Entusiasmada para ensinar e fazer a diferença, Helena prestaria o
concurso público. Enquanto espera impaciente pela efetivação,
contenta-se com o cargo de professora substituta, a tal da categoria O,
que de fato é o Ó.A professora de matemática faltou, o de geografia exonerou e o de filosofia infartou. Chamem a substituta para distrair os alunos. E lá vai Helena de boa vontade tentar ensinar… Indisciplina no ar, autoridade no chão, muita pressão e nenhum recurso. O professor de química com licença premium, o de português com atestado… Quando já não há substituto para tanta falta, é o inspetor Firmino que fica a cargo da contenção social.
Helena descobre que a educação da realidade não é um Carrossel, mas sim um Trem Fantasma que só conhece quem está dentro. O pequeno salário atrasa, enquanto as despesas aumentam. Vem então a greve reivindicando respeito e zelo. Mais de cem dias na Bahia e a única conquista é a constatação de que a melhora não virá para a educação. Salve-se quem puder. Helena se desespera e manda seu currículo para as Casas Bahia.
Enquanto espera a salvação, ela tem de suportar as acusações de pais indignados com a greve, chateados porque a babá se recusa trabalhar. Dizem eles que lutar pela melhora na qualidade de ensino é coisa de vagabundo. Pais como o de Jaime Palilo, aqueles que defendem o professor, estão moribundos.
Salas com mais de 30 alunos, a maioria parentes do Paulo, carga horária com mais de quarenta aulas, verdadeiras batalhas. A utopia de Helena acabou, tudo que ela quer é que o sinal toque para se refugiar na sala dos professores e iniciar a terapia em grupo. É lá que Helena vira Nina desejando vingança: esse burros não terão futuro.
Fica feliz ao conseguir entrar num colégio particular, mas logo descobre que aquele não passa de um comércio sujo. Lá também é proibido reprovar. Pra quê o aluno vai se importar em estudar? A direção inventa gincanas e eventos para justificar o estupro de notas no fim de ano. A maioria tem que passar e ai do professor que se recusar, cabeças vão rolar.
Com o corpo doído, Helena chega em casa. Ligada no “Carrossel”, ela consegue se desligar por 45 minutos do mundo real, depois volta para corrigir a pilha de prova que comprova a petição de miséria da educação.
*Clique aqui para ler a crítica na íntegra no site para o qual escrevo : COISAS DE NOVELA.



