*O roteiro da adaptação "Duelo" e de outras peças está disponível em nossa loja no
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Sempre fui de ideias originais, às vezes, originais até demais. Como diria minha amiga Lauren Lins e ex-diretora/produtora das peças teatrais no IAENE, o estilo "uzielico" é muito forte e tento colocá-lo até mesmo nas minhas adaptações.
Sempre fui de ideias originais, às vezes, originais até demais. Como diria minha amiga Lauren Lins e ex-diretora/produtora das peças teatrais no IAENE, o estilo "uzielico" é muito forte e tento colocá-lo até mesmo nas minhas adaptações.
Apesar de preferir o teatro de autor, por assim dizer, ou seja, a história realmente criada por mim, também já adaptei clássicos da literatura para os palcos. Esta é uma tarefa perigosa, pois como dramaturgo é impossível não querer dar pitacos no texto alheio. De todas as maneiras, sigo dois métodos quando se trata de adaptações: fidelidade para algumas e liberdade para outras mantendo apenas a ideia central.
Minha primeira adaptação literária para o teatro foi em 2005 com o livro "O Primo Basílio", de Eça de Queiróz. A montagem foi homônima e fiel.
A obra queiroziana pode ser feita de diversas formas, não à toa, Daniel Filho a fez duas vezes de maneira distinta: a primeira em minissérie protagonizada por Giulia Gam e Tony Ramos, produção fidedigna, sensata e imperdível, ainda mais tento Marília Pêra interpretando a empregada Juliana. A segunda seguiu outro rumo, um filme protagonizado por Débora Falabella e Fábio Assunção. O tempo da história foi levado para os anos 50 e o cenário navegou de Portugal ao Rio de Janeiro. Não foi pelas grandes mudanças que a adaptação cinematográfica ficou a dever e sim porque de Eça de Queiróz não se viu nada.
Minha segunda adaptação foi com "Memórias de um Sargento de Milícias", já fiz um post sobre, clique aqui para assistir. Aqui mais uma vez segui o livro de forma fiel.
Logo em seguida, o professor Davi Oliveira me pediu para apresentar uma peça infantil numa escola pública na cidade de Engenheiro Coelho. Pediu-me que adaptasse o livro de José Saramago, "A Maior Flor do Mundo". E lá fui eu tentar espremer quinze minutos adaptados de um livrinho de 10 páginas. Fiz milagre e assim nasceu minha terceira adaptação. Com algumas mudanças substanciais consegui preservar a ideia principal e para que Saramago estivesse de fato presente, batizei as personagens com nomes que fazem parte da obra saramaguiana, já que no livrinho ninguém tem nome próprio.
Já adaptei "Dom Casmurro" de forma inusitada e também o conto "Trio em Lá Menor", ambos de Machado de Assis. Nestes dois casos, fi-lo mantendo apenas a ideia original, tanto que a primeira se chamou "Amor de Machado" e a outra "Dó Ré Mi Solidão", ambas já foram postadas aqui no blog, é só clicar.
Das minhas adaptações fiéis, a que mais gosto é "Duelo", baseada no conto de mesmo nome de João Guimarães Rosa, faz parte do livro "Sagarana", segundo titulo mais famoso do autor depois de "Grande Sertão: Veredas"
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A história narra um adultério que acabou em morte e dessa morte se origina o tal duelo.
Cartáz da peça.
Mundando apenas a geografia do sertão de Minas Gerais para o sertão da Bahia devido ao sotaque, já que para mim seria mais fácil ensinar os atores a falar "baianês" do que "mineirês" e trocando algumas situações que seriam inviáveis para mostrar no teatro, tal como a barca que na peça virou pousada, a adaptação foi muito bem sucedida.
A escrita de Guimarães não é das mais fáceis, então a produção teatral ajuda o leitor a entender melhor o mundo do autor, mas não faço adaptações apenas por isto, o objetivo principal é entreter independente do roteiro ser adaptado ou original.
Personagens foram mantidos e diálogos foram copiados diretamente do livro. A trilha sonora escolhida caiu como uma luva, vai de Elba Ramalho a Shakira, isso mesmo, nem precisa torcer o nariz, foi tudo muito bem casado.
Eu fiz o papel de Cassiano que perde o irmão após se envolver com Silvana (interpretada magistralmente por Cristina), mulher casada com Turíbio (vivido por Thiago, ator iniciante, paulista da gema que teve que aprender o sotaque baiano "na tora"). Destaco a participação de João, o interprete de Timpim, personagem que aparece quase no fim da trama, mas que consegue roubar a atenção para si, ainda mais sendo vivido por um ator tão talentoso.
Assistam a peça começando pela abertura embalada pela música "Borboletas", de Zé Ramalho:
Espero que tenham gostado e ajudado para que o conto não seja um fardo, caso o tenha que ler para fazer vestibular. A literatura é mais divertida do que parece.





Meus parabéns Uzil!
ResponderExcluirEstou fascinado pelas fotos!
Meus parabéns Uzil!
ResponderExcluirEstou fascinado pelas fotos!
Obrigado, Renan. Seja sempre bem-vindo aqui no blog, meu caro.
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