domingo, 4 de agosto de 2013

Meu Mestrado – A Dissertação


Depois de passar por uma seleção angustiante, enfrentar aulas dilacerantes e quebrar a cabeça com a realização do projeto de pesquisa, o mestrando enfim chegará ao pior momento de todos: a dissertação.


O bicho papão é fichinha quando você se vê diante de um monstro a ser escrito. Cem páginas no mínimo e por enquanto você só tem quinze, incluindo alguns parágrafos que roubou do projeto. Já não tem mais colega para pedir ajuda, agora é cada um por si e o orientador por todos. Como cantaria Mara: não adianta chorar, se iludir... O negócio é sentar e escrever. 

A página em branco olha pra você lhe desafiando e a única coisa que lhe vem à mente é jogar o notebook ao longe, rasgar as vestes e sair na rua jogando pedra. Peça pra mãe orar, pro pai jejuar e pros amigos se afastar. Escrever uma dissertação exige isolamento, ódio a festas e amor ao sofrimento.

E quando as ideias seguem sem dar notícia, o jeito é se debruçar sobre mais livros, a fim de tirar um pensamento no qual possa ser desenvolvido por duas ou três páginas, talvez se forçar saia quatro. Se pelo menos tivesse uma imagem para comer mais espaço. A gente fica lunático com o tamanho da locução adjetiva, fervoroso que o tópico vai render e rancoroso quando o Word apaga uma frase sem querer.

A dissertação se torna sua namorada, sua morada, inimiga que lhe tira o sono e amante que lhe excita quando um capítulo é concluído. É o momento mais difícil, o semestre mais sem vida, uma peste. Para piorar, o mês da defesa está marcado, a qualificação se aproxima, implora-se mais prazo.

A fase final requer muita força. E aos que já são desequilibrados, eu deixo um recado: não façam mestrado!

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