sábado, 13 de outubro de 2012

Cinema - Filmes emocionantes sobre o Holocausto

Um dos subgêneros do cinema que eu mais gosto são os filmes sobre o Holocausto na Segunda Guerra Mundial. As histórias costumam ser intensas, atípicas, violentas e emocionantes. Uma mistura para quem tem estômago. Além de tramas caudalosas, estas produções possuem um alto teor documental, o que acaba instruindo o espectador sobre o período retratado.

Pensei em fazer uma lista com os cinco melhores filmes deste estilo, assim como fiz com os gêneros de DRAMA e SUSPENSE, porém neste caso acho mais interessante formar um mapa, a fim de ajudar aqueles que buscam entender todas as facetas deste terrível acontecimento, tais como o seu contexto político, cultural e o proceso de arquitetura e execução do genocídio.

A produção que melhor explica o Nazismo e suas consequências é a minissérie americana "Holocausto - A Saga da Família Weiss". Lançada em 1978 e tendo ninguém menos do que Meryl Streep entre os protagonistas, a minissérie narra como o partido nazista conseguiu disseminar o ódio contra os judeus por toda a Europa. A família Weiss do subtitulo serve para mostrar todo o sistema da época: a vida no gueto de Varsóvia, a criação das câmeras de gás, como funcionava cada campo de concentração, a ação do exército russo, a decadência do terceiro reich e a pós-libertação dos judeus.
 Apesar de efeitos técnicos muito aquém dos dias de hoje, a minissérie vale a pena pelas as atuações e principalmente pelo roteiro bem construído, o qual consegue explicar tudo sem ser didático.
Depois de "Holocausto" é possível assistir e entender qualquer recorte de outras produções.

Para quem quer saber mais sobre a resistência no gueto de Varsóvia, indico este que já é um clássico, "O Pianista" (2002). O filme é uma adaptação da autobiografia do pianista Szpilman, foi dirigido por Roman Polanski e estrelado por Adrien Brody. Ganhou o Oscar de melhor roteiro adaptado, melhor direção e melhor ator, além de concorrer como melhor filme. Para fugir dos campos de concentração, o pianista se esconde nos prédios evacuados do gueto, enquanto sofre com a fome e com o fogo cruzado entre os judeus revoltosos e os alemães.

Caso esteja mais interessado pelo sistema de matança nos campos de concentração, o filme ideial é "Cinzas da Guerra" (The Grey Zone, 2001). Além de mostrar como funcionava a execução em massa, o filme trás uma das poucas resistências armada ocorrida em um campo, na qual os prisioneiros conseguiram destruir vários fornos de cremação. Apesar de não focar psicologicamente nas personagens fictícias, a obra consegue chocar com cenas que geralmente são sugeridas, porém evitadas explicitamente, como por exemplo: a agonia das pessoas dentro das câmeras de gás e o trabalho forçado nos crematórios, onde os próprios judeus eram encarregados de colocar seus companheiros no forno.


Além de judeus, negros, deficientes mentais, homessexuais, ciganos e indesejados políticos, os nazistas também dizimaram aldeias inteiras na Bielo-Rússia. O filme "Vá e Veja" (1985) retrata a crueldade com que os alemães matavam os civis do interior do país vermelho. Forte e inquietante, a produção mantém o estranhamento da narrativa do cinema russo. Após o espectador superar a primeira meia hora de estranhamento, a personagem protagonista cai nas graças do público. Um menino de 12 anos sai em busca de comida para aos sobreviventes de sua aldeia, no entanto, encontra alemães no meio do caminho e vive o terror. Dizem que em uma das cenas, o ator teve que ser hipnotizado para não ficar traumatizado. Destaco a sequência final, na qual o diretor faz uma retrospectiva às avessas da trajetória de Hitler.

Cena de "Vá e Veja", soldados alemães posam para tirar foto com civil russo.

Àqueles que não tem coragem de ver cenas violentas, mas que querem saber como 30 mil judeus eram mortos por dia, sugiro que assistam ao filme "Amém" (2002). Dirigido por Costa-Gravas, a obra é narrada a partir do ponto de vista dos que promoveram o genocídio. Um soldados evângélico da S.S descobre que os judeus estão sendo exterminados, então ele procura a Igreja Católica, a fim de que o Papa, com toda sua influência, impeça à matança. A igreja se diz incrédula em relação ao genocídio, mas um dos vigários acredita no soldado e o ajuda a convencer aos demais.


 O filme causou polêmica com o seu cartáz, no qual o símbolo da suástica se transforma numa cruz, sugerindo que a Igreja foi conivente com o holocausto, já que entre Hitler e Stanlin, o Papa preferia o modo socialista do primeiro.

Não falarei muito sobre "A Lista de Schindler", pois este é um clássico que quase todo o mundo já viu. Vale dizer que apesar de ser o filme mais rigoroso de Steven Spielberg, não é o mais esclarecedor sobre o tema. O que difere sua abordagem dos outros é que nele é retratado um campo de trabalho, onde em tese havia mais chances de sobrevivência.

Acho importante indicar também filmes em que as personagens são o foco principal e não os acontecimentos. O mais famoso neste estilo é "O Menino do Pijama Listrado", embora mantenha um tom bastante omisso e inocente, o filme tem grandes méritos, principalmente o de conseguir ser melhor que o livro, algo raro quando se trata de adaptações. Outro que foca no ser humano é o cruel e seco "Marcas da Guerra", aconselho a assisti-lo legendado, pois a dublagem compromete o impacto. Também é necessário ter nervos de aço para suportar algumas sequências necrofilicas.

Cena de "Marcas da Guerra"

"A Chave de Sarah" é um dos melhores da categoria humanista. Conta a história de uma menina judia que morava em Paris, ela trancou seu irmão caçula dentro do armário para que ele não fosse capturado pelos próprio franceses. Sem esperar, ela e seus pais são transportados para a Alemanha, enquanto o menino fica trancado no armário, por isso ela faz de tudo para voltar ao apartamento, a fim de destrancar o irmão. Paralelamente a isto, no dias atuais, uma jornalista se muda para o apartamento que há décadas pertencia à família de Sarah. A jornalista então começa a pesquisar para saber o que aconteceu com aqueles que moravam ali antes dela.
A junção de História e Entretenimento na sua melhor forma.



Por fim, indico "Europa, Europa" (1990), conhecido no Brasil como "Filho da Guerra" (criatividade zero). Narra a história real de Solomon, um judeu sortudo que enganou o exército se dizendo alemão. Por engano, o menino acabou se tornando um heroi e foi enviado para a escola da juventude alemã, na qual apenas os arianos poderiam estudar. Numa das cenas mais emblemáticas, Hitler e Stalin dançam valsa, e em outra, Hitlher se enconde dentro do armário tapando as partes íntimas para que ninguém percebesse que ele era circunscidado.
"Europa, Europa", um judeu entre os alemães.
Com este mapeamento de filmes, você passará a entender o holocausto em todas suas facetas.

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