sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Turismo Nacional - Curitiba: Bonita e Destruída

Sempre ouvi dizer que Curitiba é uma cidade modelo, turística e bonita, só esqueceram de dizer que ela está destruída. Ainda há coisas interessantes para se ver, porém o conjunto não é merecedor de grandes esforços, principalmente para mochileiros. Acredito que a capital do Paraná pode ser uma boa opção para casais que tenham condições de se hospedar em algum hotel fazenda, alugar um carro e que estejam procurando mais descanso do que atividades. Ainda assim, se o casal for acostumado a viajar, Curitiba vai ficar devendo. Já para os jovens mochileiros: cuidado, é quase uma cilada.

O transporte público em Curitiba é muito bom para os moradores, mas não é tão bom para os turistas. Devido à linha de ônibus turístico que custa 25 reais e dá direito a cinco paradas entre os cerca de 16 pontos, os famosos tubos atende aos bairros distantes e não aos pontos turísticos. Dessa forma, o viajante tem que decidir entre se hospedar no bairro Batel - lugar bonito, mas sem muita opção de transporte para os cartões postais - ou no Centro, onde há vários pontos próximos, locomoção mais fácil, porém inseguro à noite, feio e sujo.

Assim que cheguei ao aeroporto que fica a 20 km da cidade, tentei ir de coletivo até o centro, mas a cobradora disse que o Ligeirinho (ônibus que custa 10 reais) me deixaria mais próximo do hotel, assim tomei o tal Ligeirinho que fica logo na saída do desembarque. No primeiro dia conheci a pé tudo o que há para se conhecer no centro, tal como:

 ...o Paço da Liberdade que é bonito, apesar dos vários bares, bêbados e mendigos que cercam o prédio...


...a Catedral da Praça Tiradentes que não tem muita graça, algumas praças mal administradas; o parque Passeio Público, o qual tem bastante verde, aves e pontes, um lugar visualmente agradável, porém por incrível que pareça é o ponto de prostitutas idosas, isso mesmo, nunca vi tantas profissionais do sexo juntas, nem mesmo quando, certa vez, peguei um ônibus de Campinas para a Praia Grande. O que me impressionou foi a idade das prostitutas do parque e a abordagem sem vergonha, eram mulheres com mais de 45 anos, gordas e desarrumadas que ficavam piscando o olho para todo o mundo.

No dia seguinte, como não havia um modo mais barato de conhecer os parques distantes da cidade, peguei o ônibus de dois andares turístico. Os pontos que realmente valem a pena descer são poucos, a maioria pode ser visto de cima do ônibus.

Teatro Paiol visto do ônibus.
Deixei para descer nos pontos distantes da cidade, o primeiro foi a Ópera de Arame, que ao meu ver, é o que há de mais bonito e interessante em Curitiba. A arquitetura da ópera chama atenção e o lugar onde foi construída é deslumbrante.

Ópera de Arame.

Cerca de 1,5 km da ópera do Arame, há o Parque Tanguá, resolvi ir andando, assim economizaria um ticcket do ônibus turístico. Apesar de ser perto, não aconselho uma mulher fazer o trajeto sozinha, pois não havia uma alma viva na rua e o parque está situado em bairro estranho, com ar perigoso. O Parque Tanguá não tem nada de especial, mas é simpático, há fontes de água e dá acesso a uma linda visão.

Parque Tanguá.

Visão do alto de uma das torres do parque.

Depois de visitar o Parque Tanguá, esperei por quase 50 minutos o ônibus turístico, houve um atraso injustificado. A próxima parada foi o Memorial Ucraniano, desceu apenas eu e uma chinesa. O lugar é pequeno, porém gostei muito, afinal é uma arquitetura rara de se encontrar no Brasil.

Memorial Ucraniano.
Dessa vez não precisei esperar pelo próximo ônibus e desci na cidade de Santa Felicidade, a qual é uma verdadeira tristeza. Não há nada para fazer e ver por lá, com exceção daqueles que gostam de vinho, ou que querem experimentar o Barreado, comida típica.
Tirei o dia seguinte para conhecer os dois pontos mais famosos da cidade. Do centro, peguei um coletivo que me deixou próximo ao Jardim Botânico, se não me engano a passagem custa R$ 2,10 e dia de domingo apensas 1 real. O palácio de vidro é bonito, mas já tinha visto o original de "Madrid (Clique aqui para ler)", então não me surpreendeu, embora por dentro o de Curitiba seja mais interessante. O que me decepcionou foi que tirando o palácio de vidro, o Jardim Botânico não tem nenhuma outra atração, nem mesmo jardim. No máximo um tímido laguinho.

Jardim Botânico.
Como sobrou um ticket do ônibus turístico, fui do Jardim Botânico ao Museu Oscar Niemeyer, que segundo os curitibanos é o maior museu da América Latina, só não sei se é verdade, afinal de contas, em Curitiba tudo eles dizem que é o maior da América Latina. E por falar no povo, acho importante desmistificar que os nativos são metidos, todos foram bastante solícitos e educados comigo. A única coisa que deixaram a desejar é que eles não sabem dar informações sobre os pontos turísticos, na verdade, a maioria desconhece a própria cidade. Percebe-se que não há um incentivo da prefeitura para o morador disfrutar do município, diferente do que ocorre em cidades como São Paulo.
A entrada inteira do museu custa 4 reais e a meia 2. Vale a pena, o museu é realmente grande. As exposições de Potty enche os olhos e a arquitetura de Niemayer é sempre surpreendente.

Torre do museu, conhecida como "O Olho".

Exposição de Potty.
É possível ver as marcas de uma Curitiba bonita e charmosa que isso ficou no passado. A sujeira tomou conta, os mendigos estão por toda a parte, a juventude dark do centro abusa do crack, os políticos dominaram todos os muros para fazer campanha eleitoral e a policia é algo raro nas ruas. Que saudade de "Gramado (clique aqui para ler)"!

Centro Histórico de Curitiba.

*Leia relatos de viagens pela Europa, América do Sul e Brasil clicando aqui.

0 comentários:

Postar um comentário

Deixe seu comentário.