domingo, 29 de setembro de 2013

Relato de Viagem – Itália – Milão: Moda Tédio



O mochileiro Maurício Campello disse em entrevista aqui no blog que Milão foi o lugar que mais lhe decepcionou, apesar do aviso, não pude deixar de passar por lá, pois devido à quantidade de aeroportos e a geografia central, Milão é ponto de partida para vários lugares. Seria exatamente de lá, que eu tomaria meu voo para Madrid para depois seguir à Salamanca, onde me apresentaria num congresso sobre cinema e literatura.
 
Explicado o motivo de minha ida à Milão, começo aqui um breve relato de minha passagem pela terra da moda. Acordei cedo em Florença e peguei o trem que levaria duas horas até chegar à Estação Central de Milão. A viagem de trem foi agradável, ofereceram champanhe, refrigerantes, entre outras bebidas. Exagerando na água, pois minha garganta estava irritada, cheguei à estação com uma vontade incontrolável de ir ao banheiro, porém a estação era muito grande, então preferi ir logo em busca da minha hospedagem, a qual ficava a menos de 300 metros. O problema foi só me encontrar na estação.

Jácontei num post especial como foi o lugar que me hospedei em Milão. Tratou-se de uma mansão com diária barata que consegui através do site Airbnb. Assim que cheguei ao local, fui direto para o banheiro, em seguida, o empregado marroquino me deu a chave do meu quarto, guardei minha mala, peguei um mapa e sem perder tempo sai para explorar a cidade.

O metrô de Milão é um pouco mais caro do que o de Roma, no entanto, é bem mais limpo. Após quatro estações desde a Centrale, cheguei ao Duomo, principal ponto turístico da cidade. Assim que sai da estação, já dei de cara com a catedral de arquitetura exótica. Embora realmente seja muito bonita, confesso que ao vivo não a achei tão imponente quanto parece ser nas fotos. Pareceu-me bem menor que nas fotografias. Em todo o caso, fiquei ali admirando por um tempo. Sentei em um restaurante que ficava de frente e pedi uma pizza que custava 12 euros. Infelizmente, o atendimento do tal restaurante foi tão ruim, que acabei desistindo e fui comer num outro que estava menos cheio e por tanto, a atenção era um pouco melhor. Logo percebi o que os próprios italianos falavam sobre os milaneses: eles são blasé.

Duomo.
Após comer a pizza, fui até o bazar que fica ao lado da catedral. É uma espécie de shopping para milionários, com as marcas mais caras e conhecidas do mundo.  É um bom lugar para dar uma volta, porém é impossível não se senti um peixe fora d’água quando o seu interesse não tem nada a ver com moda e nem com o espírito consumista.

Galleria Vittorio Emanuele II.
Loja da Prada.

Loja Swarovski.

Deixando a parte do Duomo, segui pelo centro turístico e me surpreendi com a limpeza do lugar. De todas as cidades da Itália, com certeza, Milão foi a mais limpa. É bastante agradável andar pelo centro turístico-comercial. Há muitos restaurantes, lojas interessantes, tudo muito organizado, mas nada que valha a pena para quem está sozinho e quer passar um tempo entretido. 

Via Dante.
Ao fim da principal rua turística, você dará de cara com o Castello Sforzesco, o qual achei até mais movimentado que o Duomo. Gostei de andar pelo castelo, há uma parte em que os nativos tomam banho dentro de uma fonte. É um bom lugar para passar algum tempo. Ainda mais que assim que você atravessa o castelo, chega-se ao Parco Sempione, uma espécie de Ibirapuera, com a diferença de – em minha opinião – ser mais bonito. O parque é muito florido, limpo, ótimo para fazer picnic ou passar uma tarde lendo um livro, além de ser repleto de artistas mostrando seus mais diferentes talentos.

Fonte do Castelo.

Castello Sforzesco
 
Banhistas na Pinacoteca.

Parco Sempione

Olhando no mapa em busca de mais atrações, vi que só faltava um cemitério, porém estava meio longe e isto eu poderia deixar para o dia seguinte, já que passaria dois dias lá. Também tinha a opção de ver o quadro da Última Ceia, de Leonardo Da Vicci, que fica na galeria Cenacolo Vinciano, porém para isto teria que comprar online, coisa que não fiz e certamente já não haveria ingresso disponível, ou reservar pelo telefone 00 39 02 92800360  (há atendimento em inglês). Mas para falar a verdade, não estava tão a fim de me deslocar para ver o quadro, talvez a “Moda Tédio” de Milão tenha me deixado com preguiça.

Arte no Parco Sempione.
Tentei terminar o dia andando sem rumo pelas ruas. Achei elas bonitas, desertas, blasé... As pessoas muito bem vestidas... E só. Para quem não se interessa por moda, Milão pode ser uma grande cilada, tanto, que embora o primeiro dia não tenha sido de todo ruim, fiquei preocupado com o que faria no segundo dia, pois já previa que morreria de tédio.


Ruas de Milão.
 
Transporte público.
Resolvi voltar para a casa na hora do pôr-do-sol, pois já não tinha mais o que ver. Para a minha surpresa, já não estava ninguém na mansão. O dono tinha viajado, o empregado ido embora e os outros hóspedes haviam feito o checkout, resultado: dormiria sozinho por dois dias numa mansão em Milão. O tédio prometia mais do que nunca. Decidi então fazer algo que não estava nos meus planos, ir à Veneza. Como a Estação Central era vizinha, fui até lá e comprei uma passagem de ida e volta para o dia seguinte. Assim, dormiria cedo e logo pela manhã, para não morrer de tédio em Milão, conheceria Veneza, a qual não estava até então no roteiro.

Resumo da ópera: Milão realmente não é a melhor cidade para se ir caso esteja sozinho e se moda/consumismo não seja seu forte, no entanto, é uma cidade que vale passar uma manhã e uma tarde, e de mais a mais, há opções de ir para todos os lados a partir de lá. No trem vindo de Veneza, por exemplo, conheci Florencia, uma moça mexicana que estava hospedada em Milão com sua mãe, e todos os dias ia para alguma cidade saindo de lá, já que Roma, Florença e Veneza, cada uma fica em média duas horas, dando assim para conhecer as principais cidades da Itália como bate-volta.

No próximo post, contarei sobre meu dia em Veneza e termino este dando a dica para quem chegará em Milão pelo aeroporto de Bergamo, ou vice-versa. Ao contrário do aeroporto de Malpensa, que tem ligação direta com a estação de trem, o aeroporto de Bergamo não possui a opção do trem, porém há um ônibus que pela bagatela de 5 euros, você é deixado na estação central. O percurso gira em torno de 40 minutos, deixarei o site a quem possa interessar, o qual também serve para os aeroportos secundários de Londres e de Roma: http://www.terravision.eu.

Arco de Milão.

1 comentários:

Deixe seu comentário.