sábado, 10 de novembro de 2012

América do Sul - Perú - Lima é Linda

Fui ao Perú devido a um congresso de literatura, requisito obrigatório para mestrandos bolsistas. Aproveitei a viagem para conhecer a rota turística deste país, como Cusco, Macchu Picchu e Huacachina. 

Em minhas pesquisas, parecia que não havia muito o que ver e fazer em Lima, os relatos que li garantiam que dois dias eram mais do que suficiente para conhecer a capital. Assim, acreditei que poderia ver os pontos principais de Lima durante os intervalos do congresso, no entanto, para minha surpresa, Lima se mostrou muito mais do que esperava, uma cidade incrível que vale a pena reservar no mínimo três dias inteiros ou até mais, pois a atmosfera do lugar nos convida a repetir os passeios, ou até mesmo curtir sem pressa suas ruas, suas praças, restaurantes e, principalmente, a amabilidade de seu povo.

Quando fui para Buenos Aires, pensei que estava indo para o melhor lugar da América do Sul, engano total. Talvez tenha sido culpa da expectativa traída, ou do mal momento que o país dos hermanos insuportables passava (a coisa está ainda pior), o fato é que Lima me pareceu a capital mais aconchegante e bonita dos países vizinhos que pude conhecer.

Parque del Amor.
O pôr-do-sol no "Parque del amor" situado no bairro de Miraflores é algo de encher os olhos. O lugar é tão romântico que até eu me dei bem por lá com uma gringa da Holanda. Mais do que a arte em cerâmica que enfeita o lugar, a vista do Oceano Pacífico encanta com os voos dos parapentes. Para voar, custa 50 dólares com guia e me disseram (não sei se é verdade), que sem guia custa 5 dólares. Alguém tem coragem? Preferi ficar olhando os parapentes na segurança da terra. A paisagem por si só já trás a adrenalina.

Vista desde o "Parque del Amor".
Miraflores é um bairro de fato fantástico. Limpo, organizado, bonito. Fiquei no hostel Wayra e paguei 35 dólares por um quarto individual com café-da-manhã. O hotel está numa zona bastante calma, é possível dormir sem ouvir nenhum barulho. A limpeza dos quartos está acima da média dos estabelecimentos deste preço, o café deixa um pouco a desejar, porém comparando com os outros hotéis do Perú que fiquei, percebi que o serviço é padrão.  O hotel fica à três quadras da Avenida Benevides, a qual se encontrava a estação de ônibus metropolitano que leva passageiros ao centro por 1,50 (aproximadamente, 1 real), mais 5 soles do cartão unitário.  

Ia caminhando até a avenida, mas mesmo sendo o local do meu congresso na mesma rua, precisava pegar um táxi, pois esta é uma daquelas avenidas quilométricas. Os táxis são um capítulo à parte. Muito baratos, eu pagava até a universidade 6/7 soles, numa distância em que no Brasil não sairia por menos de 20 reais a corrida. Os ônibus públicos são pequenos, feios e velhos, mas os táxis não ficam atrás. Como as corridas são muito baratas e não há taxímetros - por isso é importante pechinchar com o motorista antes de entrar no táxi - os carros passam muito tempo no tráfico desorganizado e acabam sendo batidos de todos os lados. Não encontrei um táxi que não estivesse com a lataria amassada, exceto os caros que ficam no aeroporto. E por falar no aeroporto, não há transporte público dentro dele, então os taxistas viram feirantes lhe chamando, cada um tentando gritar mais alto e oferecendo o preço de acordo o lugar para onde quer ir. 

Quando cheguei, paguei 40 soles pegando um táxi numa galeria que fica ao lado do aeroporto, na porta de desembargue lhe cobram 45 até Miraflores, porém se você bater o pé e pechinchar consegue descontos incríveis. Quando cheguei de Cusco e quis ir até o bairro de San Isidro que também custa 45 soles, bati o pé e falei que só pagaria 25, foi uma guerra. Mais de 5 taxistas ao meu redor tentando me convencer a pagar no mínimo 35 e eu argumentando que só pagaria 25, depois de 3 minutos ouvindo eles gritarem feito loucos no meu ouvido, um dos taxistas encontrou uma mulher que iria para um lugar próximo do meu, cobrou 35 a ela e 25 a mim. E olha que o lugar era longe.

Perto do hotel também estava o Shopping Larcomar que foi construído em cima da montanha que defende a cidade dos tsunamis. Sim, no Perú há tsunamis e terremotos frequentemente, já faz parte da rotina deles. Uma semana antes da minha chegada houve um na capital. 

O Parque Kennedy é uma praça bastante movimentada, cheia de hosteis, restaurantes, cinemas, lojas... Há uma rua só com pizzarias. Durante minha estadia por lá, estava havendo uma feira de livros com direito a escritores dando autógrafos.

Leão na rotatória do "Parque Kennidy".
Numa loja de Cds e DVDs, um limeño percebeu que eu estava vendo os Boxes de séries e puxou assunto me perguntando se eu era colecionador também. Este foi apenas um dos episódios que provam como o povo peruano é sociável. Conversamos ali mesmo sobre as séries e quando disse que eu era brasileiro, ele fez uma festa, pois ele era fã de novelas brasileiras. Falei que atualmente trabalhava para um site de novelas e ele começou a me contar quais foram sucesso no Perú. Suas preferidas eram "A Próxima Vítima" e "Torre de Babel".

Aos turistas, aconselho ir ao centro com os ônibus metropolitanos que são transportes modernos com uma faixa dividida das demais, realmente própria para eles. Porém como eu havia acabado de sair do congresso e não sabia qual era a estação do metropolitano mais próxima, peguei um táxi desde a entrada do bairro Surco até a Igreja de São Francisco, cerca de 13 km e paguei 15 soles (12 reais).

Entrada do Bairro Surco.
A Igreja de São Francisco é mais conhecida pelas catacumbas enterradas em seu subsolo. Os civis acreditavam que ser enterrados de baixo da Igreja os aproximaria de Deus, assim foi feito uma espécie de cemitério debaixo dessa enorme igreja que também servia como convento e monastério.  A entrada custa 7 soles, com a certeirinha de estudante internacional (Isic) é possível pagar meia. O pátio da igreja é cheio de pombos e sua arquitetura chama a atenção, principalmente a cor amarela que é marca nas construções de Lima.

Como cantaria Vanessa da Mata: "em meio aos pombos da Praça da Sé...".


Fachada da Igreja de São Francisco.
É proibido tirar fotos dentro da igreja seja com ou sem flash, porém que a guia peruana me desculpe, tirei umas fotos escondidos nas catacumbas, afinal não é todo o dia que você pode registrar algo como isso:

Covas comuns.

Assustador.
Uma quadra e meia acima da Igreja de São Francisco se encontra o Museu da Inquisição e do Congresso. Nas minhas andanças pela Espanha, encontrei na cidade de Córdoba um museu de inquisição que me impactou profundamente. Foi um dos lugares mais chocantes em que já estive. Achei que repetiria a experiência, porém o museu em Lima é bem mais tranquilo, quase infantil se comparado ao da Espanha. A inquisição na América do Sul foi bem mais primitiva e não contou com os instrumentos elaborados da Europa, isso explica parte da inferioridade do museu de Lima. Em todo o caso, vale a pena conferir, tanto pela história como também porque a entrada é gratuita.

Representação do estiramento de corpo no período da Inquisição.
Andando cinco quadras abaixo do Museu da Inquisição, cheguei na famosa "Plaza de Armas", a qual me tirou o ar. Não imaginei que fosse tão bonita. Uma beleza que impressiona pela diferença. A arquitetura colonial em seu estado mais original. É uma praça agradável para sentar, vê as pessoas passando, tirar inúmeras fotos. Fora da Europa, foi a praça mais bonita que já vi. Dá um verdadeiro banho na "Plaza Mayor" de Buenos Aires. Sem comparação.

"Plaza de Armas".

Catedral da Praça.
Talvez pelas fotos não dê para notar a grandeza da praça, ao lado também há a Casa do Governo, não tirei foto porque os portões estavam fechados, porém dá pra vê de fora e se não me engano ao meio-dia tem a troca de soldados, que é um evento esperado por todos.

O próximo destino era a "Plaza San Martin", a qual me disseram que também era bonita, me perdi no meio do caminho e fui parar numa praça cheia de nativos comendo comidas típicas, dançando, lutando... Um verdadeiro rebú. Tive até medo, pois do outro lado do rio estava uma enorme favela e os costumes populares da terra são exóticos e suspeitosos demais para quem está sozinho na boca da noite com dólares e passaporte no bolso. Não tirei fotos do lugar porque não me senti seguro, vi muitas crianças com cara de "rouba-turista", então preferi esconder a máquina. Voltei a olhar no mapa, perguntei a algumas feirantes, e seis quadras a mais estava a praça que buscava. 

Antes parei no calçadão para comer uma torta de chocolate que custava a bagatela de 4,90 soles, pouco menos que 4 reais. O centro comercial de Lima também me surpreendeu, muito mais limpo do que o de São Paulo, Buenos Aires, Montevidéu e até mesmo que o de Santiago do Chile, o que até então considerava mais limpo. Não vi mendigos, pelo menos não naquele horário, não vi papelões jogados, realmente bastante agradável para andar e comprar.

Por fim cheguei à "Plaza San Martin", a qual parece muito com algumas praças de Lisboa, toda branca com flores bem cuidadas. Por falar em flores, Lima cuida muito bem dos seus jardins, no "Parque Reducto" que fica em Miraflores, o jardim é tão cuidado que me fez lembrar o jardim do Palácio de Versailles.

"Plaza San Martín".
Foi uma pena que já estava escurecendo e eu não pude aproveitar para explorar melhor a "Plaza San Martin", um lugar bonito, com bastante jovens e também uma boa pedida para casais em lua de mel, já que o jardim chama a atenção, assim como no "Parque Reducto".

Coreto do "Parque Reducto" com pequeno jardim.

Campo e prédio.

Centro do "Parque Reducto" indicado como zona segura em caso de terremotos.
Só foi tirar a foto na "Plaza San Martin" que a escuridão da noite chegou. Perguntei como poderia ir andando até o "Parque de la Reserva", mais conhecido como Parque de las águas" ou "Parque de las fuentes". Caminhei umas três quadras e de lá tive que pegar um ônibus. A policial me colocou dentro e a cobradora que fica na porta gritando feito louca ficou de me avisar onde descer. Apesar do péssimo estado do ônibus e das músicas de raggeton (populares ao extremo), gostei do cuidado que eles demonstram ter pelos turistas. O ônibus é bastante pequeno, não dá para ficar totalmente em pé, pois se você tiver mais de 1,75, baterá a cabeça no teto, mesmo assim, ele fica lotado, várias pessoas em pé se espremendo para não bater a cabeça, as cadeiras bem desconfortáveis, segurança zero e no final você paga um sol (setenta centavos).

A cobradora pra lá de animada me avisou onde descer, primeiro tive que vencer a fila que se formou no estreito corredor do ônibus, por fim consegui sair, atravessei o semáforo e lá estava o parque. Se não me engano, a entrada custava 4 soles. Com várias fontes criativas de água, o parque é de deixar qualquer um de queixo caído. Primeiro achei que só tivesse 4 fontes, depois descobri um túnel que me levava ao lugar principal do parque, onde todos os dias às 7 horas da noite, é possível conferir um verdadeiro espetáculo de águas dançantes ao som dos mais variados ritmos. A água vira bailarina, espanhola, peruano, caneta que escreve no ar, raios.. É uma coisas indescritivelmente linda, só não voltei lá porque não tive tempo. De tantos programas e passeios que já fiz na vida, o "Parque de la Reserva" está entre os meus favoritos. No Ibirapuera tem uma proposta parecida que não chega aos pés.

Fonte da entrada.

Nessa fonte se pode entrar sem se molhar.

A água vira uma espanhola.

A água vira um casal peruano dançando uma dança típica.

Fonte do desespero. A água sai debaixo da terra.

Acabei me molhando todo.

Final com queima de fogos.
Infelizmente não dá para colocar todas as fotos de todos os cantos especiais que existem em Lima. Para aqueles que gostariam de ir ao Perú só para conhecer Macchu Picchu, garanto que se faltar dinheiro para ir até Macchu Picchi, Lima não deixará nada a desejar. Inclusive, em Miraflores, há umas construções do povo pré-inca. O "Huaca Pucllana" é um sítio arqueológico bastante interessante, com pirâmides peruanas imensas. A entrada custa 12 soles, paguei 6 dizendo que era professor. O passeio tem duração de 45 minutos e conta com a explicação de um guia.

Pirâmides peruanas.

As tumbas. Eles tinham o mesmo costume dos egípcios de matar os servos e os filhos do falecido.
Lima de fato é uma cidade que encanta pela sua história, pela simpatia e sociabilidade do seu povo e pelas suas belezas naturais. Não posso esquecer de citar os amigos que fiz durante o congresso de literatura, principalmente os brasileiros que lá estavam como o doutor Flávio Aguiar da UFRJ; e as doutoras Cláudia Cristina da UEL e Jurema Oliveira UFES, que muito me ajudaram com dicas importantes para um mestrando.

Eu e os doutores.
E no último post do ano sobre viagens, não deixe de conferir meu relato sobre Macchu Picchu, Valle Sagrado e Cusco. Foi uma novela! Despeço-me com a imagem do pôr-do-sol de Lima vista através da arte de cerâmica do "Parque del amor".


*Para ler outros relatos de viagens clique aqui.

1 comentários:

  1. Acredito que você vai se gostar muito, Leila. Queria poder ir lá de novo. É muito bom. E quando precisar de alguma dica é só falar. Abraços.

    ResponderExcluir

Deixe seu comentário.