Depois
de relatar os perrengues que passei com a má educação dos romanos, com a
desorganização da cidade e explicar como chegar aos principais pontos turísticos de Roma, chegou a vez de falar sobre o Vaticano e as Catacumbas de
Calixto, onde os Papas antigos eram enterrados.
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| Museu do Vaticano. |
Antes
de tudo é preciso trazer algumas informações gerais sobre o Vaticano. Para quem
não sabe, ele não é uma bairro e sim um país independente, com suas próprias
leis, bancos, bandeira, correio e tudo o que um país tem direito. Acontece que
ele fica no meio da cidade de Roma e para chegar lá basta pegar a linha
vermelha do metrô e descer na estação “Ottaviano San Pietro”. Caso você queira ver
o Papa, os dias em que ele aparece na janelinha são os domingos e as quartas-feiras.
No entanto, o Museu do Vaticano é fechado aos domingos (exceto no último do
mês e algumas datas especiais), então se você quiser ver os dois terá que fazer
duas viagens ao país católico.
Dito
isto, explicarei como entrar no Museu do Vaticano sem precisar passar por uma
fila quilométrica. Para se ter noção, a fila é tão grande que você a vê dois
quarteirões antes do museu. É algo fora do comum. Então o que você precisa fazer para não passar 3 horas debaixo do sol
quente, é entrar no site oficial do museu, que é este http://mv.vatican.va/, e escolher o horário e
o tipo de ingresso que você quer. Para comprar online, você pagará uma taxa de
2 euros, mas vale a pena. No site mesmo, você poderá escolher se quer a entrada
inteira ou a meia-entrada, caso tenha um comprovante de matrícula que confirme
seus estudos ou então a carteirinha internacional ISIC, pode pedir pela
meia-entrada que custará 10 euros (8 do ingresso e 2 da taxa de reserva). A
inteira custa 14 euros, 16 pelo site.
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| Arquitetura do museu. |
Agora
atenção para a pegadinha. Parece que ocorreu um problema no Banco do Vaticano e
por isto não dá para pagar o ingresso pelo site, o que dá para fazer é reservar
a entrada e imprimir o comprovante de reserva. Com este comprovante em mãos,
você não precisa pegar a fila imensa e sim a fila dos que tem comprovante, a
qual é muito menor e muito mais rápida. Ao chegar à bilheteria, você pode se
dirigir ao caixa dos que tem a reserva e pagará 2 euros a mais por isto, ou
pode dar uma de desonesto e ir para o outro caixa sem ter que pagar a caixa.
Ainda que esta desorganização dê lugar para a desonestidade, eu fui para o
caixa dos que têm reserva mesmo. E foi aí que a coisa começou a desandar.
Mais
burro que uma anta, eu não levei dinheiro em cash. Tinha apenas 5 euros em
espécie e dois cartões, um de crédito e um débito. Para a minha surpresa, nem
um dos dois cartões passaram na maquininha. O que era estranho, porque a menos
de duas horas, eu havia tomado café-da-manhã numa padaria e paguei com o cartão pré-pago.
Insisti para que o caixa tentasse de novo, porém, até no Vaticano a ignorância
romana impera. O homem deu um grito que me assustou: “No ve que la carta no
pasa!”. Como eu já estava de saco cheio dos coices que já havia levado, comecei
a discutir com o homem e quando dei por mim já estava protagonizando um barraco
baiano em pleno Vaticano.
Um
policial mais compreensivo disse que eu poderia sair do museu, sacar dinheiro
em Roma e voltar sem precisar pegar nenhuma das filas. Ainda bem que italiano
não é difícil de entender. Obedeci ao policial e fui atrás de um caixa
eletrônico. Desci todo o muro interminável do Vaticano, cheguei a uma praça
qualquer de Roma e saquei o dinheiro. Voltei todo suado e cansado. Depois de
tudo isto, para não ver o homem com quem briguei, fui para o caixa normal e não
paguei a taxa de reserva, apenas os 8 euros da meia-entrada, já que eu havia
levado meu comprovante de matrícula.
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| Janela do museu com vista para o Vaticano |
Recuperei
o fôlego perdido e comecei a explorar o museu, o qual é realmente
impressionante. No pátio do museu há um globo dourado que você pode girar, mas
antes é preciso pedir permissão ao guarda, pois se não, você leva um esporro.
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| Girando o globo. |
O
Museu do Vaticano se assemelha ao Louvre, talvez até mesmo um pouco superior.
São tantas obras de artes que acho válido procurar na internet as principais,
pois como eles não dão nenhum folheto, fica difícil prestar atenção em tudo e
dessa forma você acaba se passando por obras muito importantes.
A
última atração do museu é a Capela Sistina de Michelangelo. O local é
abarrotado de gente e de guarda gritando: “No photo, please”. Mas os turistas não
estão nem aí e tiram foto como se não estivessem ouvindo nada. Até tentei
resistir, mas a pintura é tão bonita que tirei algumas fotos clandestinas.
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| Capela Sistina. |
Antes
de sair do museu, você pode passar alguma tempo no restaurante de lá para comer
e descansar. Os preços não são tão caros como imaginei e tem uma pizza que
custa 3 euros, o problema é que a atendente é tão ignorante que você não tem
tempo para escolher que sabor você quer, ainda mais se você não conhece os
nomes dos ingredientes em italiano. Resultado: a mulher te dar o que ela quiser
e você é quase que obrigado a comer algo que não gosta.
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| Escada caracol do museu. |
Depois
de quase perder as pernas andando no museu, fui para a Plaza San Pietro, onde o
povo se reúne para ver a missa do Papa e também onde há a principal catedral do
país. Não é preciso pagar para entrar na igreja, porém é preciso passar por uma
fila de segurança, detector de mentais e até por inspeção. A única coisa
cobrada é para subir a cúpula da basílica, que custa, se não me engano, 7
euros.
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| Plaza de San Pietro. |
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| Catedral. |
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| Teto da Catedral. |
Achei
o Vaticano muito cinza e muito pequeno. Talvez para os católicos a experiência
seja mais interessante. Em todo o caso é um passeio historicamente obrigatório.
Principalmente o museu, certamente um dos melhores do mundo.
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| Cúpula do Vaticano. |
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| Guarda suiço do Vaticano. |
E
como passeios religiosos são o que não falta no Vaticano e também em Roma,
resolvi ir até as Catacumbas de São Calixto, onde os antigos Papas eram enterrados.
Para ir até lá, basta buscar o ônibus 218, só cuidado na hora de voltar, pois
dependendo do seu destino, a volta se faz pelo ônibus que fica do lado oposto
do qual você chegou. A entrada custa 8 euros,
sem vela e sem choro. E a visita só é feita com guia, você pode escolher
inglês, italiano e espanhol. Leve uma blusa de frio, pois ao descer para as
catacumbas, a temperatura desaba, passei muito frio lá.
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| Não é permitido fotografar nas Catacumbas. Foto retirada do Google. |
Apesar
das explicações serem interessantes, não vi muita graça, até porque já havia
ido nas catacumbas da Catedral de San Francisco em Lima no Perú, e as de lá são
muito mais impactantes. Vale também lembrar que o Roma Pass não abarca nenhuma
das atrações citadas aqui neste post, então pense bem antes de comprar este
passe turístico, pelo menos no meu caso, não valia a pena.
Agora
deixo Roma e pego o trem para Florença e Pisa. Continue seguindo esta viagem
pela Itália e até o próximo relato.
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| Vaticano no pôr-do-sol. |



















