Após várias adaptações pude colocar um ponto final na minha jornada pelo UNASP com um drama original daqueles que apenas eu tenho coragem de apresentar. Quem já leu os outros posts sobre teatro sabe que minha primeira obra foi um drama trágico, tenho uma verdadeira paixão pela tragédia ao estilo méxicano-baiano. Não sei se é possível, mas foi exatamente isso que fiz com "Pecados Escabroso", "Das Tripas Coração" e voltei a fazer com "Psicologia de Almodóvar".
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| Cena da peça: Almodóvar matando mais um. |
Nesses três dramas trágicos interpretei vilões, porém apenas nesta última o antagonista era ao mesmo tempo protagonista.
Usei o nome do famoso cineasta espanhol não somente para chamar atenção, batizei o personagem principal com o seu nome porque a peça seguia o estilo bizarro realista/naturalista que possui as películas de Pedro, além disso a trilha sonora foi composta por alguns temas de seus filmes, uma forma de homenagear este diretor que tanto gosto.
Almodóvar é um psiquiatra que vive com a sua irmã adotiva, ele a trata muito mal, inclusive chamando-a de aleijada, já que ela é manca. O péssimo tratamento, na verdade, esconde a sua paixão por ela. Quando Suzane começa a namorar, ele fica desconsolado e descontrolado, inicia um romance com sua paciente bipolar Rafhaella e passa a cometer vários assassinatos transformando-se em um frio serial killer.
Pode-se pensar ao ler a sinopse que a montagem é forte demais, porém tomei cuidados para amenizar os acontecimentos do roteiro. O tempo em que se passa a ação é o ano de 1997, assim os atores puderam usar um figurino trash que fazia os espectadores rirem, na trilha sonora havia uma música das Chiquititas, tocava também Maria la de Barrio e a personagem bipolar vivida por Mayra Andrade foi a mais cômica que já escrevi, tudo isso para diminuir o teor trágico.
No vídeo de abertura usei a música "Perdona" de Tiziano Ferro que mesclava imagens de um jovem dirigindo, fazendo referência a uma cena da peça, e fotos de vilões (Nazaré, Soraia, Flora) e pensadores conhecidos da Psicologia (Freud, Carl Rogers). Veja:
A primeira cena se tratava de um flash foward, ou seja, uma ação que ainda iria acontecer, algo realmente raro de se fazer no teatro. Ao som de "Lo Dudo", Almodóvar entrava na igreja junto ao padre para se casar, mas o espectador ainda não sabia com quem.
Assista a peça:
A música do vídeo final se chamava "Puro Teatro", é sobre uma mulher que diz não acreditar no que o homem fala e que por tanto não irá perdoá-lo, assim sendo a música final dialoga com a inicial. Além de creditar os atores e a equipe técnica, usei o vídeo para fechar a trama de alguns personagens.
"Psicologia de Almodóvar" foi considerada polêmica pela coordenadora do curso e também por alguns espectadores, devo admitir que o público masculino se identificou mais, tanto é que a maioria dos homens disseram que foi a minha melhor peça no UNASP. Espero que tenham gostado.




