Faz um ano que pecorri parte da Europa, assim como também já faz um ano que este blog existe, porém ainda não consegui relatar todas as cidades pelas quais passei por lá, a isto se deve o fato de que interrompi os posts europeus para falar do Chile, Uruguay e Argentina. Achei que retornaria aos relatos do Velho Continente, pois ainda falta falar de Lisboa e de algumas cidades da Espanha, mas farei uma nova pausa para o primeiro post de turismo nacional.
Depois de cinco anos, voltei a morar na Bahia, ou pelos menos, passar uma temporada. Quando me hospedei no Che Lagarto em Santiago de Chile vi no mural que a rede de hostel também possuía uma unidade no Morro de São Paulo, assim sendo, ao ir morar a menos de 100 km de lá, não poderia deixar de conhecer o famoso paraíso baiano, a ilha em que não trafega carros e que o único acesso é através do mar.
Coloquei 60 reais de gasolina e fui para Valença. Com este valor conseguir ir e voltar, ainda bem, pois em Valença o litro da gasolina chega a custar 3 reais. Logo na entrada da cidade, um rapaz de bicicleta se apoiou na porta do meu carro e começou a gritar: "Estacionamento!". Na hora até me assustei, mas logo percebi que era algo normal. É comum do baiano falar alto e quando se trata de vender, o volume aumenta. Eu por exemplo não consigo falar baixo nem mesmo em velório.
O rapaz me levou ao estacionamento para o qual ele trabalhava e foi então que levei outro susto quando quiseram me cobrar quarenta reais por dia. Antes eu havia pesquisado e encontrado estacionamentos na internet por até 5 reais, depois fiquei sabendo que um esperto comprou todos os estacionamentos da cidade e elevou o preço. Mesmo assim pechinchei e o dono fez 20 por dia. Ainda achei caro, mas não dava pra continuar pechinchando, pois já estava ficando chato. Como diria minha mãe: quem não quer gastar que não saia de casa.
Sai do estacionamento e fui andando para o atracadouro de onde saem as balsas para o Morro de São Paulo. É tudo muito próximo, cerca de 50 metros.
A lancha rápida custa 13 reais e alguns centavos, ela faz o percurso em 45 minutos. Já a tradicional custa 6 e quebrados, demora cerca de uma hora. Enquanto esperava a barca, vi uma loira autêntica lendo um livro de viagens em inglês, observei que ela estava na sessão do Chile. Que coincidência, não?
Eu que havia acabado de chegar de lá resolvi puxar assunto. Seu nome era Michelle, australiana, (foto ao lado: eu e Michelle no atracadouro de Valença). Ela não falava nada de português, assim sendo o santo internacional baixou e comecei a dar dicas do Chile em inglês, mesmo tendo o pior inglês que um ser humano pode fingir. Conheci um argentino na lancha e durante o trajeto fomos tendo a três um papo poliglota que foi bastante interessante. A viagem até o Morro foi tranquila, apesar de em alguns momentos parecer que a lancha iria voar e que eu me molhar todo. Algo que me chamou a atenção foi que não nos colocaram os coletes salva-vidas.
Eu que havia acabado de chegar de lá resolvi puxar assunto. Seu nome era Michelle, australiana, (foto ao lado: eu e Michelle no atracadouro de Valença). Ela não falava nada de português, assim sendo o santo internacional baixou e comecei a dar dicas do Chile em inglês, mesmo tendo o pior inglês que um ser humano pode fingir. Conheci um argentino na lancha e durante o trajeto fomos tendo a três um papo poliglota que foi bastante interessante. A viagem até o Morro foi tranquila, apesar de em alguns momentos parecer que a lancha iria voar e que eu me molhar todo. Algo que me chamou a atenção foi que não nos colocaram os coletes salva-vidas.
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| Portal do Morro. |
Assim que passamos pelo portal temos que enfrentar uma ladeira vertiginosa. Para quem tiver muita bagagem, existem galinhotas com o nome táxi escrito nelas. Parece que eles cobram cerca de 10 reais para carregar seus pertences. No Morro há 4 praias, elas ficam praticamente uma junta da outra, desse modo, não faz muita diferença se o seu hotel fica na primeira, segunda, ou terceira praia. A mais longiquoa é quarta, porém o seu único inconveniente é a falta de iluminação.
Fiquei na segunda praia numa pousada chamada Timbalada. O tópico da hospedagem é complicado, pois há inúmeras opções, chega a ser um martírio saber qual escolher. Às vezes até parece não fazer diferença, mas não se engane, há pousadas no Morro que mais parecem última parada antes da morte. Eu gostei da qual fiquei, pois os serviços eram condizentes com os quarenta reais da diária. Ela era limpa, tinha um bom café da manhã e o pessoal muito simpático. Descobri que toda população nativa recebe curso técnico de turismo da prefeitura. Deve ser por isso que a recepcionista me elogiava o tempo todo. O pessoal da pousada realmente sabe como agradar o cliente. O que achei meio estranho foi a falta de porta no banheiro e algumas baratas, mas nada que chegasse a incomodar. Segundo a receocionista, eles detetizam sempre.
O movimento maior fica justamente na segunda praia. Antes da primeira ficam os restaurantes e na terceira e quarta as coisas são mais paradisíacas, para não dizer desertas.
Já ouvi pessoas falarem que Morro de São Paulo é o paraíso perdido. Acredito que o difícil acesso e os preços elitizados contribuíram para este mito. Reclamam inclusive que estão urbanizando o lugar, calçando ruas, modernizando e tirando o charme "lostiano". Antes de qualquer afobação é preciso saber a diferença de urbanizar e pavimentar. Ilhas e Balneários como Ibiza na Espanha e Albufeira em Portugal, podem-se dizer que foram urbanizados, o que não é ruim, pelo contrário. É muito bonito vê um elevador e uma escada rolante numa praia. A junção do moderno com o natural. A fotografia fica linda como podem ver no post sobre Albufeira. Porém o que está acontecendo com o Morro de São Paulo é uma pavimentação das mais sem graça. Calçar becos e colocar lâmpadas em canos expostos é a mesma coisa que ajeitar uma favela.
A impressão que dá é que a ilha foi jogada ao deus dará. O desmazelo da prefeitura é algo quase que concreto e personificado. Casas sem rebocar, remendos visíveis nas instalações elétricas, propagandas de políticos pintadas nos muros... Como mais uma vez diria minha mãe: "está jogado pras cobras". O que é uma pena, pois bem cuidado, o Morro teria a capacidade de agradar aos turistas mais exigentes.
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| Mirante do Morro. Seria mais bonito se não fosse os blocos sem reboco e sem a propaganda política. |
Os restaurantes que ficam na entrada da ilha são muito bons e tem uma variedade imensa: de comida italiana à japonesa. Indico o Aquarius, principalmente por causa do atendimento. Fiz a maior amizade com a garçonete chamada Albertina, uma uruguaya com quem bati muito papo. Ela me ganhou como freguês quando me perguntou se eu era chileno, fico feliz quando alguém elogia meu espanhol.
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| Albertina y yo en frente al Aquarius. |
As praias do Morro são bonitas de se vê, agradáveis para caminhar, mas para tomar banho não gostei. Razas, cheias de pedras e sem onda. Acredito que para quem procura algo mais radical não servirá. Indico o Morro para casais, famílias e pessoas em busca de relaxar, entrar em contato com a natureza.
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| Pôr-do-sol na quarta praia. |
Caso você seja radical e se desapontou com o que escrevi no parágrafo acima, acalme-se. Tendo um pouco de dinheiro, seus problemas acabaram. A Rota Turismo situada na primeira praia possui inúmeras atividades que vão de 50 a 150 reais. Entre elas está a observação de baleias, passeio este que não pude perder. Há uma série de regras e de condições para este passeio, inclusive a probabilidade de não vê as baleias, neste caso o dinheiro não será devolvido, mas você será convidado para tentar novamente sem pagar de novo. Por sorte consegui vê quatro ou cinco baleias no dia que fui e posso afimar que foi uma experiência bastante excitante. Procurando baleias jubarte em alto mar, a adrenalina é grande. Caso faça esse passeio, peça ao guia um remédio para enjoo antes de embarcar, pois o instentino delgado se recontorce.
É muito agradável andar pelo Morro, mas como lá é muito pequeno, logo não tem mais para onde andar. Entretanto, é possível subir até o Farol, de onde se pode admirar um pôr-do-sol muito bonito e contemplar a visão geral da ilha.
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| Vista do Farol do Morro. |
Antes de se chegar ao Farol há um estabelecimento chamado A Toca e posso garantir que a viagem seria perdida se não passar algumas horas por lá. Para entrar no recinto é cobrado uma taxa de 5 reais que vale totalmente a pena. Com uma ornamentação meclada entre o rústico das árvores e o lounge das velas, cabanas e poofs, A Toca conta ainda com música ao vivo de primeira qualidade. O preço da comida é mais salgado, porém a vista e o ambiente compensam, principalmente se você estiver em boa companhia. Felizmente eu estava. Juntamente com Michelle, um casal da Holanda (nomes muito difíceis, não sei escrever) e com Jonas, um rapaz da Suécia, passamos agradáveis momentos conversando. Simplesmente não dava vontade de ir embora da Toca, era muito bom comer ao ar livre sentando num poof, outra hora numa esteira, cabana e até balanço. Sem contar que a cantora da noite tinha a voz parecida com a de Norah Jones.
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| A Toca. |
Curtindo na Toca.
Perguntei ao Jonas que nota ele daria ao Morro e ele me disse 3. Fiquei assustado, havia lhe dito que daria no meu blog a nota 7 e já estava me achando exigente demais. Segundo ele, Itacaré é mais bonito, as praias são melhores e em questão de cuidados, foi a pior ilha em que esteve. Entendi a crítica dele e cheguei a conclusão de que Morro de São Paulo pode até ser considerado um paraíso para muitos, mas para quem conhece balneários e ilhas pelo mundo, a fama do Morro se torna uma falácia. Em todo o caso, o paraíso pavimentado não é de todo o mal, ainda possui seus encantos.
Despeço-me da Bahia e no último post do ano sobre viagens falarei finalmente sobre Lisboa.
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| Fim de Tarde no Morro de São Paulo. |
















Eu vou para o morro dia 16 de dezembro.. to com medo pq vi muitos comentarios falando de roubos e sequestros! oq vc acha??
ResponderExcluirNão achei lá tão perigoso, mas nunca se sabe. Acho que vc deve evitar a quarta praia de noite e tentar ficar sempre próximo onde tem gente. Caso você vá acompanhada é melhor, afinal de contas as mulheres vieram ao mundo com um carma. E no Morro, mulher sozinha realmente corre um certo risco.
ResponderExcluirBoa Viagem.
A ultima vez que fui ao Morro foie ste ano -2011- foi tão ruim que eu nem consigo me lembrar das belezas naturais de lá. Estava em grupo e fomos todos assaltados, um verdadeiro arrastão. Ficamos só com a roupa do corpo, 3ª praia, sol de meio dia. Perdemos nosso feriado entre delegacia, depoimentos e péssimas lembranças de armas de fogo apontadas para nossas cabeças. Péssimo tratamento da Prefeitura após o ocorrido. Tentei fazer o alerta na comunidade do orkut, mas me senti muito hostilizada. Me parece que há um interesse em mascarar o que acontece no Morro.
ResponderExcluirE não foi o único caso de assalto. Basta fazer uma pesquisa simples no google. Como baiana e brasileira, fico muito decepcionada.
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