Há filmes que exigem do espectador nervos de aço. Mais do que isso, exigem muita estrutura emocional para aguentar o choque. Não estou falando de filmes de terror,
pois nem sequer sou afeito ao gênero. Refiro-me àquelas produções que fazem do
roteiro um ensaio sobre a crua condição da humanidade. Prepare o psicológico e
o estômago para essa lista densamente cruel e necessária.
5º O Nevoeiro
Essa adaptação de um dos romances de
Stephen King pode até soar à primeira vista como um suspense série B, porém há
uma representação social das mais interessantes.
Uma névoa assassina cobre toda a cidade
fazendo com que um grupo de pessoas tenham que ficar dentro de um Supermercado
para sobreviver. No entanto, a convivência no estabelecimento comercial se
torna tão hostil quanto do lado de fora.
Além da tensão social impingida ao
telespectador, o filme ainda conta com um final inacreditavelmente perturbador.
Destaque para o elenco que possui vários atores da série “The Walking Dead”.
4º Depois de Lúcia
Este filme mexicano é totalmente realista
no sentido de que não há nada que fuja da realidade. Trantando sobre a questão
do bullyng, os monstros aqui são de carne e osso, do tipo que podem ser
encontrados em qualquer colégio do ensino médio.
Lúcia é nova na cidade. Ela consegue se
enturmar facilmente com os novos colegas, porém um vídeo em que ela faz sexo
cai na internet e ela acaba se tornando o saco de pancadas da escola, passando
por todo tipo de tortura psicológica e até mesmo física.
Há cenas que deixam o espectador
possuído por uma revolta extremamente angustiante. Não é um filme fácil
justamente porque ele não mostra apenas as ações, ele rumina toda a podridão
dessas pessoas que vivem para atazanar as outras.
O final é um tipo de catarse à avessas,
que deixa o espectador vibrando ao mesmo tempo que estupefato.
3º Violência Gratuita
Michel Haneke é um diretor que já é
conhecido por não ter piedade do espectador. Em seus filmes “A Fita Branca” e “Amor”,
ambos indicados ao Oscar, podemos ver o quanto seu estilo é cru. Mas em “Violência Gratuita”, remake homônimo de seu primeiro trabalho, Haneke vai além e dá uma
dura lição de moral para os espectadores que buscam violência como
entretenimento.
Sem motivo aparente, uma família é
sequestrada dentro de sua própria casa por dois jovens sádicos e psicopatas.
Embora a violência se mantenha pelo teor dramático da situação, não há sequer
uma cena em que se mostre golpes, sangue, ou nada do tipo. É tudo muito seco e
sem “glamour” cinematográfico. O filme é altamente assustador, pois mostra algo
que realmente pode acontecer a qualquer momento, já que ninguém está livre da
crueldade humana. Na famosa sequência do controle remoto, o diretor tortura e
ri da cara do público que foi ver seu filme como diversão.
Uma curiosidade é que o final de “Violência Gratuita” parece ter inspirado o final de “Depois de Lúcia”.
2º Laranja Mecânica
Este é um clássico. Rodado na década de
70, até hoje “Laranja Mecânica” encabeça as listas dos filmes mais intensos da
história. Isso significa que também não é uma produção fácil de se ver. Os
primeiros 45 minutos dá vontade de vomitar, isso se você o assistir focando nas
ações, já que a estética diferenciada e a direção de arte antiga pode fazer o
espectador o encarar como fantasia, o que tiraria um pouco do peso das cenas
escabrosas.
Alex é um psicopata urbano que adora
bater, estuprar, humilhar e matar de maneira indiscriminada. Somente por essa
frase, já dá para perceber que é um filme que exige muita maturidade para não
passar mal. Em todo caso, apesar das estarrecedores sequências, o filme
funciona como uma alegoria da violência social.
Em São Paulo, o Museu da Imagem e Som
expõe objetos da produção. Estive lá e você pode conferir a exposição clicando aqui.
1º Irreversível
Mais assustador do que qualquer filme de
terror, “Irreversível” é um filme que mais se parece com uma surra de chicote.
A primeira coisa que chama atenção é que o tempo se desenvolve de trás para
frente, começa pelo final e vai retrocedendo até chegar no que seria o começo.
Mais impressionante ainda é que o começo da história que está no fim é mais
surpreendente que o final que está no começo. Inicialmente pode parecer confuso,
mas não se engane, a maior dificuldade para o espectador não é se acostumar com
a inversão do tempo, mas sim, manter-se calmo com as atuações e situações que
são apresentadas.
Assim como “Violência Gratuíta” as cenas
de violência não possuem uma estética comercialmente elaborada, elas possuem um
tom amador que potencializa o tom de realidade. Protagonizados pelo excelente
Vincent Cassel e pela deslumbrante Monica Bellucci, uma das mulheres mais
bonitas e talentosas do cinema, “Irreversível” não tem piedade dos
personagens e nem do espectador, representando “a vida como ela é” de maneira
bastante crua.
A cena mais impactante se trata de um
estupro com duração de intermináveis 15 minutos. Falando assim pode parecer que
o diretor Gaspar Noé quis apelar, porém garanto que aqui não há apelação.
Nenhuma parte erótica do corpo da atriz é mostrada, não tem música, jogo de
câmera e nem nada. É no seco.
Gaspar consegue exprimir no cinema a
sensação humilhante e aterrorizante que é um estupro. O espectador se sente
violado, agredido... Isto demonstra o poder da arte que faz o ser humano experimentar
situações de maneira virtual e ao viver virtualmente estas experiências, é mais
fácil se colocar no lugar do outro, exercitando assim a compreensão pelo
próximo. É um enriquecimento social.
Mas repito, filmes tão fortes e intensos
exigem nervos e também maturidade de discernimento.









Irreversível é foda! mesmo sendo homem me senti aterrorizado com a cena de estupro. Se prestar atenção, ao fundo bem no início da cena aparece um vulto que poderia ter evitado toda aquela tortura...a vida as vezes é podre. Deu vontade de literalmente matar o estuprador...e pensar que isso acontece com uma frequencia assustadora...
ResponderExcluirFicou faltando Dogville...
ResponderExcluirA 'pele em que habito' também é um Grande Filme nesse sentido. Muito chocante para um homem!
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