Quando Titanic foi lançado há quinze anos, o cinema mais próximo da minha cidade ficava a 280 km de distância. Logo, a opção mais viável era esperar o filme chegar às locadoras. Naquela época em Capim Grosso, cidade em que morava, havia duas locadoras, cada uma comprou um exemplar que vinha com duas fitas, já que às 3 horas de duração não cabia numa só.A fama de Titanic era algo fora do comum, ele era o filme mais caro, campeão de bilheteria, ganhador supremo do Oscar, polêmico devido aos boatos de que espectadores morreram durante sua exibição... Isso tudo fez com que os habitantes ficassem empolvorosos para assistí-lo.
Depois de um mês indo quase todos os dias à locadora enfim consegui alugar e constatei que não havia exagero no frisson causado pela obra de James Cameron.
Com o centenário do naufrágio do navio e com a moda em transformar 2D em 3D, Titanic ganhou sua versão IMAX feita frame por frame pelo lunático diretor conhecido por seu perfeccionismo. Mesmo com a suspeita de que o objetivo maior desta conversão foi o interesse comercial, resolvi conferi, principalmente devido minha nova realidade de vida. Hoje em dia moro na principal avenida de São Paulo e vizinho a um cinema Cinemark.
Apesar da grande mudança entre minhas condições do passado e do presente, o filme continua totalmente igual. As cenas, as sequências e os planos são os mesmos, porém o 3D lhe confere um rico detalhamento que chama a atenção. Ao contrário do que a maioria espera da tecnologia de terceira dimensão - coisas saindo da tela em direção ao expectador - Cameron faz um 3D invertido, para dentro. Quem esperava vê a água em sua direção como se fosse lhe molhar, provavelmente se decepcionará fatalmente.
Cena do TITANIC afundando.
O que de fato fará diferença nesta experiência de ver Titanic em 3D será a ligação passada que você tem com o filme. Aos que buscam um programa impactante, sinto informar: o único impacto continua sendo a já conhecida tragédia melodramática.
Foi muito bom ter a oportunidade de ver esta grande produção no cinema, mas para quem já teve esta sorte em 1997, talvez fique indiferente à sutileza do 3D.




