segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Buenos Aires - Ver e Fazer - Parte 1

Obelisco.
Nos outros dois posts sobre Buenos Aires aqui no blog, eu já havia destacado a crescente quantidade de moradores e turistas brasileiros na capital porteña. Como diria Pháttyma, a personagem cômica da minha peça "Perdas & Sobras", sinto e pressinto que a Argentina se entupirá ainda mais de brasukas. 

Segundo a Revista Veja, depois da novela Da Cor do Pecado, o turismo em São Luís do Maranhão, positivamente falando, nunca mais foi o mesmo. O que uma coisa tem a ver com outra? É que em breve estreará o novo folhetim das seis: "A Vida da Gente", a qual terá locações em BsAs e interior. Agora que viajar para o exterior vizinho já é comum, imagine quando a Globo mostrar as paisagens argentinas daquela forma que só ela sabe fazer: atores famosos dialogando em meio aos pontos turísticos, planos abertos bem feitos com fundos musicais número 1 nas paradas. Gostando ou não, há que se admitir que a Vênus Platinada dita moda e comportamento.
        
Já disse antes que visualmente, Buenos Aires não é todo esse colírio que sua fama faz crer. O charme tão pregado é uma falácia. Conceituaria como uma grande cidade da América do Sul que tem lá coisas bonitas para serem vistas, assim como São Paulo também tem. Acredito que o melhor de Buenos Aires é o contato com outra cultura, sua agenda cultural e algumas cidades próximas que valem muito a pena serem visitadas, principalmente se tiver calma e alguém para conversar durante o passeio.

Na avenida 9 de Julio, a qual os nativos dizem que é a mais larga do mundo, é um dos lugares de Buenos que mais gostava de estar. Além do Obelisco ser realmente interessante, a sensação que se tem é de estar no centro do mundo, onde tudo acontece. Também é um bom local para se socializar com turistas, fiz amizades com duas chilenas em frente ao monumento.

Andar pela Corrientes a partir do número 2.000 era uma agradável rotina para mim, pois como morava praticamente nesta rua a menos de 1 km do Obelisco, aproveitava o caminho para ver os inúmeros sebos, livrarias, lojas de Cds, DVDs, sem contar os teatros, cinemas e centros educacionais, nos quais sempre havia palestras e seminários literários de graça.

Enquanto procurava emprego e estudava, também tirava tempo para fazer turismo e nesta missão, com minha amiga Dayonara, uma brasileira que conheci por lá, visitei pontos clássicos, como: a Feira de San Telmo, Flor da Recoleta e o cemitério onde está enterrado o corpo de Evita Perón...


Dia de domingo a Feira de San Telmo fica lotada. É bom caminhar pelas ruas vendo as relíquias que são vendidas a preços razoáveis, mas é preciso tomar cuidado para não se distrair com a multidão e acabar sendo furtado.

Relíquias na Feira de San Telmo.




No bairro da Recoleta, onde há a famosa Flor Metálica, é muito comum ver famílias fazendo piquenique, jovens tomando mate e curtindo o verde. Caso tenha tempo, recomendo ir com calma à Recoleta. Dos bairros residienciais foi o que mais gostei. O acesso para quem não tem carro é o que dificulta um pouco. Em todo o caso, vale a pena sentar perto da Flor, comer um alfojor, vê-la se abrir ou se fechar dependendo do horário.

Flor da Recoleta, o ponto turístico que mais gostei de Buenos Aires.
Pode parecer mórbido, mas a visita ao Cemitério da Recoleta é uma boa atividade. Primeiro porque os mausoléus são arquitetônicamente bonitos. Segundo porque há muita história em meio as tumbas de pessoas importantes para o país.


Túmulo de Evita Perón.
Durante a faculdade, numa época em que ir para a Argentina nem passava pela minha cabeça, fiz um trabalho de espanhol sobre o bairro Puerto Madero, então estava ansioso para conhecê-lo. Inacreditavelmente, gostei mais de Puerto Madero através do trabalho do que ao vivo. O bairro é limpo, agradável, mas não é tão extraordiário como esperava. Caso tenha dinheiro, almoce numa das caríssimas churrascarias que ficam à margem dos diques, entre no barco-museu que é barato e atravesse El Puente de la Mujer.

Barco-museu de Puerto Madero. 
 
El Puente de la Mujer
 Quatro quadras da minha casa, na Rua Rivadavia, deparei-me com o Congresso e fiquei extasiado. É de fato uma obra imponente, porém o descuido municipal atrapalha. O lugar está sujo, cheio de camelôs e a praça da frente que é linda fica fechada. De todos os lugares que já fui na minha vida, nunca vi uma praça fechada. Seria compreensivo se a tivessem fechado para reformas ou algo do tipo, mas procurei saber e a trancaram simplemente para não terem que gastar com manutenção. Um absurdo! E o turista que tente imaginar como ela é por dentro.

Congresso.

Uma grata surpresa em Buenos Aires foi "La Rosália", o engraçado é que não se fala muito deste lugar nos pacotes turísticos, porém é encantador, principalmente para os casais de namorados e famílias. Cheio de flores, pedalinho para andar pelo rio, um ótimo cenário para tirar fotos... Sua localização se encontra há poucos metros da estação da Plaza Itália, próximo também ao zoológico da cidade.
La Rosália.


A maior decepção de Buenos Aires atende pelo nome de Casa Rosada, tudo bem que a presidenta trabalhe lá, mas como turista achei a tal casa sem graça e muito laranja. A praça 15 de Mayo também fica devendo e muito.

Casa Rosada - Nada demais.

A favela, que dizer, o bairro La Boca é de difícil acesso. Caso você não saiba andar de ônibus, é melhor pegar um táxi, pois é muito perigoso dar bobeira por lá. Foi o lugar que tive mais medo de ser assaltado. O cenário colorido é bastante apropriado para tirar fotos, também é o melhor lugar para se comprar lembrancinhas.

Caminito.

Tango na rua.
Para quem gosta de museu, pode ir ao MALBA, é lá onde se encontra o Abapuru de Tarsila do Amaral, apesar de algumas esculturas e pinturas interessantes, o museu é pequeno e pode frustrar àqueles que estão acostumados com grandes exposições. A entrada custa 10 pesos.

Dentro do Malba.

Obra de Arte.
Não posso terminar este post sem falar da Calle Flórida, a rua mais cheia de brasileiros de toda Buenos Aires. Cuidado, é uma roubada. Ser furtado por lá é muito fácil, ainda mais se você for o típico turísta brasileiro que fala alto e não tem vergonha de mostrar-se um consumidor ávido. Os preços não são tão bons quando dizem. Na Galeria Pacífico, por exemplo, tudo é muito caro, mas vale a pena conhecer e tirar algumas fotos.

Calle Florida e Galeria Pacífico ao fundo.

Galeria de Luxo.
Ainda há mais coisas para ver e fazer em Buenos Aires, no próximo e último post sobre esta série falarei sobre as cidades circu-vizinhas: Tigre, San Isidro, La Plata. Essas sim, posso garantir, não há decepções. Lembrando que Buenos Aires tem uma agenda cultural muito boa, então antes de embarcar para o país de Los Hermanos é sempre bom pesquisar para saber os eventos que estão rolando.

Encerro o post com a foto da "Torre Babel" feita com mais de 20 mil livros. Ela já foi desmontada, porém outras propostas similares virão, pois a cidade neste ano de 2011 foi coroada como capital do livro.

0 comentários:

Postar um comentário

Deixe seu comentário.