Para ser aprovado na SELEÇÃO do mestrado é preciso ter antes de qualquer
coisa um pré-projeto. A maioria dos ingressantes acredita que ser aprovado
significa que o tal projeto está pronto para se transformar numa dissertação
digna de Prêmio Nobel. Pode começar a chorar.Fui entender o motivo de chamá-lo de pré somente quando comecei a cursar a disciplina Seminário de Pesquisa. Não demorou sequer vinte minutos de aula para a Professora Aparecida nos fazer ver o quanto o projeto que temos em mãos é uma porcaria. Com o susto da novidade, alguns se desanimam ao ponto de rasgar as vestes e também o projeto.
Começam do zero. Largam a psicologia existencial na obra do escritor Fulano e passam para a melancolia presente num dos poemas do mesmo autor. Em alguns casos, a mudança é ainda mais drástica. Deixam a prosa de Guimarães Rosa pela poesia de Manuel Bandeira. E há ainda aqueles que demoram mais tempo de encontrar o destino final, e de tanto trocar de tema, partem de Gregório de Mattos a Augusto Cury. Precisam de auto-ajuda.
A matéria vira encontro de Acadêmicos Anônimos. Meu nome é Preocupação. Oi, Preocupação. Estou há quinze dias sem mudar o titulo do projeto. Palmas. Outro se mostra confiante. Acho que encontrei minha problemática. E assim, entre AULAS e sessões, nós alunos seguimos tentando definir o Corpus, reescrever a Hipótese e pensar nos Métodos. Levantamos a Fortuna Crítica, enquanto a vida social desce pelo ralo.
O desespero explode quando a professora da disciplina diz Branco e a orientadora diz Preto. Ainda bem que a minha cumpre as duas funções. Porém, nada está resolvido. Corrige o Histórico, reorganiza os Objetivos, elimina a Introdução, acrescenta o Estado da Questão. Por seis meses ficamos nesta consumação, mexendo e batendo o projeto até virar suspiro.
E quando por fim terminamos o merengue, começa a parte mais difícil: o bolo da dissertação.
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