quinta-feira, 26 de maio de 2011

América do Sul - Grande Uruguay

O titulo do post pode parecer ironia já que o Uruguay é um país muito pequeno, caso não esteja enganado, 500 por 400 quilômetro, algo por aí, ou vice-versa. Porém mesmo com pouco espaço é engraçado como há vários países dentro dele. E digo isso porque das cinco cidades que visitei por lá parecia que cada uma pertencia a outro continente. Contraste, beleza, simpatia, carestia e pobreza. Este é o Uruguay que conheci.

Sai do centro de Buenos Aires, às sete da matina num frio de cinco graus, peguei o metrô da linha B até a última estação, caminhei duas quadras e cheguei ao terminal aquático (se é que isso existe). Comprei a passagem pela empresa Seacat, só depois descobri que esta foi comprada pela famosa Busquebus. Peguei o ferryboat às 9 horas e 60 minutos depois cheguei à Colonia De Sacramento, primeira cidade do Uruguay. Tenho que dizer que a pequena viagem de barco é muito tranquila, o navio é grande, tem até um Dutty Free, loja que vende produtos importados, principalmente cosméticos.

Loja dentro do barco.

Deixando Buenos Aires rumo ao Uruguay.
Logo que sai do barco já fui entrando num ônibus da rodoviária de Colonia que fica ao lado do porto e parti para Montevidéu. Ao meu lado sentou uma argentina muito bonita, porém casada, ficamos conversando sobre a situação periclitante do seu país, onde ninguém está podendo comprar meio quilo de carne devido ao alto preço, inclusive eu, diga-se de passagem. Durante a conversa ela me alertou que no Uruguay as coisas eram ainda mais caras, já tinha ouvido algo a respeito e realmente ela estava certa.

Ao descer na rodoviária fui com a minha mala esperar um coletivo para ir até o hotel, a passagem custa 18 pesos uruguayos, isso mesmo, em reais é algo como 1,80, parece pouco, mas para se ter noção, é o triplo da passagem de coletivo em Buenos Aires.

Plaza Independencia.

Entrada da Cidade Velha.
Fiquei num hotel justamente depois dessa entrada da foto acima. No Hotel Palácio, a diária é o preço de um hostel com quarto privado, 40 dólares, sem direito à café-da-manhã, mas mesmo assim vale muito a pena. O lugar é altamente limpo, confortável, a mobília é em estilo antigo, mas bem conservado, tem internet wi-fi, calefação (muito necessário) e o melhor de tudo é o atendimento. Fiquei encantado com a recepcionista Jenny, ela é a cara da Nazaré Tedesco, a risada idêntica, ela me disse que outros brasileiros já lhe haviam dito isto. A atenção concedida não só por ela como pelos demais recepcionistas foi algo fora do comum, de verdade me senti em casa. A localização do hotel também é um ponto positivo, perto de todos os lugares de interesses, numa zona em que não trafega carros, pois é uma rua de pedestres.
Logo após tirar um cochilo de duas horas enrolado em cinco cobertas, fui até a Plaza Cagancha, onde estavam hospedadas minhas amigas baianas,  Mabel e Elisabete, jantamos juntos e no dia seguinte eu e Mabel fomos bater perna para conhecer alguns pontos turísticos.
Caminhando pela Cidade Velha rumo ao Mercado do Porto (preços mais salgados que bacalhau), eu e Mabel não achamos essa parte tão acolhedora como dizem, pelo contrário, nas esquinas da ciudadela velha (e feia), havia muita gente má encarada que fizeram Mabel ficar com medo, por sorte nada aconteceu e chegamos até a Rambla, leia-se a orla. Por mim teria andado mais tempo por la Rambla, afinal de contas é uma paisagem agradável, o vento gelado, os nativos tomando mate, na verdade eles tomam mate por todos os lados, muitos mais do que na argentina.
La Rambla.

Farol ou chaminé?

Durante a noite, deixei Mabel e Elizabete ceoando, verbo patenteado por mim e de significado oculto, e fui conhecer a parte mais moderna da cidade, onde há shoppings, restaurantes, boliches e etc. O bairro Pocitos é de fato agradável, a vida noturna não parece ser tão agitada, mas é interessante, para mim que gosta de coisas mais tranquilas achei ótimo. Fui ao Shopping Montevideo que na entrada tem algumas obras plásticas exóticas.
A cadeira realmente parece ter sido jogada contra à parede.
No dia seguinte fui até Punta del Este, comprei o serviço do City Tour que sai da capital e faz todo um recorrido turístico até lá. Custou 46 dólares, sai às 8 da manhã e voltei às 7 da noite, valeu a pena, pois se tivesse ido de ônibus por conta própria não haveria conhecido um pouco de Pirianópolis e Punta Ballena, balneários muito bonitos.

Vista da cidade de Pirianópolis, um dos primeiros balneários do Uruguay.

Punta Ballena, linda e pequena cidade que lembra muito a arquitetura da Grécia.


Essas fotos foram tiradas na casa de um famoso pinto chileno, pai de um dos sobreviventes daquela tragédia de avião que houve na Cordilheira dos Andes, retrada no filme VIVOS.
Interior do museu.
De Punta Ballena enfim seguimos para Punta del Este, não esperava grandes coisas, queria apenas ver o Conrad Casino, já que Amaury Junior fala tanto dele, porém me surpreendi. Mesmo sendo igualmente pequeno, o lugar possui casas de veraneio de tirar o fôlego. São casas em estilo européu e americano em grande escala. A mais cara de todas é de um brasileiro, o presidente da empresa GRANDENE (de chinelos), avaliada em 20 milhões de dólares, segundo a guia. Não perdi tempo tirando fotos das casas porque a fascinação por elas não me permitiram tirar os olhos. Durante o verão, Punta del Este chega a receber 800 mil pessoas, sendo que a população verdadeira do lugar não passa de 20 mil. Nem mesmo os que trabalham lá vivem na cidade devido ao tremendo alto custo de vida que é o triplo de Montevideo. 

Marinha de Punta Del Este.
Fiquei até sem saber o que comer, pois não queria gastar 100 reais num almoço, por sorte achei algo de 40 reais, advinhem o quê? Chivitos, prato típico do país: pão, carne, tomate, ovo cozido e maionese. Desde minha chegada era a única coisa que comia. Findado o almoço fui ver a marinha da cidade e me encontrei com leões-marinhos.


Leão-marinho, nunca tinha visto, é um bicho bonito, mas dá um pouco de medo de se aproximar, ainda mais quando eles abrem o bocão. Haviam quatro deles.
Antes de ir embora de Punta del Este fui até à famosa MANO DE DIOS, cartão postal da cidade e também ao Conrad Cassino. Para àqueles que nunca foram à Europa, mas precisamente ao Algarve, sul de Portugal, posso garantir que Punta lembra bastante, então fica aí a dica.

La Mano de Dios.

Minha despedida com Elizabete e Mabel que voltaram ao Brasil, enquanto que eu no dia seguinte voltaria à Argentina.
De manhã cedo fechei a conta no hotel, fui para rodoviária e fiz todo o caminho de volta até a Colonia. Cheguei por volta das 11 da manhã, comprei a passagem de barco para às 4 da tarde, assim poderia conhecer essa cidadezinha que é usada como atividade para os turístas de Buenos Aires. Sempre tive dúvida se realmente valia a pena pagar 300 pesos para passar um dia lá, aos brasileiros que virão à Bares, posso garantir que é uma experiência e tanto, não que seja algo nunca antes visto, mas a Colonia tem uma beleza rara, um clima de suspense, é como se voltássemos no tempo. E se tiver 35 dólares, alugue um carrinho que tem lá, eu não aluguei porque estava sem dinheiro, mas fiquei com vontade. Também se pode alugar bicicletas.

Casa estilo antigo.

Paisagens mais bucólicas que o trovadorismo

Romântico no último volume.
O Uruguay é de fato um país com vários países dentro, a capital mantém um certo provincianismo, a população está envelhecida e as coisas são caras, porém volto a destacar o carisma do povo, a alegria que esboçam quando dizemos que somos do Brasil, a cortesia, sem contar as coisas lindas que podem ser vistas nos balneários como Punta del Este e nas cidades mais antigas como Colonia. Para terminar o post, deixo vocês com duas fotos. A primeira se trata de um CHIVITO completo e a segunda do pôr-do-sol de Punta del Este tirada da entrada do Conrad Casino. O melhor do Uruguay é o povo uruguayo.



4 comentários:

  1. Meu grande sonho conhece toda a América do Sul.
    Eu sou apaixonado pela cultura latina americana!
    De uma certa forma eu viajei com você nessas fotos.

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  2. uzieeeeeel...

    to com saudade do cê pessoa que só viaja...

    bjo
    http://mundodeluu.blogspot.com/

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  3. Querido, que bacana o blog!
    Vivo em Montevideo e concordo que o melhor daqui é o povo!
    Só uma correção, o pintor da Casa Pueblo se chama Carlos Paz Vilaró e é uruguayo, não chileno...
    Abraço!

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  4. Obrigado pela correção Mile. Realmente ele é uruguayo. E que sorte a sua de estar numa cidade com um povo tão legal. Mucha suerte. Besos.

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