sexta-feira, 14 de março de 2014

Dica de Viagem - Como Viajar para o Exterior Sem Saber Outros Idiomas

Muita gente me pergunta como é que eu viajo para países em que não sei falar a língua. Antes eu também tinha medo, já deixei de ir a muitos lugares devido à barreira do idioma. No entanto, hoje em dia, venci o medo e a única coisa que me impede de viajar é a barreira da falta de dinheiro. Neste post, darei dicas (algumas incomuns) para os "sem-idiomas" preparar as malas até para a Eslováquia.
Várias línguas
Apesar de ter o espanhol fluente, ele não serve em qualquer lugar. E quando eu miro no inglês, acabo acertando no linguajar da novela "A Indomada": "Oxente, my God". Assim sendo, a primeira dica é: não coloque empecilhos se acaso não souber falar nenhum idioma.
Não pense que todo país é como o Brasil: moramos numa nação bastante atrasada em termos turísticos. O gringo classe média que vem pra cá terá muito mais problemas de se achar do que nós na Europa, EUA e até na América do Sul. Isto porque a estrutura é outra.

Ao contrário do que se pensa, o Brasil não recebe tantos turistas assim. Diferente, por exemplo, de algumas cidades da Itália em que parece ter mais turistas do que nativos. Países que recebem muitos estrangeiros, já estão acostumados a dar informações por meio de mímica. Há também mapas gratuitos dando sopa em qualquer esquina, pegue um deles, aponte o dedo para onde quer ir e alguém irá lhe apontar a direção. E mesmo nas cidades em que o fluxo é menor, há uma assistência geralmente eficiente, além de maior boa vontade dos cidadãos para com os turistas.

Também é preciso exercitar a confiança. Devido à violência desproporcional do Brasil e a cultura do "espertismo", somos habituados a não confiar em ninguém. Em Salvador, por exemplo, tenho uma amiga que sempre que pede informação, faze-o no mínimo a duas pessoas diferentes, pois ela acha que o primeiro pode ter dado a informação errada de propósito, "por pura sacanagem", como costuma dizer. Com isso quero destacar, que não podemos prejulgar as dificuldades que encontraremos em outros países por aquilo que conhecemos daqui. É preciso pesquisar de antemão como é a estrutura de informação turística do destino.

Aplicativo Google Translate: todo o mundo tem um celular, portanto, se vai para um país que não sabe o idioma, basta baixar esse aplicativo e assim, quando tiver alguma dúvida, digitar em português e mostrar ao nativo. A parte boa é que não precisa sequer de internet para isso. A Google lançou no ano passado uma versão off-line. Uma mão na roda para quem não quer comprar chip internacional, ainda mais se você for visitar vários países. A parte ruim é que nem todos terão paciência de esperar você digitar a frase e depois responder no seu aparelho, por isso é preciso ser inteligente. Traduza uma frase que possa ser respondida de maneira gestual pelo transeunte.

Em Berna, na Suíça, onde se fala o alemão-suíço, esse aplicativo salvou o meu estômago. Como eu não sabia nada do que estava no cardápio e não sabia pedir sequer no Mac Donalt's, eu digitava o que queria, o aplicativo traduzia e em seguida colocava o celular na cara da atendente. Pronto.

Sorria sem medo de parecer besta: ninguém tem obrigação de dar informação e também não é muito agradável ficar lendo a tela do celular dos outros, portanto, sorria sempre, mostre-se uma pessoa alegre, de bem com a vida (mesmo que não seja). Isto porque, dar informação requer tempo e paciência, logo as pessoas se sentirão com menos pressa de ir embora se você transmitir algum tipo de felicidade.

Tente as fazer rir com a sua situação. Eu sempre digo: "My english is very bad", com uma careta engraçada e com bastante sotaque... Eles acham divertido. E quando demorar de captar a informação, não faça cara de aborrecido, pelo contrário, continue rindo, gesticulando enquanto usa "my god", "lost", vá entretendo o informante, falando coisas sem nexo by Inês Brasil até captar a informação que precisa, depois agradeça com a expressão facial. Não tenha medo do ridículo e nem de parece um pobre coitado. As pessoas gostam de serem úteis a quem se mostra humilde.

Na dúvida, siga os chineses: depois de muito viajar, comecei a observá-los. Eles sempre andam com a família toda, estão sempre com o guia turístico da cidade debaixo do braço (coisa que o brasileiro não compra), estudam antes da viagem e costumam conhecer de maneira aprofundada o lugar em que estão passeando. Desse modo, além de serem bons informantes, caso você tenha uma mapa, eles sempre caminham rumo a algum lugar interessante. Assim, se você estiver perdido, qualquer ponto turístico é lucro.

Abra os olhos e aprenda a ler o mundo: em tempos de Facebook, as pessoas pararam de olhar ao seu redor e de ler coisas que tenham mais de uma linha. Por eu ser do campo da Literatura, tudo para mim é história, é texto... Acredito que tudo pode ser lido como narrativa, não apenas as palavras. Quando alguém está dando uma informação, de certo modo, ela está contando uma história e não é preciso entender o idioma em que esta história está sendo contada, para saber do que se trata.  É nesse sentido que você precisa treinar o olhar.

Em Munich, uma senhora se empolgou e começou a me dar informação em alemão sobre restaurantes. Mesmo sem entender uma palavra, notei a fluência com que falava, as pausas para respirar, os gestos que deixava escapar e lendo isso com atenção, percebi que seu discurso era que o bairro não tinha muitos restaurantes, mas que se eu andasse encontraria alguns, com preços parecidos, que também tinha Fast Food...

Percebi que sua fala era essa porque se eu tivesse que falar sobre os restaurantes de um bairro na estrutura fônica e gestual que ela apresentou, provavelmente, meu discurso seria praticamente o mesmo.

É claro que para obter esse tipo de leitura é preciso treino, aumentar cada vez mais a percepção. A linguagem literária é um ótimo exercício para isso. Viajar também ajuda, principalmente, se for sozinho, pois assim, prestamos mais atenção nos detalhes, o que é essencial para quem busca ser um observador capaz de ler aquilo que não é visível. 

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