quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Cinema – Na Terra de Amor e Ódio: Angelina Jolie aparece sem aparecer


No início da década de 90, na antiga Iugoslávia, um casal se conhece na véspera da guerra entre sérvios e bósnios. Danijel e Ajla se gostam, porém, por serem de povos inimigos, a relação se torna bastante atípica quando ela vai parar no campo de concentração, onde ele é um dos comandantes. Com um problemão desses, fica difícil confiar plenamente e o romance vive à beira de um precipício, qualquer discussão pode acabar em morte.
Angelina Jolie dirigindo.

É de se estranhar que com um argumento tão bom, o filme “Na Terra de Amor e Ódio” (2012), o primeiro de Angelina Jolie como diretora, tenha dividido a crítica.  Muitos se perguntam porque a mulher de Brad Pitt, tão bonita e rica, foi se aventurar nesta nova empreitada. É como se dissessem: “Ela não pode ser mais do que isso. Já não basta tudo o que tem?”.  E a resposta, para a infelicidade dos que torcem contra, é não. Angelina quer ser muito mais e a julgar pelo seu primeiro longa-metragem, ela vai conseguir.

O filme conta com um elenco de nativos, os protagonistas foram bem escolhidos e apesar do romance incomum, há química entre eles. Angelina não aparece atuando, mas é possível perceber sua presença na direção, no roteiro e na produção, tanto para o bem quanto para o mal. Os créditos finais fazem questão de mostrar que todos estes três cargos foram ocupados apenas por Angelina. 

A produção é impecável. E na direção, Jolie prova que é mais macho do que muito Steven Spielberg. Ela não foge das cenas de violência e horror, pelo contrário, retrata o desenvolvimento da guerra de maneira crua e executa um final que impressiona pela coragem, fazendo o queixo do espectador cair. Estes são seus principais méritos, o que já são suficientes para tornar o longa imperdível.

O incrível cartaz de "Na Terra de Amor e Ódio".
É no roteiro, no entanto, que Angelina foi massacrada. Acusaram-na de ser parcial e maniqueísta, colocando os sérvios como os vilões e os bósnios como os mocinhos. E é verdade. A imparcialidade passou longe, porém, como entretenimento, isto em nada atinge a qualidade, e sim, torna-o mais assimilável. O problema é que pelo tema indigesto, o filme foi vendido há uma a m grupo pensante que não se conforma com a parcialidade histórica. 

Mesmo com alguns deslizes no roteiro, inclusive umas três frases bastante cafonas, o saldo é positivo. Diretores consagrados como James Cameron e Martin Scorsese são muito mais cafonas e nem por isso deixam de ser premiados e aplaudidos. “Na Terra de Amor e Ódio” não é para ser visto como um documentário, ou uma aula sobre a guerra, mas sim como um drama politicamente despretensioso. A preocupação da diretora está no comportamento psicológico das personagens diante uma situação extrema, o que foi trabalhado com louvor.

O verdadeiro pecado do filme nem sequer é culpa de Angelina. Ela gravou em inglês, porque os americanos não gostam de ler legenda, o que afetaria a bilheteria, mas também gravou no idioma nativo, infelizmente as cópias têm sido distribuídas com o áudio americano, algo totalmente sem sentido: uma história que se passa na bósnia, falada em inglês e com legenda em português. Quando o DVD for lançado esta questão do idioma será resolvida.

Em suma: Angelina Jolie é melhor como diretora e produtora do que como atriz (suas interpretações nunca chegaram a ser excelentes), só falta melhorar um pouco como roteirista, mas mesmo assim, ela está acima da média dos que escrevem em Hollywood.

Nota 8.


5 comentários:

  1. Ñ pretendo assistir esse filme ñ me interessei, (DIANA)

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  2. Diana, pela temática, o filme chega a ser um pouco indigesto mesmo. Obrigado pelo comentário.

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  3. Parece ser um ótimo filme, gosto desse tema, além de ser um conflito pouco explorado pelo cinema. E estou curioso em ver a Angelina na direção\produção, ela tem tudo para dirigir mais filmes, afinal se mostra esforçada. Obrigado pela dica! abçs!

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  4. Fernando, se você gosta desse tema, vale a pena sim você conferir o filme. Acho que vai gostar. Abraço.

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  5. gostei muito, bom filme retratou a realidade da guerra da Bósnia muitas atrocidades com crianças e mulheres simplesmente por seres mulçumanos sunitas

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