No episódio anterior da minha jornada até Machu Picchu, o ônibus havia me deixado na cidade de Ollantaytambo, na qual eu iria dormir para logo cedo pegar o trem, porém o ônibus foi embora com minhas malas e eu fiquei desesperado.
Acabei parando na delegacia, a qual ficava na praça principal, onde toda a população se encontrava, pois estavam comemorando o aniversário do povoado. Liguei para a agência turística, por sorte havia o número na passagem, e expliquei que iria dormir em Ollantaytambo, mas que o grupo havia partido com minhas malas. O atendente (nem lembro se era mulher ou homem) me disse que não havia como o ônibus voltar. Fiquei doido, gritei pelo telefone, ainda bem que meu espanhol fica melhor ainda quando estou nervoso. Até ameaças eu fiz dizendo que já estava na delegacia e que faria uma denúncia. Por fim, o atendente disse que tentaria entrar em contato com o Javier para que ele voltasse. Enquanto esperava em frente à delegacia no meio da praça, o ônibus voltou. Javier desceu cuspindo fogo e nós começamos a brigar na frente de toda a população, tornamo-nos a atração da cidade. Ele me xingando por eu ter sumido e eu chamando ele de irresponsável.
Após recuperar minhas malas, fui em busca do Hostel Iskay, o qual havia reservado pela internet. O hostel fica de frente para as ruínas, numa rua um pouco escura, porém o dono espanhol me disse que o problema é que como era noite de festa na cidade, a prefeitura havia desligado a luz da rua para economizar. A diária custou 27 dólares, o quarto eram limpo e diferente, dava para ouvir o rio e vê o céu enquanto tomava banho. Um custo benefício fenomenal. Sem contar que o dono é bastante prestativo, ele comprou a entrada de Machu Picchu para mim e me cobrou 15 soles por isso, parece ter sido exploração, mas foi o único hostel que se dispôs a comprar a entrada, pois fiquei com medo de não consegui o ingresso, já que a compra está cada vez mais complicada de fazer.
![]() |
| Festa de aniversário de Ollantaytambo |
Acordei às 5 da manhã, pois tinha que está na estação às seis. Tomei banho, peguei as malas e antes de sair, o recepcionista me deu uma sacola com o café da manhã, o qual acabei comendo dentro do trem: suco de caixa, banana e um sanduíche com queijo. Melhor que nada. A estação não ficava longe, porém carregando mala ficava um pouco complicado. Acabei pegando um Tuc-tuc juntamente com uma nativa que nunca tinha visto na vida. Lá os táxis são assim, pega quem vê pela frente. A corrida de 1 km custou 1sol, o referente a 70 centavos.
Antes do trem sair, precisava encontrar um lugar onde deixar minhas malas. A empresa do trem disse que não tinha lugar para guardar, então segui o conselho do dono do hostel e tentei guardá-las num hostel que ficava dentro da própria estação de trem, "El Albergue". A recepcionista não queria aceitar, pois segundo ela, só guardavam malas dos próprios hóspedes. Argumentei que o dono do hostel havia me dito que era amigo do proprietário de lá e que eu pedisse o favor em nome dele, a mulher acabou aceitando e eu entrei no trem livre da mala.
![]() |
| Trem da Inca Rail |
O tema do trem é outro problema. Há três empresas: Peru Rail (foi esta que a novela Amor à Vida utilizou), Inca Rail e Machu Picchu Train. Os preços são praticamente os mesmos, o que muda é o valor da classe. Fui na mais econômica da Inca Rail e mesmo assim a passagem de ida e volta me custou 100 dólares. Comprei aqui no Brasil fazendo uma reserva pelo site, ao chegar em Cusco, fui até a loja da companhia que fica na Plaza de Armas e com o comprovante de reserva e o cartão de crédito em mãos, consegui pegar as passagens.
![]() |
| Dentro do trem |
Assim que os turistas desceram do trem, todos correram para encontrar o ponto de ônibus que leva até Machu Picchu, inclusive eu. A subida dura em torno de 15 minutos e o preço de ida e volta é uma facada, 17 dólares. Algumas pessoas compram só a subida por 9 dólares e descem a pé. Os mais corajosos sobem e descem com as pernas, mesmo sendo 1 hora e meia de caminhada, 3 ao total, sem contar o tanto que terá que andar no próprio Parque Arqueológico.
Como meu físico não dá pra essas caminhadas, fiz como a maioria e paguei os 17 dólares. Ao chegar, carimbei o meu passaporte com a imagem de Machu Picchu, não esqueça de levar o seu. Vi que há um guarda-volume que custa 3 soles o volume, é a única coisa barata que tem por lá. De toda forma, levei comigo minha mochila com água, roupa de frio, guarda-chuva e bolacha de sal. Comer por lá é caro demais e não pode fazê-lo dentro do parque, ou você come antes de entrar ou depois. Os banheiros também ficam do lado de fora do Parque.
![]() |
| Lhamas na entrada do Parque. |
![]() |
| Vista de Machu Picchu do alto. |
Andar pelas ruínas é muito emocionante, porém se você fizer o Valle Sagrado antes, parte dessa emoção fica comprometida, já que as outras ruínas também são bonitas, embora não tanto quanto Machu Picchu. De todas forma, realmente vale a pena conhecer, não apenas pela beleza ímpar, mas também porque chegar num lugar tão escondido e difícil dá uma sensação de superação incrível.
Para subir o Wayna Picchu, a montanha maior, o ingresso é mais caro e mais limitado, apenas 400 pessoas por dia. Eu mais uma vez preferi não me aventurar mais do que já estava me aventurando e fiquei andando pela cidade dos incas, o que já é muito cansativo e satisfatório. As casas de pedra, as ruas, a plantação, o sistema de água, tudo em Machu Picchu é história. Você pode pagar um guia por 20 soles, mas eu prefiri andar e fazer meu próprio tempo. Às vezes eu ficava perto de um guia para ouvir as partes mais interessantes.
![]() |
| Cidade de pedra. |
Dependendo do seu ritmo, em duas horas dá para conhecer quase tudo, principalmente se o clima estiver tão bom como o que tive a sorte de pegar. Andar por Machu Picchu é voltar ao tempo. Impressionante como eles conseguiram construir uma cidade num lugar tão alto e difícil. Uma observação: eu não senti nenhum mal estar com a altitude, mas vi pessoas que se sentiram mal. É bom tomar um Dramin B6 para o equilíbrio.
![]() |
| Construção em forma de ave. |
![]() |
| Degraus da cidade. |
Depois de andar por Machu Picchu e de comer muito "Club Social" perto da lhamas, peguei o ônibus de volta ao povoado de Águas Calientes. A cidade parece ser mais agradável e limpa que Ollantaytambo, apesar que a comparação pode ser um pouco suspeita já que estive em Ollantaytambo num dia de festa. O que gostei em Águas Calientes é a enorme variedade de restaurantes, dando assim mais opções a turistas que não gostam de comidas exóticas como eu. Uma das melhores pizzas de atum que comi foi lá. É uma boa opção para quem quer repousar uma noite, mas não recomendo passar um dia inteiro. As água termais, outro atrativo do lugar, não vale nem um pouco a pena. Não cheguei a ir, mas todo o mundo que foi me disse que as piscinas são sujas e que a água tem forte cheiro de mijo.
![]() |
| Plaza de Armas de Águas Calientes" |
![]() |
| Rio que corta a cidade. |
Por sorte, só começou a chover quando eu já estava entrando no trem às 14:30. A paisagem de volta foi ainda mais bonita, pois desta vez fui ao lado do rio e a chuva causou um efeito de paz. Como minha sorte estava grande, assim que cheguei em Ollantaytambo, a chuva parou, graças a Deus. Peguei minhas malas no hostel que fica dentro da estação e logo ouvi pessoas gritando para a lotação com destino à Cusco. Paguei menos que 15 soles por uma viagem que durou quase duas horas.
No dia seguinte, descobri que o táxi para o aeroporto, ao contrário do que acontece em Lima, é mais barato saindo da cidade do que o contrário, paguei apenas 12 soles. Fui embora de Cusco deixando o Valle Sagrado, Machu Picchu e muitas lembranças para trás, porém a viagem ao Perú ainda não havia chegado ao fim. No próximo post, conheça Ica, o deserto de Huachina e as Islas Ballestas onde vivem focas, aves e pinguins. Até lá.
![]() |
| Paisagem vista do trem de Machu Picchu. |
*Leia outros relatos de viagens clicando aqui.















