Após
7 temporadas irrepreensíveis tendo Steven Carrel como protagonista, os
roteiristas de “The Office” tiveram que passar por uma prova de fogo: manter o
show sem o personagem que monopolizava o interesse do telespectador. A oitava
temporada veio e sofreu uma enxurrada de críticas. Sem a presença magnânima de
Michael Scott, os episódios variavam entre o bom e o ruim, quando antes a
variação se dava entre o excelente e o ótimo.
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| Última Temporada de "The Office" |
Antes
que a decadência se atenuasse, resolveram por encerrar a saga do escritório de
Scranton em sua nona temporada, a qual começou ainda tendo que convencer o
público de que valeria a pena ser acompanhada. A primeira remessa de episódios
se mostrou promissora, mas foi a partir dos últimos 8 capítulos que os roteiristas
reconquistaram de vez o ânimo dos fãs.
O series finale com 50 minutos foi uma emoção atrás da outra. Com um flash foward
de um ano, a equipe do documentário volta para ver como estão os funcionários
após o lançamento do filme. Um dos pontos altos do episódio foi a coletiva de
imprensa, na qual foram feitas perguntas às personagens que tiraram todas as nossas
dúvidas. O resultado foi um final redondo, sem arestas, tão bem executado que
qualquer falha anterior foi perdoada ao ponto de não querermos mais que a série
tivesse acabado.
Diferente
da maioria das séries que usam a nostalgia da despedida para atrair elogios ao
episódio final, “The Office” foi embora cumprindo sua missão de fazer rir. Assim
como as personagens principais, todos os coadjuvantes brilharam. Creed, por
exemplo, estava mais hilário do que nunca, seus segundos de aparição foram de
fazer gargalhar. Em suma: um final redimidor.
“Smash”
também tentou se redimir de sua complicada segunda temporada com um final arrebatador.
Tanto tentou que não fez questão de esconder esse objetivo. O show foi
finalizado com a música “Big Finish”, cuja letra dizia tudo o que os produtores
esperavam com este series finale: “Eles esquecerão e perdoarão se você for boa
no final. Só dê a eles aquele grande final”. Quase conseguiram.
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| Última Temporada de Smash |
Por
mais bem agembrado que tenha sido o derradeiro capítulo, os atropelos de roteiro
não puderam ser solucionados, estavam na raiz da temporada. Jimmy, o personagem
mais antipático do mundo das séries, foi um erro fatal, um vírus que infectou o
programa de tal maneira que para que houvesse um final realmente épico seria
preciso que o personagem já não existisse, que morresse uns três episódios
antes, coisa que não aconteceu.
O
cancelamento repentino também prejudicou qualquer possibilidade do final
compensar todos os erros. Caso houvesse um terceira temporada, poderia apostar
que Jimmy seria riscado, que a situação de Julia seria melhor explicada e que o
plot de Ana faria mais sentido.
Apesar
dos pesares, “Smash” teve um final satisfatório, ainda mais levando em
consideração seus problemas de gerência. Foi uma série adulta que mostrava os
bastidores não só da Broadway, mas do teatro de forma geral, uma espécie de
crônica desse setor artístico do qual faço parte. Como diretor teatral é
impossível não me identificar com o Derek e perceber as conspirações que fazem
parte dos grupos de teatro.
Que
venham outros series finales com tanto engajamento de agradar aos fãs como estas
duas fizeram.





