Era um daqueles dias em que não se sabe que dia é. Viu a
noite muito antes de escurecer. A lua do meio-dia era minguante. Estava
amarrado por correntes invisíveis a terceiros. Cama cativeiro. Não via mais, apesar dos olhos verdes
arregalados. Fortes dúvidas quanto ao regalo da vida.
Seu vermelho era relativo, cansou-se do amor, sinfonia de
Chopin, escopo de nhauer. Sucessão de manhãs escuras, tardes cinzas, noites de tarja
preta. Desistiu.
Levantou-se da cama, da maca em que se sujeitou. Sem
falar abriu a gaveta do criado-mudo, a consciência gritava, mas estava surdo,
apesar de ouvir o som de Chopin. De uma só vez, tomou... Fechou os olhos, o chumbinho fez efeito antes de se
arrepender.
E Núbia nem chorou.
Nota: Conto apresentado na Oficina Percursos Literários, ministrado por Reynaldo Damázio, na Casa das Rosas.
Nota: Conto apresentado na Oficina Percursos Literários, ministrado por Reynaldo Damázio, na Casa das Rosas.



