sábado, 1 de junho de 2013

Series Finale – The Office e Smash

O último episódio de um seriado sempre é visto pelos seus fãs com uma ponta de medo, expectativa e nostalgia. Tudo junto e misturado.

Após 7 temporadas irrepreensíveis tendo Steven Carrel como protagonista, os roteiristas de “The Office” tiveram que passar por uma prova de fogo: manter o show sem o personagem que monopolizava o interesse do telespectador. A oitava temporada veio e sofreu uma enxurrada de críticas. Sem a presença magnânima de Michael Scott, os episódios variavam entre o bom e o ruim, quando antes a variação se dava entre o excelente e o ótimo.

Última Temporada de "The Office"
Antes que a decadência se atenuasse, resolveram por encerrar a saga do escritório de Scranton em sua nona temporada, a qual começou ainda tendo que convencer o público de que valeria a pena ser acompanhada. A primeira remessa de episódios se mostrou promissora, mas foi a partir dos últimos 8 capítulos que os roteiristas reconquistaram de vez o ânimo dos fãs.

O series finale com 50 minutos foi uma emoção atrás da outra. Com um flash foward de um ano, a equipe do documentário volta para ver como estão os funcionários após o lançamento do filme. Um dos pontos altos do episódio foi a coletiva de imprensa, na qual foram feitas perguntas às personagens que tiraram todas as nossas dúvidas. O resultado foi um final redondo, sem arestas, tão bem executado que qualquer falha anterior foi perdoada ao ponto de não querermos mais que a série tivesse acabado.   

Diferente da maioria das séries que usam a nostalgia da despedida para atrair elogios ao episódio final, “The Office” foi embora cumprindo sua missão de fazer rir. Assim como as personagens principais, todos os coadjuvantes brilharam. Creed, por exemplo, estava mais hilário do que nunca, seus segundos de aparição foram de fazer gargalhar. Em suma: um final redimidor.

“Smash” também tentou se redimir de sua complicada segunda temporada com um final arrebatador. Tanto tentou que não fez questão de esconder esse objetivo. O show foi finalizado com a música “Big Finish”, cuja letra dizia tudo o que os produtores esperavam com este series finale: “Eles esquecerão e perdoarão se você for boa no final. Só dê a eles aquele grande final”. Quase conseguiram.

Última Temporada de Smash
Por mais bem agembrado que tenha sido o derradeiro capítulo, os atropelos de roteiro não puderam ser solucionados, estavam na raiz da temporada. Jimmy, o personagem mais antipático do mundo das séries, foi um erro fatal, um vírus que infectou o programa de tal maneira que para que houvesse um final realmente épico seria preciso que o personagem já não existisse, que morresse uns três episódios antes, coisa que não aconteceu.

O cancelamento repentino também prejudicou qualquer possibilidade do final compensar todos os erros. Caso houvesse um terceira temporada, poderia apostar que Jimmy seria riscado, que a situação de Julia seria melhor explicada e que o plot de Ana faria mais sentido.

Apesar dos pesares, “Smash” teve um final satisfatório, ainda mais levando em consideração seus problemas de gerência. Foi uma série adulta que mostrava os bastidores não só da Broadway, mas do teatro de forma geral, uma espécie de crônica desse setor artístico do qual faço parte. Como diretor teatral é impossível não me identificar com o Derek e perceber as conspirações que fazem parte dos grupos de teatro.

Que venham outros series finales com tanto engajamento de agradar aos fãs como estas duas fizeram.