No início da década de 90, na antiga Iugoslávia, um
casal se conhece na véspera da guerra entre sérvios e bósnios. Danijel e Ajla
se gostam, porém, por serem de povos inimigos, a relação se torna bastante
atípica quando ela vai parar no campo de concentração, onde ele é um dos
comandantes. Com um problemão desses, fica difícil confiar plenamente e o
romance vive à beira de um precipício, qualquer discussão pode acabar em morte.
É de se estranhar que com um argumento tão bom, o
filme “Na Terra de Amor e Ódio” (2012), o primeiro de Angelina Jolie como diretora, tenha
dividido a crítica. Muitos se perguntam
porque a mulher de Brad Pitt, tão bonita e rica, foi se aventurar nesta nova
empreitada. É como se dissessem: “Ela não pode ser mais do que isso. Já não
basta tudo o que tem?”. E a resposta,
para a infelicidade dos que torcem contra, é não. Angelina quer ser muito mais
e a julgar pelo seu primeiro longa-metragem, ela vai conseguir.
O filme conta com um elenco de nativos, os
protagonistas foram bem escolhidos e apesar do romance incomum, há química
entre eles. Angelina não aparece atuando, mas é possível perceber sua presença
na direção, no roteiro e na produção, tanto para o bem quanto para o mal. Os
créditos finais fazem questão de mostrar que todos estes três cargos foram
ocupados apenas por Angelina.
A produção é impecável. E na direção, Jolie prova
que é mais macho do que muito Steven Spielberg.
Ela não foge das cenas de violência e horror, pelo contrário, retrata o
desenvolvimento da guerra de maneira crua e executa um final que impressiona
pela coragem, fazendo o queixo do espectador cair. Estes são seus principais
méritos, o que já são suficientes para tornar o longa imperdível.
![]() |
| O incrível cartaz de "Na Terra de Amor e Ódio". |
É no roteiro, no entanto,
que Angelina foi massacrada. Acusaram-na de ser parcial e maniqueísta, colocando
os sérvios como os vilões e os bósnios como os mocinhos. E é verdade. A imparcialidade
passou longe, porém, como entretenimento, isto em nada atinge a qualidade, e sim, torna-o mais assimilável. O problema é que pelo tema indigesto, o
filme foi vendido há uma a m grupo pensante que não se conforma com a parcialidade
histórica.
Mesmo com alguns deslizes
no roteiro, inclusive umas três frases bastante cafonas, o saldo é positivo. Diretores
consagrados como James Cameron e Martin Scorsese são muito mais cafonas e nem
por isso deixam de ser premiados e aplaudidos. “Na Terra de Amor e Ódio” não é
para ser visto como um documentário, ou uma aula sobre a guerra, mas sim como
um drama politicamente despretensioso. A preocupação da diretora está no comportamento
psicológico das personagens diante uma situação extrema, o que foi trabalhado
com louvor.
O verdadeiro pecado do
filme nem sequer é culpa de Angelina. Ela gravou em inglês, porque os
americanos não gostam de ler legenda, o que afetaria a bilheteria, mas também
gravou no idioma nativo, infelizmente as cópias têm sido distribuídas com o
áudio americano, algo totalmente sem sentido: uma história que se passa na
bósnia, falada em inglês e com legenda em português. Quando o DVD for lançado
esta questão do idioma será resolvida.
Em suma: Angelina Jolie é
melhor como diretora e produtora do que como atriz (suas interpretações nunca chegaram
a ser excelentes), só falta melhorar um pouco como roteirista, mas mesmo assim,
ela está acima da média dos que escrevem em Hollywood.
Nota 8.






Ñ pretendo assistir esse filme ñ me interessei, (DIANA)
ResponderExcluirDiana, pela temática, o filme chega a ser um pouco indigesto mesmo. Obrigado pelo comentário.
ResponderExcluirParece ser um ótimo filme, gosto desse tema, além de ser um conflito pouco explorado pelo cinema. E estou curioso em ver a Angelina na direção\produção, ela tem tudo para dirigir mais filmes, afinal se mostra esforçada. Obrigado pela dica! abçs!
ResponderExcluirFernando, se você gosta desse tema, vale a pena sim você conferir o filme. Acho que vai gostar. Abraço.
ResponderExcluirgostei muito, bom filme retratou a realidade da guerra da Bósnia muitas atrocidades com crianças e mulheres simplesmente por seres mulçumanos sunitas
ResponderExcluir