Embalado pela música: AMIGO ESTOU AQUI, comecei a lembrar da infância, dos amigos e de como tudo parece diferente depois que se cresce.
O filme fala um pouco desse tal verbo que implica muito mais do que a ação explícita semanticalmente. Crescer pode ser mudar, mas também pode ser agregar, conhecer, em outro casos, o crescer se torna embrutecer, regredir, afastar-se. Deixamos os brinquedos para trás, agregamos interesses, conhecemos coisas novas, nem tudo significa evolução. Estagnamos com o coração bruto depois de decepções, regredimos o modo libertário de pensar e muitas vezes a vida ou nós mesmos nos afastamos do que até então gostávamos.
Amigos distantes.
Crescer é complexo, obrigatório, necessário, mas entre trancos e barrancos vamos vivendo sem refletir muito, até que um probleminha aqui e outro ali nos faz parar, pensar, recordar... Vem a nostalgia. Ser saudosista não é a melhor característica para quem cresceu de forma pensante... Vem o misto de alegria e tristeza ao lembrar das brincadeiras no ensino fundamental, o primeiro beijo, as discurssões, momentos diversificados da vida que podem ser tanto positivos como negativos, porém que a esta altura pouco importa a classificação, o que conta é a saudade.
Momento é pretexto, do que sentimos realmente falta são das pessoas que fizeram aquele instante ser inesquecível.
A risada nunca mais ouvida daquela amiga louca e criançona, os conselhos sábios daquela outra que semanalmente visita sua casa, as conversas codificadas dentro do carro, as piadas do amigo sem noção, a parceria talentosa no palco teatral... Vem o sorriso e às vezes lágrimas.
Tenta-se crescer sem deixar coisas para trás e isso explica o sucesso do Orkut, Facebook, Youtube. Mando um recado para Sica, vejo as fotos de Monique, cutuco Michele, teclo com Laécio... Vem o mantimento da amizade à distância. Cadê Alhandra? Vai buscar Daina.
E pelo youtube, revemos Carrossel, Jaspion não morreu, nossa infância gravada, a garganta apertada.
Ninguém quer ficar só, quereremos viver, reviver e melhor ainda se for junto de você. Lembra daquela vez? Eu e você reclamando no dia dos namorados... Dançando, enganando a solidão. Felizes e não sabíamos.
Saudade até dos momentos tristes, obliquos... Vem pra cá Ellen, sumiu Aparecida.
Agora amigos, não estou aqui, o pronome demonstrativo é outro, estou aí, junto de vocês. Estar perto não é físico. Estou tísico de saudade e não haverá idade para que deixe de lado o que sinto mesmo que ainda mais eu cresça, envelheça. É necessário que permaneça o que vou dizer: Amigo, estou aí!




