Como tudo que é ruim pode piorar, a Rede Record cheia do dinheiro (duvidoso ou não) começou a investir pesado na teledramaturgia, esperava-se então produtos diferentes, mas o apelido de Recópia não veio à toa, a emissora da Barra Funda copiou toda a métrica já saturada, ou seja, mais do mesmo.
O SBT que exibia novelas bastante originais no início da década de noventa, acabou se perdendo no setor e ficou desacreditada pelo público.
Toda vida inteligente, criativa e experimental no Brasil ficou com o cinema. Apesar do preconceito que se tem com as produções cinematográficas nacionais, nossas películas dão um banho no que é feito na TV, ou melhor, no que é feito nesta fábrica de sabão, onde a única coisa que conta é a audiência desqualificada.
Já nos Estados Unidos, ocorreu o efeito contrário. Enquanto o cinema se tornou uma indústria que produz só para vender a um público alienado, a televisão se tornou o celereiro da criatividade para atender a consumidores mais exigentes.
Neste mês de setembro, três ótimos programas da TV americana iniciaram nova temporada: Glee, Desperate Housewifes e The Office. Cada um no seu estilo, porém semelhantes na forma séria com a qual são produzidos. Enquanto que no Brasil se brinca de fazer seriado com episódios avulsos, de baixo custo e de fácil assimilação, os norte-americanos trabalham na base da superação. Cada episódio tem que ser melhor que o outro, cada diálogo mais inteligente. Eles capricham no prato, já os tupiniquins servem o que tiver na geladeira.

Glee: ironiza o glamour dos musicais.
Gostei mais do que esperava. Primeiro porque as músicas cantadas eram conhecidas; segundo porque os atores/cantores não eram pessoas platificadas como acontecem na maioria dos musicais; terceiro porque havia um roteiro bastante concreto e diálogos excepcionais. A vilã Sue Silvester conta com a engajada interpretação de Jane Lynch, mas o que fez a maléfica treinadora cair no gosto do público foram suas falas bem construídas, frases que possuem um sarcamos funcional de primeira grandeza.
Quando Glee virou modinha surgiu o preconceito. Não se pode menosprezar e julgar o programa tendo como base o perfil marjoritário dos fãs, os chamados Gleeks. É verdade que durante a segunda temporada, o seriado decaiu um pouco, atribuo a isto a mudança de conflitos pessoais para gerais, onde o maior problema passou a se concentrar na vitória ou derrota do clube nos concursos. Os episódios temáticos homenageando Madonna e Britney Spears ajudaram nesta queda, pois se tornou óbvio a quebra de enredo.
Se na primeira temporada as músicas serviam ao roteiro, na segunda, o roteiro passou a figurar e a servir como desculpa para introduzir as músicas. Espero que os produtores corrijam esse erro durante a terceira temporada.
Assisti ao primeiro episódio desta nova safra, mas não dá para fazer uma crítica exata, premiere não serve como parâmetro, é preciso esperar para ver se esta será um season melhor amarrada. De todas as formas, Glee continua tendo seus méritos e divertindo.
Pôster de DESPERATE HOUSEWIVES em Buenos Aires.
Quando vi este enorme pôster de Desperate na avenida principal de Buenos Aires tomei um susto, não sabia que na Argentina a série fosse tão querida. Assisti aos primeiros episódios na Rede TV e viciei. O humor negro e as narrações de Mary Alice na entrada e no encerramento eram os pontos altos, sem falar na edição dinâmica, os quarenta minutos pareciam vinte.
Depois de sete temporadas com altos e baixos, a emissora confirmou que a oitava será a última. O bom desta decisão é que o programa terminará no ápice e não correrá o risco de se repetir nos mistérios de Wisteria Lane, algo que já estava começando a ocorrer, e também evitará erros de continuação, o que já estava se tornando cada vez mais frequente. A sétima temporada fechou um ciclo aberto desde o começo e a oitava discorrerá sobre uma morte envolvendo todas as protagonistas. Parece ser o momento ideial para pôr o ponto final.
Além de ser a dramédia mais bem escrita que se tem notícia, Desperate se tornou um fenômeno devido ao seu elenco de peso. Ter Felicity Huffman, indicada ao Oscar por Transamérica, prova o que digo. Aliás, sem querer desmerecer Marcia Cross, Eva Longoria e a Teri Hatcher, pois as três defendem suas personagens impecavelmente, Felicity é a responsável pelas cenas mais impactantes do show. Para que não digam que estou mentindo, basta assistir aos episódios BANG (3x7), Something's Coming! (4x9) e If (6x11).
Acredito que esta última temporada surperará as demais, afinal possue um ótimo gancho.
A maior das incógnitas fica por conta da nova temporada de The Office, a madura série cômica que narra o dia-a-dia dos funcionários em um escritório. O seriado sempre girou feito bomba gira em cima da personagem Michael, porém o seu intérprete, Steven Carell, deixou a televisão para se dedicar somente ao cinema.

The Office: inteligente e engraçada.
Confesso que inicialmente tinha bastante antipatia pelo chefe non-sense, preferia a trama de Pam e Jim, mesmo consciente de que eram as loucuras de Michael que faziam as piadas funcionarem. Duas temporadas depois, a antipatia acabou e passei a entender aquela personagem fonte de vergonha alheia. Usarei uma frase que é sempre usada na comunidade do seriado no Orkut: The Office é bom até mesmo quando é ruim.
O humor baseado no constrangimento e em referências à cultura pop mesclado com a estrutura de pseudo-documentário resultou no seriado mais engraçado, sarcático e influente dos Estados Unidos.
Os roteiristas de The Office são excepcionais, impressionante como fazem de tudo para não deixar a peteca cair. Usaram a saída "quase" insubstituível de Carell ao seu favor. O gancho para a próxima temporada é: Quem será o novo chefe?
Quem substituirá Michael Scott?
Enquanto os telespectadores assistem ao primeiro episódio da oitava temporada apenas para saber quem será o substituto, os roteiristas aproveitam esta curiosidade para provar que ainda existe graça pós-Steven Carell. O futuro da série dependerá desta premiere, pois se o público não for convencido de imediato, assim que o mistério da substituição for resolvido, possivelmente abandonará a comédia. Outro seriado que passa pela mesma delicada situação é Two and a Half Men.
Vale ressaltar que das três séries comentadas neste post, The Office é a que mais se mantém equilibrada no que diz respeito à qualidade.
Boa temporada a todos.






"Glee" só presta por causa da Sue. Mas, não sei não, acho que a personagem está perdendo um pouco da graça que tinha antes... Enfim. Vamos ver.
ResponderExcluir"The office" me decepcionou PROFUNDAMENTE com a escolha do novo gerente. A saida do Steve os abalou e eles não souberam lidar com isso. Fizeram um espetáculo em cima da seleção, mas no fundo estavam (e ainda estão) apavorados, mostrando uma imaturidade que eu não entendo, já que eles são tão inteligentes.