Com cinco indicações ao Globo de Ouro e com grandes
chances no Oscar, “Argo” é o filme metalinguístico da vez. Dirigido, produzido
e protagonizado por Ben Aflleck, o drama dos americanos presos no Irã é quase
perfeito.
Para resgatar seis diplomatas perseguidos em Teerã, o
agente Tony Mendez (Affleck) se passa por produtor de um falso filme de ficção
científica chamado Argo e vai para o Irã com a desculpa de procurar locações
exóticas. Ao encontrar o grupo refugiado na casa de um canadense, Tony tenta
convencê-los a se passar por membros da sua equipe cinematográfica, para que
assim, possam burlar a segurança do aeroporto e deixar o conflituoso país
mulçumano.
Baseado numa história real, o filme transita muitíssimo
bem entre ação, suspense, drama e documentário. O elenco é de primeira
qualidade. Destaque para o grupo cativo que soube transmitir toda angustia da
situação. Com um jogo de montagem eficiente, o suspense sobre o resultado do
plano se manteve até o último minuto sem parecer forçado. A contextualização
histórica foi outro ponto positivo, todas as informações políticas importantes foram
transmitidas sem cair no didatismo.
O que impede que “Argo” seja impecável é a
onipresença de Ben Affleck, o astro bem que poderia ter se contentado com a
direção e a produção, pois sua interpretação aqui chega a ser desestimulante.
Talvez por ser o comandante da obra, ele optou por uma atuação distante, o que
acabou comprometendo o vigor de seu personagem. O roteiro com elipses bem
elaboradas, por vezes, dá uma escorregada na tentativa de humanizar o agente
salvador, como se alguém que vai ao Irã resgatar pessoas precisasse ser
humanizado.
A complicada vida pessoal do protagonista não
poderia ser mostrada de maneira mais clichê. Cara de cachorro abandonado,
frases melosas, tempo de silêncio no telefone, lugares tão comuns que destoam
da incrível história principal
Apesar destas arestas, “Argo” está acima da média, e
num ano não muito auspicioso cinematograficamente, Ben Affleck tem plenas condições
de ser indicado ao Oscar de melhor diretor, já como ator, o prêmio merecido é o
Framboesa de Ouro.
Nota 8,5.
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Com cinco indicações ao Globo de Ouro e com grandes
chances no Oscar, “Argo” é o filme metalinguístico da vez. Dirigido, produzido
e protagonizado por Ben Aflleck, o drama dos americanos presos no Irã é quase
perfeito.



