segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Cinema - 5 filmes fortes e cruéis com o espectador

Há filmes que exigem do espectador nervos de aço. Mais do que isso, exigem muita estrutura emocional para aguentar o choque. Não estou falando de filmes de terror, pois nem sequer sou afeito ao gênero. Refiro-me àquelas produções que fazem do roteiro um ensaio sobre a crua condição da humanidade. Prepare o psicológico e o estômago para essa lista densamente cruel e necessária.


5º O Nevoeiro

Essa adaptação de um dos romances de Stephen King pode até soar à primeira vista como um suspense série B, porém há uma representação social das mais interessantes.

Uma névoa assassina cobre toda a cidade fazendo com que um grupo de pessoas tenham que ficar dentro de um Supermercado para sobreviver. No entanto, a convivência no estabelecimento comercial se torna tão hostil quanto do lado de fora.

Além da tensão social impingida ao telespectador, o filme ainda conta com um final inacreditavelmente perturbador. Destaque para o elenco que possui vários atores da série “The Walking Dead”.

4º Depois de Lúcia

Este filme mexicano é totalmente realista no sentido de que não há nada que fuja da realidade. Trantando sobre a questão do bullyng, os monstros aqui são de carne e osso, do tipo que podem ser encontrados em qualquer colégio do ensino médio.

Lúcia é nova na cidade. Ela consegue se enturmar facilmente com os novos colegas, porém um vídeo em que ela faz sexo cai na internet e ela acaba se tornando o saco de pancadas da escola, passando por todo tipo de tortura psicológica e até mesmo física.
Há cenas que deixam o espectador possuído por uma revolta extremamente angustiante. Não é um filme fácil justamente porque ele não mostra apenas as ações, ele rumina toda a podridão dessas pessoas que vivem para atazanar as outras.

O final é um tipo de catarse à avessas, que deixa o espectador vibrando ao mesmo tempo que estupefato.

3º Violência Gratuita

Michel Haneke é um diretor que já é conhecido por não ter piedade do espectador. Em seus filmes “A Fita Branca” e “Amor”, ambos indicados ao Oscar, podemos ver o quanto seu estilo é cru. Mas em “Violência Gratuita”, remake homônimo de seu primeiro trabalho, Haneke vai além e dá uma dura lição de moral para os espectadores que buscam violência como entretenimento.

Sem motivo aparente, uma família é sequestrada dentro de sua própria casa por dois jovens sádicos e psicopatas. Embora a violência se mantenha pelo teor dramático da situação, não há sequer uma cena em que se mostre golpes, sangue, ou nada do tipo. É tudo muito seco e sem “glamour” cinematográfico. O filme é altamente assustador, pois mostra algo que realmente pode acontecer a qualquer momento, já que ninguém está livre da crueldade humana. Na famosa sequência do controle remoto, o diretor tortura e ri da cara do público que foi ver seu filme como diversão.

Uma curiosidade é que o final de “Violência Gratuita” parece ter inspirado o final de “Depois de Lúcia”.

2º Laranja Mecânica

Este é um clássico. Rodado na década de 70, até hoje “Laranja Mecânica” encabeça as listas dos filmes mais intensos da história. Isso significa que também não é uma produção fácil de se ver. Os primeiros 45 minutos dá vontade de vomitar, isso se você o assistir focando nas ações, já que a estética diferenciada e a direção de arte antiga pode fazer o espectador o encarar como fantasia, o que tiraria um pouco do peso das cenas escabrosas.

Alex é um psicopata urbano que adora bater, estuprar, humilhar e matar de maneira indiscriminada. Somente por essa frase, já dá para perceber que é um filme que exige muita maturidade para não passar mal. Em todo caso, apesar das estarrecedores sequências, o filme funciona como uma alegoria da violência social.

Em São Paulo, o Museu da Imagem e Som expõe objetos da produção. Estive lá e você pode conferir a exposição clicando aqui.

1º Irreversível

Mais assustador do que qualquer filme de terror, “Irreversível” é um filme que mais se parece com uma surra de chicote. A primeira coisa que chama atenção é que o tempo se desenvolve de trás para frente, começa pelo final e vai retrocedendo até chegar no que seria o começo. Mais impressionante ainda é que o começo da história que está no fim é mais surpreendente que o final que está no começo. Inicialmente pode parecer confuso, mas não se engane, a maior dificuldade para o espectador não é se acostumar com a inversão do tempo, mas sim, manter-se calmo com as atuações e situações que são apresentadas.

Assim como “Violência Gratuíta” as cenas de violência não possuem uma estética comercialmente elaborada, elas possuem um tom amador que potencializa o tom de realidade. Protagonizados pelo excelente Vincent Cassel e pela deslumbrante Monica Bellucci, uma das mulheres mais bonitas e talentosas do cinema, “Irreversível” não tem piedade dos personagens e nem do espectador, representando “a vida como ela é” de maneira bastante crua.

A cena mais impactante se trata de um estupro com duração de intermináveis 15 minutos. Falando assim pode parecer que o diretor Gaspar Noé quis apelar, porém garanto que aqui não há apelação. Nenhuma parte erótica do corpo da atriz é mostrada, não tem música, jogo de câmera e nem nada. É no seco.

Gaspar consegue exprimir no cinema a sensação humilhante e aterrorizante que é um estupro. O espectador se sente violado, agredido... Isto demonstra o poder da arte que faz o ser humano experimentar situações de maneira virtual e ao viver virtualmente estas experiências, é mais fácil se colocar no lugar do outro, exercitando assim a compreensão pelo próximo. É um enriquecimento social.

Mas repito, filmes tão fortes e intensos exigem nervos e também maturidade de discernimento.

3 comentários:

  1. Irreversível é foda! mesmo sendo homem me senti aterrorizado com a cena de estupro. Se prestar atenção, ao fundo bem no início da cena aparece um vulto que poderia ter evitado toda aquela tortura...a vida as vezes é podre. Deu vontade de literalmente matar o estuprador...e pensar que isso acontece com uma frequencia assustadora...

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  2. Ficou faltando Dogville...

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  3. A 'pele em que habito' também é um Grande Filme nesse sentido. Muito chocante para um homem!

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