segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Relato de Viagem - Um Dia de Boa em Lisboa

Como prometido o último post de viagem do ano será dedicado a Lisboa, principal parada de brasileiros, tanto para turistas quanto para aqueles ávidos por começar uma nova vida de trabalho na terra do euro. Viajei de TAP saindo de Salvador num voo sem escalas ao lado de minha melhor amiga de Capim Grosso, coincidência da qual já relatei em um outro post, clique aqui para ler.

O avião era imenso, numa parte havia duas cadeiras ao lado das janelas da esquerda, no meio quatro assentos e depois mais dois assentos ao lado de uma parede que dividia a segunda parte da aeronave, nesta segunda parte havia duas cadeiras na direita ao lado da mesma parede, quatro assentos no meio e mais dois assentos ao lado das janelas da direita. Ufa. Espero que tenham entendido, pois não sou Euclides da Cunha para descrever geografia e espaços, ainda mais de um avião tão grande. Cada poltrona tinha um televisor e um controle remoto que permitia escolher entre 15 filmes para assistir e mais 15 jogos para passar o tempo. Entre 8 horas de voo, assisti algo, joguei, ensinei Núbia a jogar, conversei, cochilei com uma coberta vermelha, comi macarrão com atum, bebi um refrigerante chamado Bret Frek, não sei como se escreve, mas a pronúncia parecia ser essa, enfim... Foi um voo longo, porém divertido, sem contar que no visor havia um mapa que mostrava os quilômetros que ainda faltavam para chegar, isto diminuía a ansiedade.

Lisboa não é de forma alguma a melhor cidade da Europa, está longe disso, mas verdade seja dita: de todos os lugares que já sobrevoei e foram muitos, já que pelos meus cálculos voei em torno de 30 vezes, Lisboa é a cidade mais bonita vista de cima, tive a oportunidade de vê-la três vezes do alto, uma delas foi ao som da música Elephant Gun, quando as nuvens se dissiparam o mp3 começou a tocar e foi emocionante vê aquela cidade inteiramente branca parecendo algo de outro mundo. Quando for à Lisboa, faça de tudo para viajar na janela, pois vê-la de cima foi uma das coisas mais lindas que já vi.

 Rua Augusta e o relógio que nunca funcionou em cima do arco.
Como há muita coisa para conhecer em torno da cidade de Lisboa, tirei um dia apenas para os pontos turísticos da capital e deu para fazer tudo sem pressa, claro que obtive a ajuda de um ótimo guia. Roger é um brasileiro do Espírito Santo que vivia por lá, mais viajado que mala de aeromoça, agora ele se encontra em New York, porém naquele agradável dia me serviu como guia e fotógrafo, é uma daquelas pessoas que Deus coloca em nossa vida no momento em que precisamos, antes de continuar a discorrer sobre a cidade quero fazer um agradecimento especial a este meu amigo que me recebeu tão bem por lá. Feito os devidos agradecimentos, conto que ao me encontrar com Roger na estação de metrô partimos para a parte cultural da cidade, conheci o teatro citado por Eça de Queiróz em seus livros, o centro, o Rio Tejo, os bondinhos e o Castelo de São Jorge que se espatifou com o famoso terremoto que abalou Portugal e cuja a entrada é bastante salgada, em torno de 10 euros.

Teatro Nacional Dona Maria


Bondinhos











Entrada do Castelo de São Jorge.
Achei Lisboa muito calma, mesmo em plena segunda-feira útil a sensação era de que fosse feriado, havia pessoas pelas ruas, mas o ritmo era lento, calmo, o comércio bastante elegante, limpo e então pude constatar a reclamação do Egas em "Os Maias". Lisboa, apesar de toda diversidade populacional, continua sendo uma cidade de costumes provincianos. Vi velhinhas de chapéu, senhores com bengalas, achei realmente diferente do ritmo de Madrid e Paris, principalmente no que se diz respeito ao trato dos portugueses com os turistas: objetivos para não dizer frios.
Antes de chegar ao Castelo de São Jorge, paramos num píer de onde se pode visualizar o Panteão Nacional onde está enterrada a cantora de fado Amélia Rodrigues e de onde se tem uma linda vista do Rio Tejo e das casas mais antigas de Portugal, construídas antes da descoberta do Brasil e que estão lá até hoje.

Rio Tejo e casas mais antigas que o Brasil.

Miradouro das Portas do Sol.
Pegamos um ônibus elétrico e fomos até o bairro de Belém, por falar em ônibus elétrico, o transporte em Lisboa é bastante eficiente e possui um bom preço, por 5 euros é possível andar durante um dia quantas vezes quiser.
Em Belém, o que não falta é história e lugares para tirar foto, não por acaso é onde se concentra a maior parte dos turistas. As fotos a seguir ficam no mesmo bairro.

Primeiro avião a ir de Lisboa ao Brasil.
 Monastério dos Jerônimos, onde Camões está enterrado.

 








Monumento das Caravelas de onde saiu a primeira caravela rumo ao Brasil.















É também no bairro de Belém onde está a padaria dos famosos Pastéis de Belém, claro que fui lá comer um, cada unidade custa 90 céntimos, quase dois reais. São gostosos.

Comendo um pastel de Belém.

Palácio da Caravela.
Lisboa inspira tranquilidade e seria ainda melhor se a antipatia dos nativos não fosse tão latente, sem querer generalizar, mas a amargura dos portugueses ultrapassa o suportável e talvez por isso, mesmo sendo uma linda cidade, não fiquei apaixonado ao ponto de querer voltar. A pessoa mais simpática que vi por lá foi o Roger, mas ele não conta já que é brasileiro. De todas as formas, vale muito a pena passar uns dias em Lisboa, ou pelo menos um dia de boa como passei.

2 comentários:

  1. Uziel,

    desculpe corrigir, mas onde diz "Vista do Panteão Nacional.", não será antes vista do Miradouro das Portas do Sol?
    Espero que tenha gostado de Lisboa! :)

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  2. Também, Tânia. Mas eu estava me referindo à igreja ao fundo da foto. Mas agora que você falou, fui olhar de novo e realmente não é o Panteão, é a igreja e o mosteiro de São Vicente. Rsrs. Obrigado.
    Eu gostei muito de Lisboa. Vale muito a pena. Abraços.

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