem de trem. Assim que o trem partiu, começou a chover. 

Saudade do chocolate.
No dia seguinte, acordei cedo, arrumei minhas malas e disse adeus à Maria Helena. Iria passar um dia em Lucerne, de onde partiria para a Alemanha. O motivo de minha ida à Lucerne era principalmente o de rever uma amiga de lá que nos conhecemos em 2010 durante um curso de espanhol em Sevilla. Veja só como é a vida. De mais a mais, também queria conhecer Lucerne, pois dizem que é uma cidade síntese da Suíça, com lago, montanha e neve.

Por ser verão, não havia neve na cidade, mas havia nos picos da montanha e também chovia, como sempre acontece por lá. É difícil ir à Lucerne e não encontrar chuva. Assim que cheguei à estação, fui deixar minha mala na hospedagem. Já fiz um post falando como encontrei estadiasbaratas na Europa. Tanto hotéis quanto hostels na Suíça são muito caros, por isso aluguei um quarto na casa de uma desconhecida através do site Airbnb. Logo em seguida, fui esperar Marsole no Starbucks que fica ao lado da estação. É engraçado quando você rever uma pessoa que imaginava que nunca voltaria a ver. Afinal, não sabia se um dia voltaria à Europa e muito menos que conheceria a Suíça.

Eu e Marsole conversamos muito e ela foi me levar para conhecer a cidade. Não há muito o que conhecer. Primeiro passamos pela ponte e a torre medieval, principal ponto turístico de Lucerne. Marsole me contou que parte da ponte havia sido queimada e eles a reconstruíram. Também contou que antes lá era um lugar de tortura, motivo pelo qual foi incendiado. 

Torre e ponte medieval de Lucerne.
Em seguida, ela me levou para comer num restaurante indiano. Nunca tinha experimentado uma comida tão apimentada como aquela. A pimenta era tanta que ela não conseguiu terminar o almoço. Já eu, como bom baiano, encarei a pimenta e comi o máximo que pude.

Esquentando com a pimenta.
Ela me mostrou um hotel que antes fora uma prisão. Os quartos são celas. Depois me apresentou os murais artísticos nas fachadas de algumas casas. E também o leão caído que é uma homenagem aos soldados suíços que morreram numa guerra em que foram ajudar a França. 


Essa tirei do Google, pois a chuva impediu que a minha foto saísse boa.

Pintura nas fachadas.

Passamos numa loja para que eu pudesse comprar algumas lembranças e foi aí que tive o meu primeiro estresse suíço. Pedi em inglês e com mímica que à dona da loja me desse um desconto numa camisa, a dona então começou praticamente a gritar em suíço-alemão. Eu não estava entendendo nada, mas pelo diálogo inflamado entre ela e Marsole, percebi que algo estava acontecendo. Marsole então me explicou que a dona estava ofendida porque eu tinha pedido desconto, pois para ela o preço é o que está na etiqueta e que ela achava uma ofensa eu ficar pechinchando. Nunca vi isso em nenhum outro lugar do mundo. Marsole me explicou que alguns vendedores são chatos e retrógrados. Saímos da loja sem levar nada.

Castelo da colina.

Tempo bom para dormir.
O tempo frio e chuvoso em Lucerne me eu tanto sono que eu não conseguia mais andar. Pedi à Marsole para a gente conversar dentro do carro dela e ficamos lá falando da vida, já que não nos víamos há 3 anos. Depois ela me deixou na minha hospedagem e foi embora para o povoado dela que ficava a alguns quilômetros.

Eu gostei de Lucerne, mas achoq eu gostei mais pelo reencontro com Marsole do que propriamente pela cidade. É que lá é muito pequeno. Em duas horas já dá para conhecer o principal, se não tudo. Indico Lucerne como um bate-volta desde Berna ou então desde Zurique. 

Eu e Marsole frente à torre do relógio.
No dia seguinte mais uma vez acordei cedo e peguei o trem com destino à Munique. No verão, as paisagens vistas são lindas, imagine no inverno com tudo coberto de neve. Deixei a Suíça, após comer muito chocolate Lindt e viver muitos momentos inesquecíveis.

Lago de Lucerne.

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