sábado, 24 de novembro de 2012

Meu Mestrado - As Aulas



Depois que você passar por uma SELEÇÃO (clique aquipara ler) difícil, com direito à prova escrita, entrevista e teste de proficiência em outro idioma, já não há o que temer, certo? Errado. O semestre começa com a confiança em alta, passei em tudo, devo ser inteligente. Caderno novo, mente aberta, tudo pronto para suas primeiras aulas. São apenas dois dias na semana, ou até mesmo um dia, depende da sua escolha de carga horária. 

Em dois anos de mestrado, você precisa cumprir seis disciplinas. Só? Na faculdade são no mínimo seis matérias por semestre. Tirarei de letra. Por favor, quero fazer três disciplinas. Tem certeza? Claro! Terça-feira de tarde, de uma hora às quatro na sala da Doutora Palo:  Literatura Brasileira – O Romance Moderno Contemporâneo e sua Ambivalência Territorial, Formas e Consciências Dialógicas. Ham? O que é isso? É o nome da matéria. Ah, tá! Quarta-feira das nove ao meio dia: O Clássico e sua Adaptação – Literatura, Autor, Leitura. Gostei! E quarta da uma às quatro: Seminário de Pesquisa. Ok! Parece simples.

O temor reaparece na primeira meia-hora da primeira aula. Porque a diegese ôntica de Hegel está para Derridá como o cronotopo ontológico de Bahktin está para a dialogia de Dostoiévski. Oi? Passa mais uma hora, duas... E enquanto a polifonia no discurso da professora se multiplica feito uma equação da NAZA, minha cabeça se torna vazia como a lua. O colega do lado está em saturno. Mas tem um outro que está entendendo tudo e ainda consegue argumentar, discordar... Acrescentar?! Aí já é demais. 

Tontura, sono, a morte da bezerra. Socorro. E passa uma semana. Mestrado não tem didática. Abra os ouvidos, esforce-se, anote. Uma colher de xícara de semancol. Chá de burrice. De tão burro, não sabia sequer que eu era burro. Mestrado é leitura.  E na quarta semana já é possível entender metade do vocabulário rebuscado. Na sexta semana, a burrice diminui, a felicidade aumenta. Bom caminho. Mais leituras, trabalhos escritos, seminários. Me sinto burro de novo, socorro. Aula de mestrado é uma batalha contra a ignorância. Cansa. Vejo vocês na próxima semana e saímos da sala com o corpo dolorido, apesar de que sempre há aquele que sai sem nenhum arranhão, como se fosse o Rambo. Ele se acha. A inveja mata. Cuidado com o seu tapete. Mestrado é território hostil.

As aulas são difíceis, os professores são exigentes, mas na guerra também existe humanidade. O mestre lhe solta um elogio aqui, uma palavra de incentivo acolá, não tem como não amar. Embora não facilitem com o chororó, o choro é livre e isto já torna as aulas melhores. Por três horas aprendizado e no intervalo terapia em grupo. Entre mortos e feridos, a maioria se salva.

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